Total de visualizações de página

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

EPIFANIA DO SENHOR - SALVAÇÃO

(Adoration of the Magi. Autor: Bartolomé Esteban Murillo (1617–1682). Toledo Museum of Art, Toledo, Ohio, USA)

Chegamos ao 2º Domingo após a Epifania. Mas o que seria EPIFANIA?

"EPIFANIA DO SENHOR - Com a Epifania, o período do Natal chega ao seu desfecho glorioso. Enquanto o Natal proclama a humanidade de Cristo, a Epifania manifesta a sua divindade. Aliás, a palavra grega 'epipbaneia' significa 'manifestação' ou 'amanhecer'. A Epifania marca o momento dramático da história, quando Cristo, a luz do mundo, se pôs em confronto com as trevas deste mundo. A Epifania foi celebrada primeiramente pelas igrejas cristãs do Egito, antecedendo a comemoração do Natal por uns 300 anos. Os eventos bíblicos associados com a Epifania são: a primeira manifestação da glória divina de Cristo para toda a humanidade na visita dos magos, que o cultuaram com suas oferendas de ouro, incenso e mirra; a revelação da natureza divina de Jesus no seu batismo; e o primeiro milagre de Jesus nas bodas em Caná". (Manual de Culto IPIB, 2011: 179)
Breve entraremos no período da Quaresma, outro momento importante na vida de todos cristão.
Para essa nossa terceira semana do ano deixo uma reflexão sobre a SALVAÇÃO.
Um grande abraço,
Diác. Nelson de Paula Pereira
www.nelsondepaula.com

Salvação
1 Timóteo 2.1-7
“Ele [Deus] quer que todos sejam salvos e venham a conhecer a verdade”. (v. 4)


Este é o plano de Deus: ele não quer somente ajudar, ele quer salvar.
Sabemos que o ser humano tem um limite de vida nesta terra. E depois? Vai depender de nossa escolha. Se escolhermos viver com Deus, então queremos saber do seu plano para as pessoas. Outro caminho de salvação, isto é, vida eterna com Deus, não existe. Para isso Deus enviou Jesus Cristo, que ensinou o caminho da salvação.
Há poucas semanas, celebramos no Natal a vinda de Cristo ao mundo. Esta é a oferta amorosa de Deus: Jesus Cristo tornou-se o mediador entre Deus e os seres humanos. Ele deu a sua vida por esse projeto que era a vontade de Deus. Ao aceitar a vontade divina, deixamos os nossos desejos em segundo plano e procuramos viver conforme a orientação de Deus, que encontramos na Bíblia. As palavras da Bíblia são como a bússola que nos indica o caminho salvador. Assim conheceremos a verdade.
Para ficar em contato com Deus, usamos a oração. Jesus ensinou-nos a orar por meio da oração do Pai-Nosso. Por isso, quando oramos, nós o fazemos em nome de Jesus, pois ele é o mediador entre Deus e nós. Cristo morreu numa cruz em nosso favor. A cruz tornou-se também um símbolo de ligação com Deus (haste vertical da cruz) e com nosso próximo (haste horizontal). Isso significa estar ligado em Deus e interceder pelo próximo. Com a oração estamos realizando a vontade do Senhor e testemunhando que ele quer que todos sejam salvos.
Bondoso Deus, agradecemos que nos enviaste o Salvador Jesus Cristo. Agora sabemos que há salvação eterna. Fortalece a nossa fé para nunca duvidarmos de tua vontade e mantém o nosso coração orientado nas tuas instruções. Por Cristo. Amém.
Rubens Horst

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Matar ou libertar


Matar ou libertar
Marcos 2. 23-28


“O sábado foi feito para servir as pessoas, e não as pessoas para servirem o sábado”. (v. 27)

Deus instituiu o sábado para que o seu povo, os estrangeiros, os escravos e até os animais tivessem pelo menos um dia de descanso no final da semana (Êxodo 20.8-11). A cristandade primitiva motivada pela alegria da ressurreição de Jesus Cristo no primeiro dia da semana, dedicou-o como "Dia do Senhor" (Domingo). Desse modo, a semana inicia não com o trabalho, mas com o descanso, antecipando, por assim dizer, a alegria do descanso eterno. Em ambos os casos, percebe-se o espírito libertador da lei acerca do dia do descanso. Por isso Jesus diz que o sábado foi feito para servir as pessoas.
Mas quando o espírito libertador não rege a compreensão das pessoas, elas ficam presas à letra da lei e não conseguem perceber a sua intenção benevolente. Foi o que aconteceu com os piedosos fariseus. Eles se escandalizaram ao ver os discípulos colhendo e comendo alguns grãos de trigo no dia de sábado. Da boa lei sobre o dia do descanso eles haviam feito uma lista de trabalhos que não poderiam ser realizados nesse dia da semana. Ficaram presos à letra da lei, sem perceber o espírito libertador da boa lei divina.
É, portanto, necessário que o Espírito Santo nos ilumine para perceber a intenção libertadora dos mandamentos e de toda a Bíblia. A letra da palavra pode escravizar ou mesmo matar a vida. O espírito da palavra, porém, pode libertar e conduzir para a vida boa que Deus quer para os seus. Que Deus nos conceda essa graça!

Agradecemos-te, bondoso Deus, pelos mandamentos e por toda palavra escrita na Bíblia. Não permitas que fiquemos presos à mera letra de tua Palavra. Ilumina-nos pelo Espírito Santo para a compreensão e a ação libertadoras que promovem a vida boa. Amém.

Güner K. F. Wehrmann

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

SOU O MENOR


Sou o menor de todos,
Pois estou onde ninguém quer estar.
Sou o menor de todos,
Pois estou oferecendo ajuda em meio ao caus.

Sou o menor de todos,
Pois estou onde há o desespero.
Sou o menor de todos,
Pois estou onde há lágrimas.

Sou o menor de todos,
Pois estou onde está o desprezível.
Sou o menor de todos,
Pois sou uma pequena brasa que alimenta o fogo.

Sou o menor de todos,
Pois vejo a dor do próximo e a torno minha.
Sou o menor de todos,
Pois o simples não ostenta.

Sou o menor de todos,
Pois em meio a fúria eu me mantenho em paz.
Sou o menor de todos,
Pois em meio a injustiça eu sou a serenidade.

Sou o menor de todos,
Pois sendo desprezado Deus me exalta.
Sou o menor de todos,
Pois em meio a calúnia sou herdeiro do Reino dos céus.

Sou o menor de todos,
Pois em meio as crises sou tomado de serenidade.
Sou o menor de todos,
Pois onde existe o ódio sou instrumento de amor.

Sou o menor de todos,
Pois havendo ofensas sou o veículo do perdão.
Sou o menor de todos,
Pois onde reina a discórdia sou embaixador da união.

Sou o menor de todos,
Pois onde surge a dúvida eu exponho a verdade.
Sou o menor de todos,
Pois onde domina o erro sou orientador do arrependimento.

Sou o menor de todos,
Pois se propagando o desespero sou instrumento da serenidade.
Sou o menor de todos,
Porque o Reino dos céus são dos pobres de espírito.

Sou o menor de todos
Pois havendo tristeza eu tenho que ser a alegria.
Sou o menor de todos,
Porque os consolados são aqueles que choram.

Sou o menor de todos,
Pois despontando as trevas me coloco no lugar da luz.
Sou o menor de todos,
Por que sendo manso sou herdeiro da terra.

Sou o menor de todos,
Pois sou saciado em meio a fome e a sede de justiça.
Sou o menor de todos,
Pois sendo misericordioso encontro a misericórdia.

Sou o menor de todos,
Pois prefiro consolar do que ser consolado.
Sou o menor de todos,
Pois vejo Deus ao ser puro de coração.

Sou o menor de todos,
Pois prefiro compreender do que ser compreendido.
Sou o menor de todos,
Pois sou ministro da paz e, logo sou filho de Deus.

Sou o menor de todos,
Pois prefiro amar do que ser amado.
Sou o menor de todos,
Porque sou perseguido por defender a justiça e por isso sou herdeiro do céu.

Sou o menor de todos,
Pois prefiro dar do que receber.
Sou o menor de todos,
Pois por Cristo sou insultado, mas grande será a minha recompensa no céu.

Sou o menor de todos,
Pois perdoando sou perdoado.
Sou o menor de todos,
Pois por Cristo sou perseguido e por isso será grande o meu galardão.

Sou o menor de todos,
Por que quando mentem ao meu respeito consolo-me ao saber que os meus antepassados também foram perseguidos.
Sou o menor de todos,
Pois dizendo todo tipo de mal sobre mim, regozijo-me
ao saber que os Profetas que me antecederam passaram por isso.

Sou o menor de todos,
Pois sinto-me alegre e contente e minha recompensa será no céu.
Sou o menor de todos,
Pois não pertenço a este mundo...ao morrer viverei para a vida eterna.

Rio de Janeiro, 19/09/2015. Nelson de Paula Pereira

quarta-feira, 27 de maio de 2015

LEMBRAI-VOS DA BASTILHA


Lembrai-vos da Bastilha
José Gobbo Ferreira


Em 1789, a sociedade francesa era governada pelo Rei e constituída por três grupos, denominados “Estados”: o primeiro, constituído pelo clero, o segundo pelos nobres, e o terceiro pela classe média e produtora, os burgueses. O povo formava os “sans culottes”, os despossuídos, os empregados semiescravos. 

Os impostos eram pagos somente pelo terceiro Estado, que sustentava os dois outros. As consequências disso recaiam sobre seus empregados, que recebiam salários miseráveis.

Quando a situação ficou intolerável, o povo e os burgueses forçaram a convocação dos Estados Gerais, uma assembleia do tipo constituinte, onde certas distorções poderiam ser corrigidas. O terceiro Estado entrava em desvantagem nas decisões, pois os outros dois sempre se juntavam contra ele a fim de manter seus privilégios. Desta vez, porém, algumas defecções no segundo Estado lhe deram a vitória, que não foi reconhecida. Suas reivindicações não foram levadas em conta pelo Rei, o que acabou resultando na dissolução dos Estados Gerais e naquilo que se convencionou chamar de “Revolução Francesa” na qual nobres cabeças rolaram em abundância.

No Brasil de nossos dias, há uma rainha mentirosa e incompetente e um rei alcoólatra, corrupto e imoral que trabalha nas sombras e cujo trono se desloca continuamente.

Há um primeiro Estado formado por um sistema político "soi-disant" representante do povo e encarregado de exercer o poder em nome dele, mas que na verdade trabalha por usurpá-lo em favor de seus próprios interesses.

Há o segundo, constituído pelos parasitas que aparelham o Estado em todos os setores da administração pública, e não só nada produzem como tem autorização real e do primeiro Estado para saquear grande parte das riquezas do Estado Nacional.

E, exatamente nas mesmas condições francesas daquela época, um terceiro Estado e um povo sofrido, que sustentam os outros dois com seu suor e seus impostos.

Houve uma reunião dos Estados Gerais quando milhões de representantes do terceiro Estado e do povo foram às ruas em quase quinhentas cidades do País a fim de alertar aos outros que a situação estava insustentável. Não foram ouvidos!

Mas eles continuaram seus esforços, tentando demonstrar que, em contraposição ao Distrital Puro, o processo eleitoral que proporcionaria a mais legítima manifestação da democracia eleitoral em nosso país, aquele proposto pelas velhas raposas enriquecidas na política, o chamado “distritão”, garantiria definitivamente o poder econômico como o senhor das eleições brasileiras e seria uma afronta à maturidade de nosso povo, pois iria juntar o Brasil ao seleto clube formado exclusivamente por quatro membros ilustres: Afeganistão, Jordânia, Vanuatu e Ilhas Pitcairn.  Não foram recebidos!

Poder-se-ia, talvez, apelar à justiça, mas o Poder Judiciário está contaminado pela servidão aos interesses do partido do rei apedeuta, que continua a tentar infiltrá-lo com juízes iníquos, prontos a atender seus interesses.

Sob argumentos subjetivos, a Suprema Corte concedeu habeas corpus a inegáveis larápios, conluiados no assalto às empresas públicas brasileiras, aplicando um tapa na face da sociedade e disseminando a sensação de impunidade que tem sido a regra geral nos tempos que vivemos. Votaram irmãmente o relator e o autonomeado presidente da turma. O primeiro, escolhido a dedo pelo PT e o segundo, advogado do PT.

É absolutamente inconcebível que os senhores senadores sequer cogitem agora de completar aquela Corte com um amoral advogado do MST.

O povo, por mais de doze anos enganado pela falsa propaganda do rei nu, começa a se aperceber disso, e se inquieta. Há mais pessoas dormindo pelas ruas do Rio de Janeiro do que nas de Katmandu, no Nepal, destruída por um terremoto. Aliás, estima-se que os recursos desviados pelos representantes do rei e do primeiro Estado (e somente aqueles até agora já descobertos), dariam para recuperar aquele país da desgraça que se abateu sobre ele. Quando, e se, forem apurados todos os desvios praticados por essa corja, talvez descubramos que menos cruel nos teria sido ter sofrido um terremoto instantâneo do que suportar por tanto tempo a corrupção desses crápulas no poder.

A insensibilidade e a fogueira de vaidades do sistema político civil aumenta a quantidade de grupos que clamam por uma intervenção militar “constitucional” e torna cada vez mais difícil a posição daqueles que acham que essa não seja a melhor solução.

Senhores responsáveis pela condução da vida política deste País: os senhores estão ignorando os repetidos avisos que a sociedade brasileira lhes está enviando, até agora pacificamente, em português claro e olhando-os nos olhos. Cuidado! Quem se propõe voluntariamente a esquecer a história se arrisca a ser devorado por ela. O povo tem hoje pouco pão e terá cada vez menos nos dias sofridos que se aproximam. Não o mandem comer bolos!

A Bastilha é frágil. Basta um rastilho de pólvora aceso para derrubá-la. A pólvora já está se acumulando na base de suas muralhas. Não são poucos aqueles cheios de intenções de acendê-la. Só falta a oportunidade adequada.

Não a forneçam!

Fonte:
Acesso em: 26/05/2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

E DEPOIS DA PÁSCOA?



Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia. Mateus 28. 6

Ontem comemoramos a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. O dia da sua ressurreição. É o dia mais importante do cristianismo, mais do que o Natal que em nossa cultura é o mais evidenciado.
A Páscoa cristã está ligada à Páscoa judaica pela data e também por muitos dos seus simbolismos centrais. Elas têm um núcleo comum. Elas revivenciam fatos históricos importantes. A passagem do Mar Vermelho, da saída do Egito e a fundação de um povo livre do jugo da escravidão X a passagem de Jesus Cristo pela morte que, ressuscitado, Cristo funda um povo livre do pecado e da morte. Deus é o nosso libertador (Exôdo 18. 8-11).
O significado "Páscoa" vem do latim Pascha e do grego bíblico Πάσχα Paskha, do hebraico פֶּסַח (Pesaḥ ou Pesach), a Páscoa judaica.
A Quaresma, quarenta dias após a quarta-feira de cinzas, tem a sua última semana na Semana Santa, que contém o chamado Tríduo Pascal, incluindo a Quinta-Feira Santa, que comemora a Última Ceia e a cerimônia do Lava pés que a precedeu e também a Sexta-Feira Santa, que relembra a crucificação e morte de Jesus. No sábado, é o dia da espera. Os cristãos junto ao sepulcro de Jesus aguardam sua ressurreição em vigília. A mãe de todas as vigílias, como disse Santo Agostinho. A Páscoa é seguida por um período de cinquenta dias chamado Época da Páscoa que se estende até o Domingo de Pentecostes.
Bem, a Páscoa não terminou. Jesus Cristo se faz presente, agora, diferente do que antes da ressurreição. O Evangelho de João, Jesus revela a nova maneira de ser cristão e de viver como discípulo. Um dos grandes exemplos registrados é a Profissão de Fé de Tomé (João 20. 24-29).
Concluindo, a ressurreição não encerra a história da Igreja. A comunidade dos Discípulos prossegue com a missão de Jesus e nós, também seus seguidores, devemos dar continuidade a Missão (Mateus 28. 19).

Diác. Nelson de Paula Pereira

Presidente da Junta Diaconal
Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro
nelsondepaula@catedralrio.org.br

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O PERDÃO


O CADERNO
Pe. Fábio de Melo

Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno, eu me recordo do meu.
Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que a experiência dos erros
Ela é tão importante quanto às experiências dos acertos
Porque vistos de um jeito certo, os erros,
Eles nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras
Porque não há aprendizado na vida que não passe pelas experiências dos erros.

O caderno é uma metáfora da vida,
Quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo,
Que a nossa professora nos sugeria que a gente virasse a página.
Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços.

Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles,
A gente seguia um pouco mais crescido.

O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos.
Erros podem ser fontes de virtudes!
Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar à serviço do aprendizado;
Ele não tem que ser fonte de culpas e vergonhas.
Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande
sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida.

Uma coisa é a gente se arrepender do que fez! Outra coisa é a gente se sentir culpado.
Culpas nos paralisam. Arrependimentos não!
Eles nos lançam pra frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos.

Deus é semelhante ao caderno.
Ele nos permite os erros pra que a gente aprenda a fazer do jeito certo.

Você tem errado muito?
Não importa, aceite de Deus essa nova página de vida que tem nome de hoje!
Recorde-se das lições do seu primeiro caderno.
Quando os erros são demais, vire a página!

Essa reflexão do Pe. Fábio de Melo é impressionante. Uma verdade. Quando somos crianças os erros não tinham aquele peso de culpa de quando somos adultos. Errar é humano. Não somos Deus. Ele, o Pai, nos perdoa sempre, seja qual for a situação. O Papa Francisco disse certa feita que “Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão”.
O homem, entretanto, não perdoa! O perdão é uma dádiva, uma virtude que poucos possuem. Muito perdoam por perdoar. Perdoam mas não esquecem. Isso é perdoar? O significado etimológico da palavra perdão vem do Latim perdonare, de per-, “total, completo”, mais donare, “dar, entregar, doar”. É deixar ir a mágoa. É o que o Apóstolo Paulo disse em sua carta aos Colosensses 3, 13: “Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros”.
            O poema do Pe. Fabio de Melo continua dizendo que: “Uma coisa é a gente se arrepender do que fez! Outra coisa é a gente se sentir culpado. / Culpas nos paralisam. Arrependimentos não!” E como lidar com isso? Como identificar culpa X arrependimento? Culpa vem do Latim “culpa”, “negligência, descuido, dano, crime”. Conduta negligente ou imprudente, sem propósito de lesar, mas da qual proveio dano ou ofensa a outrem. Arrependimento vem do Latim re-, intensificativo, mais poenitere,“sentir contrição ou mágoa por uma má ação”. É o ato ou efeito de arrepender-se (sentir mágoa ou pesar por faltas e erros cometidos). Mudar de atitude, de procedimento, de parecer, voltar atrás em relação ao compromisso assumido.
            Fica claro que o sentimento de “culpa” é inevitável, mas a postura de “arrepender-se” muda tudo. O poema deixa isso bem claro quando diz: “Eles nos lançam pra frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos.”
            Mas sentir-se culpado, reconhecer o erros, por conseguinte arrepender-se, não são provas de que alguém vá liberar o perdão e continuar a amizade, o relacionamento ou a relação de confiança entre dois seres. Tal atitude só acontece com nós, seres humanos. Os animais não agem assim.

            Diante de uma situação em que o perdão não é “liberado”, que o sentido real do perdão deixado por Jesus, conforme registra Mateus 5, 39-45, de oferecer a outra face ou ainda o que registra Mateus 18, 21-22 de perdoar o quanto for preciso. Se o outro não libera o perdão, lembre-se que se Deus não te acusa ninguém mais tem o direito. O Pe. Fábio de Melo canta uma música (de autoria de Ziza Fernandes) que diz: “Eu sei não é fácil falar de perdão/O ódio atrapalha e escurece a razão. (...) Não foi tua culpa liberta-te desse peso/Não te tortures pensando que mal tens feito/Se Deus não te acusa ninguém mais tem o direito/Tens mais uma chance de ser feliz/Ainda pode dizer ao amor/Que sim ...”. Segue adiante, sem olhar atrás. Vive cada dia e nada mais. Deixe nas mãos de Deus e tente dar tempo ao tempo.

Nelson de Paula Pereira
nelsondepaula@yahoo.com.br

terça-feira, 7 de abril de 2015

DITADURA


DITADURA
Algumas definições, conceitos e exemplos

Para nós brasileiros quando ouvimos a palavra “DITADURA” logo nos vem a mente, pelo menos para alguns, o período político iniciado em 1964, que nesse ano registra-se 51 anos da chamada “Ditadura Militar” no Brasil.
Esse período também é caracterizado por alguns como “Revolução”, “Contrarrevolução”, “Golpe”, etc.
Em fim, não queremos nos prender a essa tema, mas sim no significado da palavra “DITADURA”, porém, vamos fazer breves registros do que foi esse período iniciado em 1964 no Brasil e que tecnicamente, se é assim que podemos definir, “terminou” oficialmente com a promulgação da Constituição Brasileira de 1988.
Alguns militares chamam esse período de "Revolução de 1964" ou "Contrarrevolução de 1964"[1].
Já a historiografia brasileira recente defende a ideia de que o golpe, assim como a ditadura que se seguiu, não deve ser considerado como exclusivamente militar, sendo, em realidade, civil-militar.[2]
Segundo historiadores, houve apoio ao golpe por parte de segmentos importantes da sociedade: os grandes proprietários rurais, a burguesia industrial paulista, uma grande parte das classes médias urbanas (que na época girava em torno de 35% da população total do país) e o setor conservador e anticomunista da Igreja Católica (na época majoritário dentro da Igreja) que promoveu a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, realizada poucos dias antes do golpe, em 19 de março de 1964.[3]
Seja como for, a Ditadura é sempre traumática. Esse regime não foi exclusividade no Brasil, mas em muitos outros países. Exemplos:

Na Europa

Portugal: o Golpe de 28 de Maio de 1926 gerou uma ditadura que só seria eliminada em 1933 com a criação da Segunda República Portuguesa ou Estado novo, criado por Salazar, resultando numa república autoritária que viria a ser derrubada num golpe militar na Revolução de 25 de Abril em 1974.
 Itália, sob o fascismo (1922–1943);
 Alemanha, sob o nazismo (1933–1945);
Alemanha Oriental, sob o comunismo (1949–1990);
 Espanha, entre 1923 e 1930 e de 1939 a 1975;
França, do Marechal Pétain (1940–1944);
Albânia, de Enver Hoxha;
 Roménia: a de Gheorghe Gheorghiu-Dej e, mais tarde, a de Nicolae Ceauşescu;
 Bulgária: a de Georgi Dimitrov e, mais tarde, a de Todor Jivkov;
 Grécia, de Ioánnis Metaxás (1936–1941), e mais tarde, sob a ditadura dos coronéis (1967–1974);
Iugoslávia: a de Josip Broz Tito e, mais tarde, a de Slobodan Milošević.
União Soviética: a de Vladimir Lenin, e mais tarde, Josef Stalin, Nikita Khrushchov, Leonid Brejnev e Mikhail Gorbachev (1917–1991).

Na Ásia

 Irão: a ditadura de Mohamed Reza Pahlevi, derrubada em 1979 por uma revolução fundamentalista muçulmana que introduziu um outro tipo de ditadura, a teocrática;
 Cazaquistão, a do Nursultan Nazarbayev;
Uzbequistão, a do Islam Karimov;
Turquemenistão: a do Gurbanguly Berdimuhammedow;
Indonésia, a do general Sukarno, seguida pela do general Suharto;
Filipinas, a de Ferdinand Marcos, obrigado a abandonar o país em 1986
Camboja: ditadura militar do general Lon Nol, sucedida pelo governo do Khmer Vermelho sob o comando de Pol Pot.
 Iraque, durante o governo de Saddam Hussein.
Coreia do Norte, ditadura totalitária stalinista controlada atualmente por Kim Jong-un, após a morte de seu pai Kim Jong-il.
 China, ditadura totalitária stalinista controlada por Mao Tsé-Tung.

Na África

 Moçambique
Angola
Uganda: a ditadura do general Idi Amin
Sudão
Tunísia: a de Habib Bourguiba, seguida pela de Zine El Abidine Ben Ali
Egito: durante o governo de Hosni Mubarak
Líbia: durante o governo de Muammar al-Gaddafi
 Zimbabwe
Gabão
Argélia
Guiné Equatorial
Burkina Faso
Eritreia: Ditadura unipartidária governada desde 1993 por Isaias Afewerki e pela Frente Popular por Democracia e Justiça (FPDJ).

Na América Latina

Como decorrência da guerra fria, surgiram diversas ditaduras na América Latina. Grande número delas foi formado por golpe militar.

Argentina; ditadura militar argentina (1976-1983)
Brasil; Governo de Floriano Peixoto (1891 - 1894), o Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945) e Ditadura Militar (1964-1985)
Bolívia; ditadura militar boliviana (1972-1982)
 Chile; do ditador Augusto Pinochet (1973-1990)
Cuba; por Fulgêncio Batista, Fidel Castro (1959-2008) e o Raul Castro (2008-...).
Equador; (1972-1979)
Haiti; do ditador Papa Doc e seu filho Baby Doc (1971-1987)
Nicarágua; ditadura de Somoza (1936-1978)
Paraguai; ditador Stroessner (1954-1989)
Peru; golpe em (1968-1975)
República Dominicana; com o regime de Trujillo (1924-1961)
Uruguai; ditadura civil-militar no Uruguai (1973-1985)
Suriname; ditadura militar de (1980-1991)
Venezuela; ditadura da Venezuela (1953-1958)
Colômbia; golpe de Gustavo Rojas (1953-1957)

Outro ponto a ser destacado que “DITADURA” não é “sinônimo” de “militar”. Algumas ditaduras foram e são lideradas por civis, como a denominada por Karl Marx e Friedrich Engels, a chamada “Ditadura do proletariado”, expressa no “Manifesto do Partido Comunista”. Há ainda outras ditaduras: a Ditadura Militar, já aqui exemplificada; a Ditadura do proletariado: refere-se a condição no qual o proletariado, ou a classe trabalhadora, tem controle do poder político; Ascensão das ditaduras nas regiões da Europa, que com a crise da bolsa de 29, houve uma perda de confiança no modelo liberal de governo. Com isso, ganharam força os movimentos fascistas, e emergiram ditadores em diversos países da Europa, como Mussolini, na Itália; Franco, na Espanha; Hitler, na Alemanha; Ditaduras resultantes da guerra: Salazar em Portugal, Francisco Franco na Espanha, Tito na Jugoslávia, Wilhelm Pieck na Alemanha Oriental; Socialismo e Liberalismo: Existe uma guerra ideológica nesse aspecto envolvendo a esquerda política, quanto a classificação de ditaduras em seus atos. Violações a direitos humanos em Cuba não resulta em comentários e protestos pela esquerda, ao contrário quando a situação se dá em país governado pela "direita" como, por exemplo, Honduras, pode-se afirmar que os liberais fazem o mesmo negando ditaduras de direita e acusando as de esquerda. A Ditadura Militar no Brasil configura outro exemplo de confronto ideológico, onde a esquerda diz que houve ditadura enquanto a direita afirma ter sido necessário a intervenção para evitar uma ditadura comunista no país. O fato é que existem vários conjuntos de ideologias que se configuram em aspectos às vezes pessoais outras vezes coletivas. As ditaduras expõem-se, muitas vezes, por acusações de um lado contra o outro em detrimento da posição do grupo opositor.
Até aqui falamos de ditaduras da Idade Contemporânea (para alguns, iniciada com a Revolução Francesa em 1789), entretanto na Idade Antiga (ou Antiguidade, período que se estende desde a invenção da escrita de 4 000 a.C. a 3 500 a.C. até a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. São exemplos de Ditaduras na Antiguidade, a Ditadura Romana. Diante de situações de emergência os Cônsules designavam um DITADOR para assumir o poder até que a situação se normalizasse.
Para outros pensadores como Aristóteles e Platão, a ditadura conceituada como: marca da tirania, a ilegalidade, ou seja, "a violação das leis e regras pré-estipuladas pela quebra da legitimidade do poder; uma vez no comando, o tirano revoga a legislação em vigor, sobrepondo-a com regras estabelecidas de acordo com as conveniências para a perpetuação deste poder". Exemplo disso são as descrições de tiranias na Sicília e Grécia antiga, cujas características assemelham-se das ações tomadas pelas modernas ditaduras. Os tiranos são ditadores que ganham o controle social e político despótico pelo uso da força e da fraude. A intimidação, o terror e o desrespeito às liberdades civis estão entre os métodos usados para conquistar e manter o poder. A sucessão nesse estado de ilegalidade é sempre difícil. Maquiavel também chegou à mesma conclusão sobre as tiranias e seu colapso, quando das sucessões dos tiranos, pois "este (a tirania) é o regime que tem menor duração, e de todos, é o que tem o pior final", e, segundo as palavras deste, a queda das tiranias se deve às desventuras imprevisíveis da sorte.

Significado da Palavra Ditadura

Do latim dictatura. Forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo, dum grupo, duma assembleia, dum partido ou duma classe. É qualquer regime de governo que cerceia ou suprime as liberdades individuais. Excesso de autoridade; despotismo, tirania.

Sinônimos de Ditadura

Ditadura Sinônimos: autocracia absolutismo çaautarquia despotismo ditadura arbitrariedade autoritarismo opressão prepotência tirania dominação.
Prepotência Sinônimos: sinônimos absolutismo autocracia despotismo prepotência autoritarismo arbitrariedade ditadura opressão tirania afogo algema angústia ânsia aperreação aperto canga carregamento confrangimento garra jugo peso sufocação vexação vexame violência dominação.
Despótico Sinônimos: ditadura tirania tirano arbitrário déspota despótico despotismo absoluto incontestável integral radical único caprichoso discricionário dispensável facultativo opinativo voluntarioso autoritário arrogante dogmático dominador imperativo mandão violento draconiano rígido rigoroso severíssimo ferrenho duro estuprado obstinado pertinaz ríspido tenaz prepotente influente opressor poderoso tirânico tirânico cruel opressivo /opressor bárbaro mau verdugo imperioso.

O estabelecimento de uma Ditadura

O regime ditatorial moderno quase sempre resulta de convulsões sociais profundas, geralmente provocadas por revoluções ou guerras. Também houve muitos regimes ditatoriais que decorreram das disputas políticas com a Guerra Fria. Nem sempre as ditaduras se dão por golpe militar: podem surgir por Golpe de Estado civil ou a partir de um grupo de governantes democraticamente eleitos que usam a lei para preservar o poder, como aconteceu, por exemplo, na ditadura imposta por Adolf Hitler na Alemanha nazista. O golpe se desencadeou a partir das próprias estruturas de governo, com o estabelecimento de um estado de exceção e posteriormente, a supressão dos outros partidos e da normalidade democrática.

A institucionalização do poder

Algumas ditaduras se apoiam em teorias mais elaboradas, utilizando de legislação imposta, muitas vezes admitindo uma democracia com partidos políticos, inclusive com eleições e algumas vezes até permitindo uma certa oposição, desde que controlada. Os dispositivos legais passam a ser institucionalizados e o são de tal forma funcionais, que sempre ganhará o partido daqueles que convocaram.

Métodos de manutenção do poder

As ditaduras ou se utilizam de força bruta para manterem-se no poder, sendo esta aplicada de forma sistemática e constante ou por meio da propaganda institucional, propaganda política constante e de saturação, de forma a cultuar a personalidade do líder, ou líderes, ou mesmo o país, para manter o apoio da opinião pública. Uma das formas mais eficientes de se impor à população um determinado sistema é a propaganda subliminar, onde as defesas mentais não estão em guarda contra a informação que está a se introduzir no inconsciente coletivo. Esta se faz por saturação em todos os meios de comunicação. A censura também tem um papel muito importante, pois não deixa chegar as informações relevantes à opinião pública que está a ser manipulada. Desta forma, ficam atados os dois extremos: primeiro satura-se o ambiente com propaganda a favor do regime, depois são censuradas todas as notícias ruins que possam vir a alterar o estado mental favorável ao sistema imposto.




[1] A Revolução de 31 de março de 1964 (Uma análise sumária de suas causas). Por Manoel Soriano Neto. In Revista do Clube da Aeronáutica n° 260, p. 18.
ARRUDA, Roldão. (10 de março de 2013). "Após polêmica, obra é entregue sem alarde". O Estado de S. Paulo (43 608): A10. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931. Visitado em 10/3/2013.
[2] Daniel Aarão Reis: As conexões civis da ditadura brasileira. Entrevista com Daniel Aarão Reis Filho. Por Leonardo Cazes. O Globo, 15 de fevereiro de 2014.
Vídeo: Brasilianas especial com Daniel Aarão - 50 anos do Golpe Militar. Historiador e ex-militante da luta armada defende mudanças no termo "ditadura militar". 7 de abril de 2014
Euler de França Belém. Historiador diz que ditadura foi civil e militar Jornal Opção. Visitado em 22/06/2012.
BORTONE, Elaine de Almeida. O envolvimento do IPES nas relações entre o regime civil-militar e a sociedade Encontro de História Oral 2012.
[3] O elo da Fiesp com o porão da ditadura. Por José Casado e Chico Otávio. O Globo, 9 de março de 2013.
Tatiana Merlino: Fiesp e Itaú apoiaram a ditadura. A participação de civis, em especial os empresários brasileiros, no golpe militar de 1964 e o apoio financeiro dado durante a ditadura tem sido tratada pelas Comissões da Verdade. A Comissão da Verdade de SP realizou audiências apresentando as relações da Fiesp com a ditadura e mostrando como o empresariado nacional se beneficiou do regime. Por Viomundo, 9 de abril de 2014.
O Estado de Exceção História da OAB. Visitado em 22/06/2012.
Golpe de 1964 só deu certo porque militares tiveram apoio da sociedade civil. Historiadores afafirmam que Jango sofria uma campanha massiva de desestabilização anos antes do golpe com apoio de empresários, imprensa, setores da Igreja e o governo dos EUA.Por Natália Peixoto. iG, 29 de março de 2014.