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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

DIA DO PASTOR PRESBITERIANO - 17 DE DEZEMBRO

 (Rev. José Manoel da Conceição - 1822-1873)

A Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB comemora o Dia do Pastor no dia 17 de dezembro, em virtude de ser essa data o dia em que foi ordenado o Primeiro Pastor Presbiteriano Brasileiro, o Rev. José Manoel da Conceição (1822-1873).
Em homenagem a esse grande Ministro Presbiteriano segue uma pequena síntese biográfica do Rev. José Manoel da Conceição.

Sobre o ministério do Rev. José Manoel da Conceição, diz o Historiador, Rev. Vicente do Rego Themudo Lessa:

“São raios de luz apenas sobre tão distinta personalidade, em todos os tempos uma forte inspiração para os que tem em vista o ministério sagrado.”[1]

Assim que J. M. da Conceição, resignadamente, afastou-se do encargo de sua paróquia em Brotas, em 28 de setembro de 1864, partiu ao encontro dos Missionários Rev. A. G. Simonton e Rev. A. L. Blackford, na Corte.
            José Manoel da conceição nasceu em 11 de março de 1822, em São Paulo. Filho do português Manoel da Costa Santos e da fluminense Candida Flora de Mascarenhas. Aos dois anos de idade foi residir junto com os pais em Sorocaba, São Paulo.[2]
            Sua educação e influência foram dadas por seu tio-avô, o Padre José Francisco de Mendonça, seu padrinho de batismo – que ocorreu em 24 de março de 1822 na Sé de São Paulo.[3] Com a morte da mãe, quando ele ainda era pequeno, o pai casou-se novamente com Maria do Amaral de quem lhe nasceram três meninos e uma menina.[4]
Aos doze anos passou a frequentar a Classe do Padre Jacinto Heliodoro de Vasconcelos. Nessa “escola” aprendeu as primeiras letras: aritmética, geometria, gramática, história sagrada e catecismo. Depois estudou latim com o Padre José Gonçalves, tudo em Sorocaba. E aos 18 anos inicia a leitura da Bíblia.
Decidido ser Padre, ao fim dos estudos do latim, foi para São Paulo para se preparar no Curso Anexo da Academia Jurídica, pois não havia seminário. As aulas de Teologia eram ministradas por Professores na própria residência dos Mestres e depois na Sé.
            O primeiro contato que ele teve com os protestantes foi quando percebeu que os imigrantes de Sorocaba (ingleses e alemães) liam a Bíblia e outros livros relacionados a ela. Pensou então:

“Quem sabe se os estrangeiros tem tanta religião como nós brasileiros? Queria saber se a religião deles é a mesma que a nossa religião. Ah! Quem sabe se eles são mais religiosos do que nós, visto que são também mais civilizados do que nós.”[5]

Ele tinha 20 anos quando isso aconteceu. Essa impressão ele teve quando frequentava a Fábrica de Ferro do Ipanema, em Sorocaba, quando ia visitar ali a família Godwin e via aos domingos a devoção dessa família e muitos outras.
            Em 30 de abril de 1842 foi tonsurado[6] e recebeu as ordens menores da Igreja Católica e a de subdiácono.
            O contexto político nessa época estava bem aquecido pela Revolução Liberal, ele e o tio-avô apoiaram essa revolução o que retardou a sua ordenação.
            Sobre a Revolução Liberal, diz Fernando Kitzinger Dannemann:

“A revolução liberal de 1842, ela aconteceu quando o imperador D. Pedro II dissolveu a Assembleia Geral que ainda se encontrava trabalhando em suas sessões preparatórias, alegando que as irregularidades e fraudes cometidas no processo de eleição é que haviam determinado a vitória dos liberais. Estes não se conformaram com a decisão imperial e iniciaram, então, nas províncias de São Paulo e Minas Gerais, a uma série de pronunciamentos indignados contra a dissolução efetivada. Logo em seguida uma delegação do Partido Liberal saiu de São Paulo com destino ao Rio de Janeiro, pensando em encontrar-se com o imperador para discutir a questão, mas não foi recebida por ele. A recusa provocou o surgimento de um movimento rebelde na cidade paulista de Sorocaba - cuja câmara aprovou por aclamação o nome do brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar como presidente da província -, agitação que se estendeu às cidades de Taubaté, Pindamonhangaba, Silveiras e Lorena. Uma coluna formada por 1.500 homens – a Coluna Libertadora - marchou então sobre a capital paulistana, mas foi enfrentada por tropas legais comandadas por Caxias. No combate que aconteceu em Vargem Grande, hoje Vargem Grande do Sul, os revolucionários não tiveram melhor alternativa senão recuar e retornar a Sorocaba, onde acabaram se dispersando. Com o fracasso do movimento o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar fugiu para o sul do país, enquanto em Sorocaba o padre Feijó, que estava comprometido com os rebeldes, foi preso e exilado para o Espírito Santo.”[7]

Jose Manoel da Conceição e seu tio-avô foram intimados a depor no inquérito que se formou contra o Regente Feijó. Mas em nada foram prejudicados.[8]
O Padre J. M. da Conceição foi ordenado Diácono em 29 de setembro de 1844, com 22 anos de idade e depois ordenado Presbítero em 29 de junho de 1845, aos 23 anos de idade. Foi Pároco em Água Choca (Monte Mor), Piracicaba, Santa Bárbara, Taubaté, Sorocaba, Limeira, Ubatuba e por último Brotas, todas as cidades da província paulista. Em todos esses lugares ele sempre foi estimado. Vivia sendo transferido de uma paróquia para outra, pelo Bispo Dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, pois sua postura de sacerdote católico era mais semelhante a de um Ministro protestante. E como era estimado pelo Bispo, este o transferia constantemente para não prejudicar Conceição.
            Como era muito amigo dos protestantes era chamado Bispo da região de o “Padre Protestante”.
            Em 05 de setembro de 1852, morreu seu pai, Manoel da Costa Santos. Teve o Padre J. M. da Conceição que cuidar dos 4 irmãos, filhos do segundo casamento de seu pai e que provavelmente a mãe dessas crianças havia morrido. Os que ficaram mais próximos dele foram Gertrudes de Amaral Cerqueira Leite (apelidada de Tudica) – que mais tarde se casaria com José Rufino de Cerqueira Leite – e Venceslau da Costa Santos, Presbítero e casado com Adelaide, filha de Remígio de Cerqueira Leite, irmãos de Antônio Pedro de Cerqueira Leite.
            Quanto mais ele lia, estudava e mantinha contato com os protestantes, novas conclusões ele foi tendo a respeito da vida cristã.
            A partir daí o coração do Padre J. M. da Conceição já estava inclinado à fé reformada. Ele mesmo aponta os Reverendos A. G. Simonton, e A. L. Blackford e a esposa deste, Elizabeth, como o: “... objeto da minha gratidão, são inseparáveis da minha conversão e entrada na família cristã...” e ainda. “... eis os dignos instrumentos de que quis Deus servir-se para me fazer cristão” [9].
            Ele estava convencido que o evangelho romano não era o evangelho de Jesus Cristo.
            Já envolvido pelo evangelho marcou uma reunião com Dom Sebastião Pinto do Rego, Bispo Diocesano e assim renunciou o encargo da Paróquia de Brotas. Em seguida foi encontrar-se com os amigos protestantes os pastores Rev. A. G. Simonton e o Rev. A. L. Blackford e não tardou para que, em 23 de outubro de 1864, fizesse a sua pública profissão de fé e fosse batizado[10] pelas mãos do Rev. A. L. Blackford, na Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.
            A mensagem de salvação ardeu em seu coração e passou, não só a ser membro da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, mas fez uso dos seus dons e talentos para atuar na redação do jornal Imprensa Evangélica.
            Entretanto suas aspirações eram mais elevadas. Era seu intento anunciar o evangelho de Cristo, como verdadeiro ministro de Deus que era.
            Logo após a organização do primeiro Presbitério, em 16 de dezembro de 1865, o Presbitério do Rio de Janeiro, o ex-Padre, depois de um exame referente aos conhecimentos bíblicos, foi ordenado o primeiro Ministro Presbiteriano Brasileiro, em 17 de dezembro de 1865, pela imposição das mãos dos ministros do Presbitério, Rev. A. G. Simonton, Rev. A. L. Blackford e Rev. F. J. C. Schneider. Os três após a oração de ordenação disseram: “Dou-vos a mão direita em sinal de que acabais de ser admitido a tomar parte conosco neste ministério” [11]. Tinha ele 44 anos de idade.
            As tentativas de retorno do ex-Padre para o seio da Igreja Católica Apostólica Romana, pelos seus amigos, foram incansáveis. Mas eles não lograram êxito nessa investida. Sua sentença de excomunhão e desautorização foi publicada no Correio Paulistano, em 23 de abril de 1867.
            Cumpridas as formalidades da Igreja Católica, as perseguições logo se iniciaram. Em maio de 1867, o Rev. J. M. da Conceição publicava: “Sentença de excomunhão e resposta”.[12] Um documento de 32 páginas. Publicou em três capítulos: “A minha defesa”, “A fé primitiva exposta” e “O que devia fazer”.
            Seu ministério não foi longo, 8 anos apenas, mas os frutos do seu trabalho duram até os dias de hoje. Cabe aqui esse destaque sobre esse grande homem de Deus, que foi o Rev. José Manoel da Conceição.
            O primeiro biógrafo do ex-Padre foi o Coronel Augusto Fausto de Souza, que publicou nos meses de janeiro e fevereiro de 1884 nos suplementos do jornal Imprensa Evangélica sob o título “O Reverendo Evangélico José Manoel da Conceição”[13] a história desse ministro de Deus. Depois seria vez do Historiador Rev. Vicente do Rego Themudo Lessa[14] e do Rev. Boanerges Ribeiro[15] e alguns outros que fizeram menção ao seu ministério em publicações e artigos em jornais.
            Diz o Coronel Fausto:

“Dispondo dos mais brilhantes dotes para preenchera sua sagrada missão: presença nobre e atraente, voz harmoniosa, acionado correto e em perfeita relação com o discurso, e eloquência arrebatadora, o rev. Conceição percorreu as três províncias (Rio, S. Paulo e Minas), de uma a outra extremidade, reunindo, como os apóstolos, ao poder da palavra, os exemplos de mansidão, amor ao trabalho, zelo ardente pela fé, pureza em todas as ações, afabilidade para com todos, e extraordinária resignação nos lances dolorosos que o afligiam no corpo e no espírito. Chegando a um sitio, se resolvia a ter aí alguma permanência, procurava alguma choça ou algum telheiro que lhe servisse de abrigo, às vezes mesmo edificado por suas mãos e coberto de ramos; se, porém, sua demora era passageira, ele pedia hospedagem em qualquer casa, preferindo as de modesta aparência; e, antes de sair dela, procurava dar um sinal do seu reconhecimento, servindo de enfermeiro a algum doente, consolando tristezas ou mesmo prestando serviços humildes, como varrer, lavar, etc.”[16]

Esse fato narrado pelo Coronel Fausto é apenas um dos muitos que ele registrou. As roupas que ganhava, as distribuía a uma pessoa mais necessitada do que ele.
            Seus relatórios pastorais ao Presbitério do Rio de Janeiro atestam o seu espírito missionário e desbravador. Em seu primeiro relatório ele registra que saiu de São Paulo no dia 23 de fevereiro de 1866 e iniciou a evangelização, visitando casa por casa, passando por Cotia, Una, Piedade, Sorocaba, São Roque, Porto Feliz, Piracicaba, Capivari, Rio Claro, Brotas, Limeira, Campinas, Belém de Jundiaí (Itatiba), Bragança, Atibaia, Juqueri, São Paulo, Penha, São Miguel, Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Pindamonhangaba, Aparecida, Guaratinguetá, Lorena, Queluz, todas essas Cidades na Província de São Paulo; continuou sua missão, já na Província do Rio de Janeiro foi para Resende, Barra Mansa e Piraí, onde embarcou na Estrada de Ferro rumo a Corte, chegando em 29 de junho de 1866.[17] Muitos lugares ele não deve ter registrado, mas é possível que outros lugares receberam a sua visita. Em julho de 1866 ele apresentava o seu primeiro relatório ao Presbitério do Rio de Janeiro.
Essas viagens ele fazia a pé. Isso mesmo. Sem levar nenhum recurso. Apenas uma mala e uma Bíblia.
Em Julho de 1867, continuou na sua missão, mas a saúde já não lhe era muito boa.
            Nova investida ele fez, saindo do Rio de Janeiro foi para São Paulo, Sorocaba, Itú, São Roque, Porto Feliz, Piracicaba, Limeira, Rio Claro, Campinas, Amparo, Bragança, Cotia, Uma, Piedade, Capivari, Atibaia, São Miguel, São José, Santa Isabel, Santo Antônio da Cachoeira (Piracicaba), Nazaré, Belém de Jundiaí (Itatiba), Santo Amaro, Itapecerica, Pindamonhangaba, Itaquerí, Brotas e Jaú. E continuou dessa vez indo para a Província de Minas Gerais. Primeiro em Borda da Mata, em março de 1867, Pouso Alegre, Santana do Sapucaí e Ouro Fino e outros que o seu segundo relatório – do período de junho de 1866 a julho de 1867 - deixou de registrar, como ele mesmo registrou comunicando ao Presbitério. Nesse relatório ele registrou que seu estado de saúde não estava bom, e seu trabalho talvez não tivesse a mesma intensidade quando de antes, mas que faria tudo o que Deus permitisse.
            No mês de julho de 1867, na Corte, esteve pregando em Copacabana, São Cristóvão, Cascadura, Maxambomba (Nova Iguaçu), Macacos e Serra, bairros junto às estações de trem da Estrada de Ferro Dom Pedro II - somente em 1861 é que são inaugurados os serviços regulares de transporte de passageiros. O nome das estações se dava em virtude da própria construção e os nomes dos bairros.[18]
            O jovem Antonio Pedro de Cerqueira Leite, em viagem a região norte de São Paulo registrou:

“O nome do padre José Manoel esta espalhado pelo universo, não há um lugar onde se passe, que não falem em seu nome”.[19]

Essas são as verdadeiras marcas de Cristo deixadas por aqueles que cumprem o IDE de Jesus e levam o evangelho das boas novas.
            Adoentado, precisando de tratamento adequado, foi para os EUA, embarcando no Rio de Janeiro em 03 de agosto de 1867 e aportando em Nova York, em 12 de setembro de 1867.
            Ao chegar, apresentou-se ao Rev. David Irving (Secretário da Junta de Missões) e encontrou-se com o Rev. G. W. Chamberlain – que nessa ocasião encontrava-se nos EUA angariando recursos para construção do Templo da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.
            Nos EUA visitou as Igrejas Presbiterianas Portuguesas de Springfield e Jacksonville, em Illinois. Visitou, também, dois irmãos do Rev. A. G. Simonton.
            Seu espírito evangelizador o levou a pregar nas duas Igrejas citadas acima. Aproveitou para conhecer as cidades de Chicago, Syracusa e Nova York. Depois retornou ao Brasil, embarcando em 23 de junho de 1868 e chegando ao Rio de Janeiro em 20 de julho de 1868. Nos EUA nem se preocupou em tratar da saúde, queria pregar o evangelho e trabalhar na causa de Cristo, ocasião em que colaborou na revisão de uma tradução do Novo Testamento, que a Sociedade Bíblica Americana estava realizando a partir do grego e do siríaco. E também, na tradução de folhetos e artigos para a Sociedade Americana de Tratados.
Em 01 de agosto desse mesmo ano foi para São Paulo acompanhado dos pastores Rev. A. L. Blackford e o Rev. F. J. C. Schneider e de lá visitou Cotia, São Roque, Sorocaba, Campo Largo, Alambari e Itapetininga, retornando para São Paulo e daí para o Rio de Janeiro, mas dessa vez de navio e em companhia do Rev. G. W. Chamberlain. Visitaram Angra dos Reis e Parati e depois subiram a serra em direção a Cunha e de lá para Lorena, onde aconteceu um episódio que mais a frente registraremos.
            Sua vida foi um eterno evangelizar. Quem nos dias de hoje investiria nessa grande empreitada?
            Depois de Lorena retornou para São Paulo, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Tatuapé, Caçapava, São José, Jacareí, Freguesia da Escada, Santa Isabel, São Miguel, Arujá e São Paulo novamente. Nem chegou a descansar e retomar as forças, partiu para Atibaia, Bragança, Freguesia das Antas, São José dos Campos, Amparo e Socorro. O Rev. J. M. da Conceição era uma pessoa tão simpática e carismática e por onde passava fazia amigos e era admirado por estes, inclusive pelos Padres que muitas das vezes o hospedavam e liam o jornal Imprensa Evangélica, como foi o caso do Padre José, em Mogi Mirim e do Padre João Soares.
            No seu relatório, datado de 16 de agosto de 1869,[20] percebemos a alteração da sua caligrafia, tremula... mas demonstrando muito amor e dedicação por Cristo e pela evangelização. Esse foi o último relatório a ser apresentado por ele. Sua ênfase agora estava voltada para a consolidação dos trabalhos já existentes e não mais a de um “Bandeirante Presbiteriano”. Esse relatório é bem longo possui 07 paginas. No qual ele registra nomes de pessoas que os Pastores e Missionários deveriam procurar caso fossem visitar essas cidades. Também registra nomes de pessoas que desejavam ouvir mais do evangelho. Parece que esse relatório não foi recebido com muito interesse, como aponta o Historiador Rev. Alderi Souza de Matos.[21]
            Continuou na senda da evangelização... Sozinho... A estrutura eclesiástica e as formalidades não o atraiam. Queria evangelizar!
As perseguições aos protestantes eram certas, até as autoridades as chefiavam. O número de pregadores era pequeno. E com o Rev. J. M. da Conceição não foi diferente. Em Campanha, em 1880, foi apedrejado. Em outro lugar foi perseguido por um fazendeiro e seus escravos com chicotes, cassetetes e cães que o deixaram gravemente ferido lançado na estrada. Muitas das vezes a investida desses homens eram frustradas, como num caso em Pindamonhangaba que o malfeitor iria atacá-lo, mas a mensagem pregada foi mais forte e o homem não concretizou o seu intento, pelo contrário abrigou o Rev. J. M. da Conceição. Em Minas Gerais, outro caso, um homem de posse de um cassetete não o molestou, pois a Palavra de Deus o atingiu.[22]
Assim, eram tratados os protestantes no Brasil. Mas, mesmo com todos esses obstáculos, a Igreja Presbiteriana continuou sua missão.
O Rev. J. M. da Conceição era um homem culto, conhecedor de matemática, ciências físicas e naturais, bem versado na língua portuguesa, francês, latim alemão e inglês. A Casa Laemert editou uma tradução sua do alemão para o português: “História Sagrada”, em 1856.
Privado de recursos, pois não desejava possuí-los, seus amigos por diversas vezes insistiam em lhe prover recursos e quando os dava, ele investia para ganhar almas para Cristo. Ousamos dizer que foi um “São Francisco de Assis Protestante”. Tudo que fazia era por amor ao próximo.
Muito doente, pois constantemente tinha crises de depressão, era motivo de preocupação por parte de seus amigos, mas não esmoreceu. Era um homem abnegado.
Fez, ainda, algumas viagens: em 1870, esteve em São Paulo; em 1872 esteve no Rio de Janeiro, Queluz, Caldas, Campanha e outras cidades de Minas Gerais, esteve em Areias e Mambucaba; em 1873, voltou a Queluz, São Paulo, Rio de Janeiro, Piraí, Campo Belo e Caraguatatuba e outras cidades.
Quando o Presbitério do Rio de Janeiro se reuniu em agosto de 1873, foi decidido que o Rev. J. M. da Conceição deveria fixar residência no Rio de Janeiro para cuidar de sua saúde. Seu amigo, o Rev. A. L. Blackford preparou uma residência em Santa Teresa, Rio de Janeiro, uma casa aprazível e confortável para ele ficar quando retornasse.
Decidido, o Rev. J. M. da Conceição foi para a estação de trem... mas foi surpreendido... já era tarde da noite e a estação estava fechada. Maltrapilho... descalço... foi preso desumanamente. Três dias depois foi solto após escrever para um amigo do Rio de Janeiro. Não pode viajar. Estava sem recursos. Resolveu ir a pé. Doente... faminto... sem forças... não aguentou... desmaiou próximo a Estrada da Pavuna  (antiga Av. Automóvel Clube e atualmente Av. Pastor Martin Lutter King, onde corre a Linha 2 do Mêtro). Era dia 24 de dezembro de 1873. As autoridades passando e vendo aquele moribundo levaram-no para a Enfermaria do Quartel do Exército em Campinho. [23] O Diretor era o Coronel Augusto Fausto de Souza que prestou todo o cuidado necessário. O Rev. J. M. da Conceição bem fatigado só respondia por monossílabos e mexia com a cabeça. Depois passou a dizer que queria ficar a sós com Deus. Já era noite de Natal, 25 de dezembro de 1873. O Enfermeiro de plantão verificou o seu passamento. Dormiu no Senhor com 52 anos de idade incompletos.
O Coronel Fausto, nessa época Major, juntamente com o Subdelegado Honório Gurgel do Amaral – que foi Prefeito do Distrito Federal, Rio de Janeiro de 23 de maio de 1899 e 01 de fevereiro de 1900 - deram-lhe um sepultamento digno, mesmo que como indigente, pois até então não sabiam de quem se tratava. O corpo seria sepultado no Cemitério de Irajá, como o foi. No momento do sepultamento apareceu o irmão Candido Joaquim de Mesquita, membro da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro e que mais tarde seria ordenado Presbítero. Candido foi enviado pelo Rev. A. L. Blackford para encontrar o Rev. J. M. da Conceição. A Providência possibilitou esse encontro. Foi o único representante da Igreja Presbiteriana no ato fúnebre.
Quando se tornou sabido de quem se tratava, a Igreja Católica Romana na pessoa do Bispo Dom Pedro Maria de Lacerda enfureceu-se, pois os Cemitérios, apesar de serem públicos eram administrados pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e benzidos pela Igreja Católica e só poderiam ser sepultados católicos em plena comunhão. Os responsáveis pelo sepultamento foram ameaçados de excomunhão. Passados nem os cinco anos previstos para a exumação, em três anos o corpo do Rev. J. M. da Conceição foi exumado e os ossos encaminhados a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.
A vida do Rev. J. M. da Conceição foi um eterno servir. Compôs ainda alguns hinos que constam nos hinários Cânticos Sagrados e Salmos e Hinos: “Oh! Se me fora possível”, “Amar-te, Jesus e crer-te”, “Escreve tu com própria mão” e “Dou de mão á vaidade”. Escreveu um texto: “O Brasil necessita da pregação do evangelho?” [24] e “As exéquias de Abraão Lincoln, presidente dos Estados Unidos, 1865”. Deixou muitos artigos, cartas e sermões que foram publicados.
Seu nome nunca foi esquecido pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Em 1928 foi criado o Instituto José Manoel da Conceição, pelo Rev. William Alfred Waddell, em Jandira, São Paulo, hoje funcionando no Seminário Presbiteriano em Campo Belo, São Paulo. Também foi homenageado com o nome de uma avenida e um busto, onde está localizada a Igreja Presbiteriana de Votorantim, São Paulo.

Diác. Nelson de Paula Pereira
Diretor do Museu da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro
Coordenador do Centro de Documentção - CENDOC
nelsondepaula@catedralrio.org.br


[1] LESSA, Vicente Themudo. Padre José Manoel da Conceição. São Paulo: Est. Gráfico Cruzeiro do Sul, 1935, p. 11.
[2] CONCEIÇÃO, José Manoel da. Sentença de excomunhão e desautoração fulminada contra o ex-Padre José Manoel da Conceição, atualmente ministro da Igreja Evangélica e a resposta do mesmo. Rio de Janeiro: Tipografia Perseverança, 1867, p. 03.
[3] A palavra Sé é uma abreviatura de Sedes Episcopalis (Sé episcopal), uma estrutura de poder da Igreja Católica e costuma estar associada à principal igreja de uma região ou sua catedral.
[4] RIBEIRO, Boanerges. José Manoel da Conceição e a reforma evangélica. São Paulo: 1995, p. 09.
[5] LESSA, 1935, p. 14.
[6] A tonsura é uma cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordinando ao conferir-lhe o primeiro grau de Ordem no clero, chamado também de "prima tonsura".
[7] DANNEMANN, Fernando Kitzinger. 1842 – Revolução Liberal (São Paulo). Publicado em http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=732048 Acesso em 29.04.2011. às 13h02min.
[8] RIBEIRO, 1995, p. 421.
[9] LESSA, 1935, p. 21.
[10] RIBEIRO, 1995, p. 44.
[11] ibid., 1995, p. 55.
[12] CONCEIÇÃO, José Manoel da. Sentença de excomunhão e resposta. Rio de Janeiro: Tipografia Perseverança, 1867.
[13] Jornal Imprensa Evangélica, janeiro e fevereiro, 1884.
[14] LESSA, 1935.
[15] RIBEIRO, Boanerges. O Padre Protestante. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1979.
[16] Citado por LESSA, Vicente Themudo. Padre José Manoel da Conceição. São Paulo: Est. Gráfico Cruzeiro do Sul, 1935, p. 41 e 42.
[17] IPRJ. Pasta Relatórios Pastorais - Centro de Documentação – CENDOC da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.
[18] PEREIRA, Nelson de Paula. As modificações do aspecto da cidade do Rio de Janeiro geradas pelas reformas realizadas por Pereira Passos a partir da Rua do Sacramento no período de 1902 a 1906. Monografia apresentada a Universidade Gama Filho – UGF, Rio de Janeiro, em junho de 2005, para obtenção do grau de Bacharel em História.
[19] LESSA, 1935, p. 54.
[20] IPRJ. Pasta Relatórios Pastorais - Centro de Documentação – CENDOC da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.
[21] MATOS, 2004, p. 303.
[22] LESSA, 1935, p. 64 a 66.
[23] O Forte de Nossa Senhora da Glória do Campinho, hoje mais conhecido como “Antigo Forte do Campinho”, localizado à Avenida Ernani Cardoso, bairro do Campinho, Zona Norte do Rio de Janeiro, corre risco de desaparecer. O imóvel foi recentemente adquirido da União por particulares que agora pretendem a sua demolição. Segundo Annibal Barreto (1958), o forte foi erguido a partir de 1822 e armado com nove peças de artilharia, localizado em posição dominante no desfiladeiro de Irajá. Era apoiado por outras baterias complementares situadas nas elevações fronteiras, sendo a mais importante das fortificações que protegiam a antiga Estrada Real de Santa Cruz. Existe ainda a hipótese dessa posição ter sido fortificada desde 1710, atuando no combate às forças invasoras do francês Jean-François Duclerc. Desarmado a partir de 1831, em 1852 passa a abrigar o Laboratório Pirotécnico do Exército, uma fábrica de munições que teria funcionado até 1900. Em 1958, servia de Quartel para o Regimento Moto-Mecanizado e para o Núcleo da Companhia de Comunicações da Divisão Blindada. De 1972 a 2005 ali esteve instalado o 15º Regimento de Cavalaria Mecanizada. Desde então, o local ficou sem uso e o Exército iniciou o processo de leilão do imóvel, adquirido por uma empresa de São Paulo. Disponível em: <http://www.fortalezasmultimidia.com.br/novidades/index.php?list_ano=2007&list_mes=07> Acesso em 28.04.2011.
[24] Uma cópia do original desse texto encontra-se no Centro de Documentação – CENDOC.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

149º ANIVERSÁRIO DO PRESBITÉRIO DO RIO DE JANEIRO (16/12/1865 - 16/12/2014)



“Visto as circunstâncias em que nos achamos, e de acordo com a disciplina da Igreja Presbiteriana, da qual somos ministros e missionários, nós, Ashbel G. Simonton, do Presbitério de Carlisle, Alexander L. Blackford, do Presbitério de Washington, e Francis J. C. Schneider, do Presbitério de Ohio, querendo melhor promover a glória e o reino de Nosso Senhor Jesus Cristo no império do Brasil, julgamos útil e conveniente exercer o direito que nos confere a Constituição de nossa Igreja constituindo um Presbitério sob o governo e direção da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América do Norte. Portanto, de conformidade com a forma da dita Igreja, de fato nos constituímos em um Presbitério que será chamado pelo título de Presbitério do Rio de Janeiro, o qual deverá estar anexo ao Sínodo de Baltimore”. (Ata nº 01, Livro nº 01, Folha nº 01 – Presbitério do Rio de Janeiro).

(Presbitério do Rio de Janeiro – 1885, reunido em Sorocaba-SP. Sentados: Revs. João Ribeiro de Carvalho Braga, Robert Lenington, Alexander L. Blackford, George W Chamberlain, Antônio B. Trajano e George A. Landes. Em pé: Antônio Gomes da Silva Rodrigues, Revs. Caetano Nogueira Jt., John M. Kyle, Donald C. McLaren, Modesto P. B. Carvalhosa, Eduardo Carlos Pereira, Miguel G. Torres, John B. Howell, Presb. Francisco Rodrigues (Lençóis), Manoel José Rodrigues da Costa (São Paulo) e José Rodrigues de Carvalho (Itapeva). No púlpito: Rev. Zacarias de Miranda, pastor da igreja hospedeira).


O ano de 1865 foi abençoador para o presbiterianismo brasileiro, pois além da organização da Igreja Presbiteriana de São Paulo, mais uma Igreja seria organizada em 13 de novembro, a 3ª Igreja Presbiteriana do Brasil, a Igreja Presbiteriana de Brotas. A organização dessa Igreja foi possível, em parte, graças ao trabalho do “Padre-Protestante”, José Manoel da Conceição (1822-1873), pois a cidade de Brotas havia sido uma das paróquias desse futuro Pastor. Inclusive no dia da organização da Igreja Presbiteriana de Brotas ele esteve presente.
Com a existência de três Igrejas (Rio de Janeiro, São Paulo e Brotas) era possível a organização de um Presbitério, fato que ocorreu em 16 de dezembro de 1865. O local era a residência do Rev. Alexander Latimer Blackford (1829-1890), um velho casarão colonial na Rua de São José (atual Rua Líbero Badaró), nas imediações do Largo de São Bento, São Paulo - SP. Era um sábado, às três horas da tarde.
O Presbitério do Rio de Janeiro - PRJN, o primeiro concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, fora organizado na Cidade de São Paulo, com a presença de três Pastores, o Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867), o Rev. A. L. Blackford e o Rev. Francis Joseph Christopher Schneider (1832-1910), sendo eleito o seu primeiro Moderador o Rev. A. L. Blackford, Rev. A. G. Simonton foi eleito Secretário Permanente e o Rev. F. J. C. Schneider, Secretário Temporário. Os três missionários que o compunham eram ligados à Igreja Presbiteriana do Norte dos Estados Unidos, a PCUSA.
Os missionários reproduziram as estruturas de suas igrejas nos Estados Unidos. Com o passar do tempo organizaram outros presbitérios, mais tarde sínodos e por fim a Assembleia Geral, que em 1938, passou a denominar-se Supremo Concílio.
A organização do primeiro presbitério resultou de uma necessidade: a ordenação de ministros, que, no Sistema Presbiteriano é uma prerrogativa exclusiva dos presbitérios. Na ocasião havia um candidato para ser ordenado: o ex-sacerdote, agora convertido à fé reformada, José Manoel da Conceição. Ele havia sido recebido por profissão de fé e batismo na Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, no dia 23 de outubro de 1864 e batizado pelas mãos do Rev. A. L. Blackford.
O PRJN aplicou os exames indispensáveis ao candidato J. M. da Conceição: 1) os motivos que o levavam a desejar o ministério; e, 2) um exame referente aos conhecimentos bíblicos. O candidato respondeu satisfatoriamente as perguntas sobre as evidências de sua vocação, bem como sobre se adotava a confissão de fé e a forma de governo da Igreja Presbiteriana. Propôs, então o Rev. A. G. Simonton que o PRJN se declarasse satisfeito com as respostas, resolvendo-se que, em atenção às circunstâncias excepcionais em que se achava o candidato e ao pleno conhecimento que os membros do PRJN tinham de seus talentos e aptidão para exercer o ministério, fossem dispensados os exames de disciplinas teológicas e outras formalidades, exceto o sermão – que foi pregado no dia seguinte pela manhã, dia 17, devendo versar sobre Lucas 4.18 e 19, e que a cerimônia de ordenação se realizasse no mesmo dia, sob a presidência do Moderador, Rev. A. L. Blackford. Por proposta do Rev. F. J. C. Schneider, o Rev. A. G. Simonton foi encarregado da parênese com base em 2ª Coríntios 5. 20.
No dia 17 de dezembro de 1865, domingo, às dez e meia da manhã, o candidato J. M. da Conceição pregou o sermão de prova a um auditório de 25 pessoas e foi aprovado pelo concílio. Às dezessete horas realizou-se o ato de ordenação. O Rev. A. L. Blackford fez as perguntas constitucionais. Em seguida o candidato foi ordenado o primeiro Ministro Presbiteriano Brasileiro, pela imposição das mãos dos ministros do Presbitério, Rev. A. G. Simonton, Rev. A. L. Blackford e Rev. F. J. C. Schneider. Os três após a oração de ordenação disseram: “Dou-vos a mão direita em sinal de que acabais de ser admitido a tomar parte conosco neste ministério”. Tinha ele 44 anos de idade.
O agora, Rev. J. M. da Conceição se dirigiu aos presentes falando de maneira comovida sobre suas novas responsabilidades. Entre os presentes tanto ao sermão de prova quanto à cerimônia de ordenação estava o Dr. James McFadden Gaston (1824-1903) - um médico e futuro presbítero norte-americano que residiu por vários anos em Campinas e que veio a ser sogro do Rev. Alexander Blackford - e o Rev. John Benjamin Kolb (1850-1921).
Essa foi a primeira reunião do Presbitério do Rio de Janeiro.
A segunda reunião do PRJN foi realizada no Rio de Janeiro, na sala de cultos da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, localizada na Rua do Regente, nos dias 5 a 10 de julho de 1866. No dia 05 o Rev. A. L. Blackford foi reeleito Moderador e na mesma sessão foi apresentado um novo candidato ao ministério, o Médico George Whitehill Chamberlain (1839-1902), membro da 4ª Igreja Presbiteriana de Washington - EUA. Ele foi examinado sobre sua experiência e vocação religiosa, ciências naturais, grego e latim. À noite proferiu sua homilia com base no texto de Romanos 12. 1-5. No dia seguinte, dia 06, foi examinado sobre teologia e história eclesiástica. No dia 7 pregou o sermão de prova baseado no texto de João 6. 29, sendo ordenado no domingo dia 8. Fez a parênese o Rev. A. G. Simonton e pregou o sermão de praxe o Rev. J. M. da Conceição.
A terceira reunião ordinária também ocorreu no Rio de Janeiro, entre os dias 11 a 16 de julho de 1867, na sala de cultos da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, localizada no Campo de Santana. Foi a última reunião em que compareceu o Rev. A. G. Simonton, pois iria falecer poucos meses depois, em 09 de dezembro de 1867. Nessa reunião o Rev. A. L. Blackford foi novamente eleito Moderador (ainda seria reeleito nos anos de 1868 e 1884). No dia 16, último dia da reunião, o Rev. A. G. Simonton leu um estudo intitulado “Os meios necessários e próprios para plantar o reino de Jesus Cristo no Brasil”.
Um importante documento foi confeccionado a fim de que a obra presbiteriana no Brasil se enquadrasse nas leis do Estado. Assim, uma petição de aprovação dos Estatutos do Presbitério, foi redigida, provavelmente, por José Tomas Nabuco de Araújo, Conselheiro de Estado. Os advogados da Igreja, eram o Dr. Manoel Antonio Duarte de Azevedo, Aureliano Tavares Bastos e provavelmente o Conselheiro J. T. N. de Araújo.
                Em 15 de julho de 1871, os Estatutos deram entrada no Ministério do Império, firmados pelos Rev. A. L. Blackford, Rev. F. J. C. Schneider, Rev. G. W. Chamberlain, Rev. Robert Lenington (1833-1903) e o Rev. João Fernandes Dagama (1830-1906).
                Depois, o documento foi encaminhado ao Conselho de Estado em 21 de agosto de 1871, sendo aprovado somente em 10 de fevereiro de 1872 e oficializado pelo Decreto nº 5105 de 03 de outubro de 1872.

 
 
Por quase 20 anos, o PRJN foi o único concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, à exceção do antigo Presbitério de São Paulo, organizado pelos missionários da Igreja Presbiteriana do Sul dos Estados Unidos, em Campinas, que existiu por apenas cinco anos (1872-1877). Somente em 1887 surgiu um novo presbitério, o de Campinas e Oeste de Minas.
Nessa fase inicial (1865 a 1900), o PRJN ordenou outros ministros: William Dreaton Pitt (1828-1870) ordenado em 16/08/1869; Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa (1846-1917), ordenado em 20/07/1871; Antônio Bandeira Trajano (1843-1921, ordenado em 10/08/1875; Miguel Gonçalves Torres (1849-1892), ordenado em 10/08/1875; Antônio Pedro de Cerqueira Leite (1845-1883) ordenado em 08/08/1876; Eduardo Carlos Pereira de Magalhães (1855-1923), ordenado em 02/09/1881; José Zacarias de Miranda e Silva (1851-1926), ordenado em 09/09/1881; João Ribeiro de Carvalho Braga (1852-1934), ordenado em 02/09/1885; e, Caetano Nogueira Júnior (1856-1909), ordenado em 03/09/1886.
Muitos outros Ministros foram ordenados pelo PRJN, sem contar os Missionários e outros pastores que foram recebidos de outras Igrejas. Hoje o PRJN é composto pelos seguintes pastores (ordem alfabética): Rev. Aldemiro Camboim de Sá, Rev. Alexandre Rodrigues Sena, Rev. Anderson Dias de Abreu, Rev. Cid Pereira Caldas, Rev. Clinton Sathler Lenz César, Rev. Deivson Vieira Torres, Rev. Éber Magalhães Lenz César (jubilado), Rev. Eurípedes da Conceição, Rev. Evaldo Beranger, Rev. Felipe Telles Ferreira, Rev. Guilhermino Silva da Cunha (jubilado), Rev. Haveraldo Ferreira Vargas Júnior, Rev. Isaías Cavalcanti da Silva, Rev. Jader de Faria Barros Netto, Rev. Leonardo Sahium, Rev. Luiz Longuini Neto, Rev. Marcelo Eliziário Vidal, Rev. Miguel Marques Rodrigues (jubilado), Rev. Nélio Pontes Quaresma (jubilado), Rev. Nelson Célio de Mesquita Rocha, Rev. Paulo Severino da Silva Filho, Rev. Silvanio Silas Ribeiro Cabrial e Rev. Vanúzio de Melo Ferreira.
Atualmente o PRJN tem sob sua jurisdição as Igrejas Presbiterianas (em ordem de organização): Rio de Janeiro (1862), Botafogo (1906), Caju (1908), Copacabana (1913), Tijuca (1967), Gávea (1967), Rio Comprido (1991), Vila Isabel (1992), São Cristóvão (1995), Luz do Mundo (1997), Muda Usina (1998), Ipanema-Leblon (2008), Américas (2009) e Libertas (2010). Há de se destacar que muitas outras igrejas presbiterianas no Brasil foram organizadas pelo Presbitério do Rio de Janeiro.
Nesse ano do seu 149º aniversário de organização, o Presbitério do Rio de Janeiro, tem a sua Mesa assim constituída:

Rev. Cid Pereira Caldas – Presidente
Rev. Haveraldo Ferreira Vargas Júnior – Vice-Presidente
Rev. Paulo Severino da Silva Filho – Secretário Executivo
Rev. Felipe Telles Ferreira – 1º Secretário
Rev. Anderson Dias de Abreu – 2º Secretário
Presb. Renato José Piragibe – Tesoureiro

                As Secretarias de Causas estão assim constituídas:

                  Presb. Marcos Antonio Gomes Brandão – Secretário do Trabalho da Infância
                  Rev. Deivson Vieira Torres – Secretário do Trabalho de Adolescentes
                  Rev. Alexandre Rodrigues Sena – Secretário do Trabalho de Mocidade
                  Rev. Marcelo Eliziário Vidal – Secretário do Trabalho Feminino
                  Rev. Jader de Faria Barros Neto – Secretário do Trabalho Masculino
                  Diác. Jorge Sarito Leite – Secretário do Trabalho Diaconal
                  Presb. Ilton Lamblet Fajardo – Secretário do Trabalho da Família
                  Rev. Éber Magalhães Lenz César – Secretário do Trabalho de Apoio Pastoral

Parabéns ao Presbitério do Rio de Janeiro, o número 1 do Brasil.


Diác. Nelson de Paula Pereira
Diretor do Museu da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro
Coordenador do Centro de Documentação – CENDOC
nelsondepaula@catedralrio.org.br

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Perseverar até o fim



Perseverar até o fim

“... e por aumentar-se a iniquidade, o amor da maioria se esfriará.” Mateus 24. 12

                O texto em destaque faz parte do Sermão profético de Jesus (Mateus 24). Em algumas versões o versículo aparece com a seguinte interpretação: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.” (RA); “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará.” (RC); “A maldade vai se espalhar tanto, que o amor de muitos esfriará.” (NTLH).
                Esse texto é o segundo mais longo dos 6 discursos de Jesus. Também conhecido como “Discurso Escatológico de Cristo” ou “Discurso sobre as últimas coisas”. A mensagem profética não é apenas para eventos próximos, mas àqueles futuros. A queda de Jerusalém, ocorrida no ano 70 d.C é um exemplo.
                A ênfase principal do texto é que devemos estar sempre alertas, ativos e fiéis no serviço de Jesus até o dia do seu retono. Dia esse que ninguém sabe.
                Jesus destaca as figuras dos falsos profetas (v. 5). “Eu sou o Cristo...” esses desencaminharão a muitos e os que persistirem em ser desencaminhados mostram que jamais pertenceram ao verdadeiro rebanho de Cristo. Não foram predestinados.
                Sobre “...guerra e rumores de guerras” (v. 6), Jesus fez menção, pois na ocasião, o Império Romano estava no período da Pax Romana (28 a.C a 180 d.C) abalada décadas depois com a fragmentação do Império. Entretanto, tal instabilidade não pode ser vista como indicação da volta imediata de Jesus Cristo. Ao longo do tempo a Profecia alcança contínuo cumprimento quando o texto bíblico, no versículo 7, diz: “...nação se levantará contra nação, e reino contra reino” e isso temos visto ao longo dos séculos. Mas tais guerras não podem ser usadas como “fixadoras de datas”, pois produz “sinais errados”. O próprio Cristo disse: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai.” (v. 36).
                “Fomes e terremotos...” (v. 7), esses são outros eventos preditos. No período de 60 a 80 d.C a fome, a pestilência, os incêndios, os vulcões e os terremotos assolaram todo vasto Império. A erupção do Vesúvio em 70 d.C destruiu Pompéia. Muitos séculos depois vemos alguns fenômenos da natureza irrompendo no mundo: os terremotos em Lisboa (1755); na Calábria (1783); Nápoles (1857), que juntos ceifaram mais de 100 mil pessoas. Outros numa era mais recente: Charleston - EUA (1886); Assam - Índia (1897); Califórnia (1906); Messina – Itália (1908); Avezzano – Itália (1915); Turquia (1939); Kansu – China (1920); Japão (1923 e 2011); Chile (1939, 1960 e 2010); Peru (1970); e muitos outros. “Mas ainda não é o fim”. (v. 6).
                O ódio pelos cristãos será reiniciado (v. 9). O egoísmo celebrará triunfos, um após o outro. É tempo de perseverar.
                “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos.” (v. 12). Iniquidade aqui significa desregramento e não a imoralidade. Tal tipo de iniquidade destrói a confiança mútua entre os crentes, e a condição geral da maldade, prevalecente em qualquer sociedade, tende então por esfriar o fervor do amor fraternal que de outra maneira continuaria existindo.
                “O amor esfriará”,do verbo soprar a fim de esfriar, arrefecer. Palavra usada, também, para indicar a extinção de silêncio. Os sopros dos indivíduos apagam as chamas do amor, os sopros da apostasia, da iniquidade...esfriam as brasas..deixam cinzas...
                Não é apenas a perda do amor de “alguns” crentes uns pelos outros, mas de “muitos”, no seio da maioria, entre “quase todos” conforme a tradução.
                O amor da fraternidade, das coisas espirituais, arrefece, e então passa a governar a suspeita e a desconfiança.
                No período de perseguição a tendência é que todos se tornem egoístas, esquecendo-se uns dos outros, cada qual se importando consigo mesmo restando apenas o “amor-próprio”. Aqui entra a responsabilidade de cada cristão, como guardiões de nossos irmãos. Eles fazem parte da nossa responsabilidade e o serviço aos nossos semelhantes é também o serviço prestado a Deus.
                O texto profético nos dá uma instrução objetiva: “Aquele,porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.” (v. 13). Os fiéis perseverarão e deverão perseverar, por serem fiéis. “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações...” (v. 14). As palavras proféticas de Jesus se aplicam a um período muito mais além do que a destruição de Jerusalém. A profecia não proclama a aceitação de toda a humanidade da mensagem de Cristo, mas a sua divulgação por todo o mundo.
                “... Então,virá o fim.” (v. 14). Não se trata do fim de Jerusalém, mas o fim da era atual. O fim virá por conta da segunda vinda de Jesus.
                Não é a largada que coroa a corrida do cristão, mas a chegada. E, até a chegada, é preciso perseverar...permanecer firme!
                Não deixemos que o amor ao próximo se esfrie. E aqui o próximo são todos. Não importa quem seja. Deixemos as diferenças de lado. Não se deixe levar pela palavra torpe, “mal-dita” por alguém sobre outrem. Você viu e ouviu? Ou você ouviu dizer? Você experimentou, você sofreu “na pele”? Só podemos acreditar naquilo que vimos e ouvimos diretamente e não o que o outro viu e ouviu. Isso é fofoca! É pecado! E seremos cobrados diante de Deus naquele grande dia. Persevere no amor, na verdade. Uma palavra mentirosa, caluniadora tem o poder de destruição muito grande...é desastrosa...leva a morte...Meça as consequencias antes de “passar a diante” uma história que você “ouviu dizer”. O que você viu, é fato. O que ouviu, é só boato. Se você não ouviu com seus próprios ouvidos, ou não viu com seus próprios olhos. Não deixe sua mente pequena inventar coisas e sua boca espalhar.
A palavra de Deus é bem clara ao tratar da calúnia: 2ª Tm 3. 1-3: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas... desafeiçoados... caluniadores...”; Tt 3. 2: “Aconselhe que não falem mal de ninguém, mas que sejam calmos e pacíficos e tratem todos com educação.”; e Sl 50. 20: “Estão sempre acusando os seus irmãos e espalhando calúnias a respeito deles.” Da mentira: Sl 34. 13: “Então procurem não dizer coisas más e não contem mentiras.”; Sl 52. 3: “Amas o mal antes que o bem; preferes mentir a falar retamente.”; Pv 14. 5: “A testemunha verdadeira não mente, mas a falsa se desboca em mentiras.”; João 8. 44: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.”; Ef 4. 25: “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.”; e, 1ª Pe 3. 10: “Como dizem as Escrituras Sagradas: “Quem quiser gozar a vida e ter dias felizes não fale coisas más e não conte mentiras.” Sobre difamar: 2ª Tm 3. 1-5 “Nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.”; Tg 4. 11: “Meus irmãos, não falem mal uns dos outros.”; 1ª Pe 2. 1: “Portanto, abandonem tudo o que é mau, toda mentira, fingimento, inveja e críticas injustas.”; Sl 101. 5: “Destruirei aqueles que falam mal dos outros pelas costas...”; e, Pv 16. 28: “O homem... difamador separa os maiores amigos.” E por fim, sobre a fofoca: Lv 19. 16: “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo teu próximo. Eu sou o SENHOR.”; Pv 11. 13: “O mexeriqueiro descobre o segredo, mas o fiel de espírito o encobre.”; Pv 20. 19: “O mexeriqueiro revela o segredo; portanto, não te metas com quem muito abre os lábios.”; 1ª Tm 6. 20: “E tu... evitando os falatórios inúteis...”; 2ª Tm 2. 16: “Evita, igualmente, os falatórios inúteis e profanos, pois os que deles usam passarão a impiedade ainda maior...”; e, Tg 1. 26: “Alguém está pensando que é religioso? Se não souber controlar a língua, a sua religião não vale nada, e ele está enganando a si mesmo.”
                Amemo-nos uns aos outros como Cristo nos ama. Perseveremos firmes em oração e em santidade.
                Em oração,

Diác. Nelson de Paula Pereira +
Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro
nelsondepaula@catedralrio.org.br