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quinta-feira, 10 de maio de 2018

ENTENDENDO A ASCENSÃO DO SENHOR

Ascension – (painting). Artist: John Singleton Copley (1738–1815)


O que os Presbiterianos acreditam?

A Ascensão do Senhor nunca foi um evento importante no calendário da Igreja Presbiteriana. Mas talvez devesse ser, pois há coisas que podemos aprender com isso.
A história de Jesus subindo ao céu depois de aparecer aos seus seguidores nos 40 dias após sua ressurreição vem com dois desafios significativos. Primeiro, como regra, as pessoas simplesmente não flutuam para o céu. Basta pensar no pesadelo que representaria para a Administração de Segurança nos Transportes. Em segundo lugar, a história apresenta uma imagem do universo que não sabemos ser verdade. “Céu” não é “para cima” e “inferno” não é “para baixo” e nós não vivemos no “meio”. Portanto, uma leitura literal da história não será útil.
Mas histórias de ascensões aparecem em escritos sagrados e seculares. Elias é levado para o céu em uma carruagem de fogo. “Enoque andou com Deus; então ele não era mais, porque Deus o levou”. Plutarco, o historiador, incluiu uma história de ascensão em sua história de Roma. O que essas histórias estão tentando nos dizer?
As histórias da Ascensão nos oferecem uma visão nova e exaltada de quem ascende. Quando dizemos, nas palavras do credo dos apóstolos, que Jesus "subiu ao céu e está assentado à destra de Deus", estamos proclamando que Jesus é agora exaltado sobre todos - o Senhor do céu e da terra que cura as feridas de uma humanidade machucada e quebra as paredes que nos separam uns dos outros e de Deus. A Ascensão é uma celebração do primeiro credo da igreja: Jesus é o Senhor!
A Ascensão também marca um ponto crítico de mudança. Tanto no Evangelho de Lucas e em Atos, a Ascensão marca a passagem da mensagem e missão de Jesus aos seus discípulos. O que é para se tornar de sua história e trabalho agora está sob seus cuidados e manutenção. E os discípulos poderão continuar a obra de Jesus com o dom prometido do Espírito Santo que vem sobre eles no dia de Pentecostes, celebrado dez dias depois da Ascensão.
Para nós, na igreja, o Domingo de Ascensão pode ser uma época em que nos lembramos do importante trabalho para o qual fomos chamados. O trabalho de Cristo é agora o nosso trabalho. Sem a presença fortalecedora do Espírito, nosso trabalho não pode ser oferecido fielmente. O Domingo de Ascensão, portanto, nos conecta ao Pentecostes e aos dons para o ministério que o Espírito provê.
A história da Ascensão também inclui uma cena bastante cômica. Os discípulos estão de pé ali, olhando primeiro para Jesus subindo e depois olhando para as nuvens. Eles então ouvem uma voz perguntando-lhes o que estão olhando.

"Uh, o céu."
"Você não acha que deveria seguir com o que Jesus lhe disse para fazer?"
"Acho que sim."

E há um dos grandes desafios que a igreja sempre enfrentou. Adoração ou ação. Adoração ou serviço. Contemplação ou engajamento. Vamos ser claros. Não é uma escolha. Todos fazem parte da vida de um cristão. Eles se alimentam.
Às vezes, porém, somos um pouco como aqueles discípulos, de pé com os pés no chão e as cabeças nas nuvens. Ficamos um pouco distraídos. Ficamos um pouco preocupados e desviados.
Mas então alguém, ou algo, diz: "O que você está olhando?" E esse é o momento de graça da Ascensão. É um momento em que somos convidados a reexaminar nosso chamado e nosso discipulado.
Então cabe a nós. Podemos ser tão celestiais que não somos bons na terra, ou podemos estar no trabalho de expandir o reino de Deus.
O que você está olhando?
Que tal um mundo feito novo? Um mundo onde há o suficiente para todos. Um mundo onde todas as pessoas são tratadas justamente e com amor.

Rev. Kevin Scott Fleming
Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana em Evansville, Indiana, EUA.

Fonte:
Understanding the Ascension of the Lord
WHAT PRESBYTERIANS BELIEVE

When Christ’s work becomes our work
By Kevin Scott Fleming | Presbyterians Today
Reprinted from the April/May 2018 issue of Presbyterians Today

sábado, 5 de maio de 2018

MARIA DA FONSECA REIS - 150 ANOS

Maria da Fonseca Reis
Se estivesse entre nós, MARIA DA FONSECA REIS (1868-2018), teria completado em 16 de março de 2018, 150 anos de idade. Essa dama cristã foi uma heroína na fé. Mulher cristã, piedosa, exemplo de fidelidade, compromisso e dedicação na vida familiar, na obra de Deus, na Igreja, no cuidado dos pobres e necessitados e especialmente na vida do Orfanato Presbiteriano, atual Instituto Presbiteriano Álvaro Reis de Assistência à Criança e ao Adolescente - INPAR. Apesar de não ter filhos biológicos, foi mãe adotiva de 07 (sete) crianças órfãs e por conseguinte, mãe de uma infinidade de crianças e adolescentes que passaram por sua casa e
pelo Orfanato Presbiteriano, da qual foi Benfeitora.

Nessa pequena síntese biográfica descreveremos a vida dessa grande mulher que foi Dona Mariquinhas Reis, como era carinhosamente chamada e conhecida.

Maria Reis nasceu em 16/03/1868, em Ponta Delgada, capital da Ilha de São Miguel, Arquipélago dos Açores, Portugal. Filha de Jacintho Vieira da Fonseca e Margarida Julia da Fonseca.

Chegou ao Brasil ainda criança em companhia de seus pais que fixaram residência na cidade de Campinas, São Paulo.

Fez seus estudos preparatórios no antigo Colégio Internacional - que era mantido pelo Committee on Foreign Missions da Presbyterian Church in States of America – PCUS - até 1885. Sua Professora foi Charlotte Kemper (1837-1827), Missionária da PCUS.

Colégio Internacional de Campinas, SP

Charlotte Kemper
Fez sua pública profissão de fé ainda jovem na Igreja Presbiteriana de Campinas, que a partir de 1903, passou a ser da Igreja Presbiteriana Independente de Campinas, jurisdicionada a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil - IPIB.

Rev. Álvaro Reis

Maria Reis

Em 21/08/1886, casou-se com o seminarista Álvaro Emygdio Gonçalves dos Reis (1864-1925), na Igreja Presbiteriana de Campinas, sendo oficiante o Pastor Rev. Dr. Edward Lane (1835-1892) . Foi uma verdadeira auxiliadora idônea do esposo e sempre o ajudou nos estudos e o acompanhou nas inúmeras viagens e atividades da Igreja Presbiteriana e outras.

Rev. Edward Lane
Templo da IPI Campinas
Seu coração foi sempre voltado para às obras de caridade, de ação social e beneficentes. Foi uma entusiasta na criação do Hospital Evangélico do Rio de Janeiro, mas seu coração sempre foi voltado para o Orfanato Presbiteriano, porque como falamos anteriormente, apesar de não ter filhos biológicos, foi mãe de 07 (sete) crianças órfãs. Em 1889, quando o já ordenado Rev. Álvaro Reis pastoreava a Igreja Presbiteriana de Mogi Mirim, SP. Nesse ano uma terrível epidemia de febre amarela ceifou muitas vidas deixando diversas crianças e adolescentes órfãos, dentre elas, quatorze crianças, todos filhos de membros da igreja. Sensibilizado com o ocorrido, o Pastor adotou sete crianças, filhos do Presbítero Antônio Garcia Ferreira e Rita Isabel Garcia. Dessas sete crianças, uma delas foi a nossa saudosa Sara Garcia de Oliveira, mãe de Julio de Oliveira (1908-1967) , avó de Naïla Oliveira Bruno. Naïla é Pianista-Emérita do Coral Canuto Regis e da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Maria Reis ao ver o Rev. Álvaro chegar em casa com as crianças e dizer que as tinha adotado, levou um susto, mas logo aceitou os desígnios do Senhor.

Sara de Oliveira (segurando a Bíblia)

Julio de Oliveira, Marieta, Naïla e Sivaldo
 Maria Reis, na Igreja do Rio, sempre cuidou nas festas cívico-religiosas e Natal desde a sua chegada a essa Igreja em 1897 até 1920, quando a Escola Dominical passou a coordenar essas atividades. Organizou muitas Sociedades Auxiliadoras de Senhoras - SAS, posteriormente, Sociedade Auxiliadora Feminina - SAF, com destaque para a SAF da Igreja do Rio, organizada em 10/03/1898, sendo sua Sócio-Fundadora e que por muitos anos serviu como Diretora dos Trabalhos (uma Oficina de Costura) que funciona até os dias de hoje com o nome de Oficina de Costura Maria Reis, dirigida pela estimada Gilda Simon Leitão. Paralelamente a Oficina Maria Reis, foi criada a Oficina de Costura Alayde de Avilez, responsável pela confecção de enxovais de bebê. Essa foi criada na gestão da Presidente Maria Helena Sathler Gripp, gestão 2000-2001.

SAF-Rio, 10/03/1898
Sua casa, anexa ao templo da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, à Rua Silva Jardim, 23, sempre foi um lar hospitaleiro, não só recebendo Missionários e suas famílias, Pastores e suas famílias, bem como jovens solteiras que logo se casavam com homens crentes. Hospedou comitivas de Presbitérios, Sínodos e Assembleias Gerais (atual Supremo Concílio) da Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB.

Foi grande colaboradora do jornal O Puritano (1889-1959), atualmente Brasil Presbiteriano (1959 aos dias de hoje). Mantinha uma pequena livraria nas dependências da Igreja do Rio vendendo livros cristãos, de educação cristã, Bíblias, Catecismos e Hinários.

Jornal O Puritano
Dedicada no lar, não só para com o esposo, mas para com os filhos adotivos, seu pai, sua sogra, D. Isabel de Almeida Reis, parentes, dentre outras pessoas.

Lápide do jazigo aonde está sepultada a mãe do Rev. Álvaro Reis, D. Isabel de Almeida Reis
Sempre esteve envolvida em campanhas e trabalhos em prol da Igreja, do Orfanato, Maternal do Rio de Janeiro (Orfanato Presbiteriano), do Seminário, da Associação Cristã de Moços - ACM, do Hospital Evangélico, das Missões e de tantos outros.

Organização da Maternal Rio de Janeiro, 17/10/1931

Orfanato Presbiteriano, atual INPAR
INPAR
Em 20 de março de 1914 foi organizada a Sociedade Auxiliadora de Senhoras que auxiliava no encaminhamento de pessoas pobres para que fossem atendidas no Hospital Evangélico do Rio de Janeiro. Entre as fundadoras estavam as seguintes irmãs: Christina Fernandes Braga, Emma Nogueira Paranaguá, Anna Kinster Jannuzzi (esposa do Comendador Antonio Jannuzzi e membro da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro), Júlia Pereira dos Santos (Igreja Presbiteriana de Copacabana), Maria Fonseca dos Reis (esposa do Rev. Álvaro Reis e membro da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro), Christina Silva Oliveira, Dalila Azeredo Coutinho, Maria Vitória Correa, Ludovina Vollmer, Graciema Figueiredo, Maria Rodrigues, Antonia Perez dentre outras. Mais tarde a Sociedade passou a denominar-se União Auxiliadora de Senhoras da Associação do Hospital Evangélico do Rio de Janeiro. Em 1948 a União passou a chamar-se União de Senhoras Mantenedoras de Indigentes no Hospital Evangélico e em 2004, União de Senhoras Evangélicas de Ação Social, como permanece até hoje.

Hospital Evangélico do Rio de Janeiro

Compareceu à 8ª Convenção Mundial das Escolas Dominicais, em Tóquio, Japão, entre 05 a 14 de outubro de 1920. A delegação brasileira das Escolas Dominicais do Brasil foi constituída da seguinte forma: Rev. Álvaro Reis, como Delegado e representante de todas as Escolas Dominicais do Brasil e juntamente com ele estavam Maria da Fonseca Reis, sua esposa; Julio de Oliveira, o neto querido; e os irmãos Jorge Nicolau Abduch e sua esposa Labibe Abduch, todos membros da Igreja do Rio.


O livro de autoria do Rev. Álvaro Reis: Origens caldaicas da Bíblia, 1893. Editado em São Paulo pela tipografia da Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos (1ª edição) e em 2ª edição no Rio de Janeiro pela redação do Puritano. Foi em homenagem ao Rev. Dr. John Boyle (1845-1892), a Professora Charlotte Kemper (1837-1827) e a esposa Maria Reis.


As inúmeras publicações do Rev. Álvaro Reis - que ultrapassa o número de 40 (quarenta) - foram publicadas em mais de uma edição. Sua esposa, Maria Reis, depois da morte do Rev. Álvaro Reis, mantinha em seu poder os direitos autorais dessas publicações, publicando novas edições para que, através da venda dos livros, pudesse obter renda para se sustentar. Pois não havia nenhum plano de previdência para os Pastores e suas famílias após a morte dos mesmos. Todo o patrimônio que o casal possuía foi vendido e revertido ao longo dos anos para a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Somente no pastorado do Rev. Amantino Adorno Vassão (1910-1997) é que foi possível a viúva receber, por parte da Igreja Presbiteriana, uma pensão.

Rev. Amantino Adorno Vassão
Naïla, a neta/bisneta, querida tem um testemunho de vida muito bonito, do qual destacamos a lembrança que ela tem de Dona Mariquinhas Reis. São as recordações mais doces possíveis. Embora Dona Mariquinhas estivesse completamente surda desde os 37 anos de idade, Naïla não se lembra de ter ouvido de sua vovó, como assim chamava, qualquer queixa nesse sentido. Em casa participava de todas as coisas da vida em família com muita alegria. Não faltava aos cultos de domingo. Cozia sempre fazendo enxovaizinhos para as crianças necessitadas e a sua atenção maior era para com o “Orfanato” (atual Instituto Presbiteriano Álvaro Reis de Assistência à Criança e ao Adolescente - INPAR). Já acamada depois de ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral - AVC, mantinha o caderno de sócios do Orfanato a seu alcance, caso algum deles fosse visitá-la. Sua hora devocional diária era sagrada, assim ensinou a netinha algo muito precioso.

Maria Reis, c.1950


Lápide do jazigo aonde estão os restos mortais de Maria Fonseca Reis
Jazigo aonde estão sepultados a mãe do Rev. Álvaro Reis, D. Isabel de Almeida Reis, Rev. Álvaro Reis, Maria Fonseca Reis e o Rev. Amantino Adorno Vassão - Cemitério de São Francisco Xavier (Caju).

Maria Reis, de igual forma. Seu amor para com o Orfanato Presbiteriano esteve presente até o dia da sua morte, em 26/03/1953, com 85 anos de vida, 27 anos após a morte do marido. Duas vidas que se entregaram a Deus e tudo que se diz respeito a Ele. Imaginemos se tivéssemos entre nós alguns “álvaros reis” e algumas “marias reis”?

Prof. Nelson de Paula Pereira
contato@nelsondepaula.com
Naïla Oliveira Bruno e Nelson de Paula Pereira

Bacharel em História pela Universidade Gama Filho. Licenciatura plena em História pela Universidade Gama Filho. Pós-Graduação em História do Brasil pela Universidade Federal Fluminense. Professor, Historiador, Arquivista, pesquisador e escritor. Autor de livros como: Cem anos do Instituto Presbiteriano Álvaro Reis de Assistência à Criança e ao Adolescente – INPAR: 1910-2010; História da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro: 1862-2012; História da Igreja Presbiteriana de Copacabana: 1913-2013; História do Presbitério do Rio de Janeiro: 1865-2015; História da Igreja Presbiteriana da Gávea: 1967-2017; História da Igreja Presbiteriana da Tijuca: 1967-2017 (no prelo), dentre outros trabalhos. Organizador do livro: HEINZLE, Eunice. Siegfried, um servo do Senhor. (Biografia). Rio de Janeiro: 2012. Oficial Diácono da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro - IPRJ. Corista e Solista do Coral Canuto Regis da IPRJ. Curador do Acervo e Historiador do Presbitério do Rio de Janeiro. Diretor-Secretário do Instituto Presbiteriano Álvaro Reis de Assistência à Criança e ao Adolescente - INPAR.

Administrador do Blog "O Historiador", disponível em: 
http://depaulaohistoriador.blogspot.com.br/

Administrador do site: Nelson de Paula, disponível em:
http://nelsondepaula.com/

terça-feira, 1 de maio de 2018

A BÍBLIA EM UZBEQUE

The Bible in Uzbek
Em junho de 2017, o impensável aconteceu: o lançamento público da primeira Bíblia Uzbeque completa na cidade de Tashkent, capital do Uzbequistão, e com isso uma aprovação oficial pelo governo uzbeque. O evento foi organizado pela Igreja Ortodoxa Russa, que desempenhou um papel importante no caminho para a aprovação oficial. Estavam presentes dentre outros representantes de várias igrejas (oficialmente registradas) no Uzbequistão, um representante do Ministério de Assuntos Religiosos. Foi um milagre, porque seis meses antes, todos nós temíamos que a nova tradução tivesse que ser distribuída de maneira “não oficial”. Pode-se imaginar a felicidade da equipe, alguns dos quais trabalharam por cerca de 22 anos nesse projeto.

O caminho para esse evento foi longo. O editor, o Institute for Bible Translation - IBT em Moscou, já havia, durante o período soviético, iniciado uma tradução do Novo Testamento, Gênesis e Salmos. Estes livros foram publicados em 1992, um momento fortuito, logo após o colapso da União Soviética. Missionários se mudaram para o país e o número de crentes usbeques cresceu.

Uma Sociedade Bíblica foi estabelecida, mas levou vários anos até que o novo projeto do Antigo Testamento, iniciado pela IBT e depois unido à Summer Institute of Linguistics - SIL, encontrasse um lugar sob o teto da Sociedade Bíblica local. O consultor da United Bible Society - UBS, Krijn van der Jagt, treinou os tradutores (um professor universitário em língua e literatura uzbeques e duas moças) e as damas exegéticas da SIL, e o resultado foi uma equipe harmoniosa e trabalhadora. Quando Krijn voltou para a região da África, eu assumi.

Foi impossível continuar o trabalho dentro do país. Infelizmente, o clima político começou a mudar rapidamente após os terríveis acontecimentos em Andijan em 2005, nos quais centenas de uzbeques foram mortos por forças do governo. O Uzbequistão começou a expulsar expatriados e os verificadores da SIL estavam entre os muitos estrangeiros que tiveram que sair. Também um dos tradutores, casado com um americano, foi forçado a sair. Era impossível continuar o trabalho dentro do país.

Por cerca de dois anos, a equipe estava tentando encontrar um novo equilíbrio. Os membros da SIL decidiram se estabelecer em um país vizinho, e é onde, nos anos seguintes, as reuniões da equipe foram realizadas. Para os dois tradutores locais, a situação não era boa: o governo e a polícia secreta ficavam de olho em todos os tipos de comportamento subversivo, entre os quais qualquer tipo de “evangelismo” era considerado.

Os cidadãos uzbeques não podiam mais se tornar membros de comunidades cristãs, e as igrejas usbeques tinham que se tornar clandestinas. A polícia secreta invadiu casas de pastores e crentes locais, no melhor dos casos apenas confiscando literatura cristã, computadores e DVDs, no pior caso prendendo e encarcerando pessoas.

Testar os livros bíblicos traduzidos com os leitores e distribuir as traduções dos livros que estavam prontos não eram mais passos óbvios no procedimento. Ainda assim, a equipe continuou seu trabalho com fidelidade e os tradutores dentro do país trabalharam duro para garantir que as traduções fossem adequadamente revisadas e testadas.

Tashkent, Uzbekistan
Mas agora eles têm uma Bíblia em seu próprio idioma e possuir uma cópia não é mais um crime. No final de 2016, uma bela Bíblia Uzbeque foi impressa. Mas ninguém esperava o milagre que aconteceu no primeiro semestre de 2017: o governo aprovou a tradução. Durante as celebrações de junho de 2017, nenhuma das igrejas uzbeques foi oficialmente representada. Somente igrejas oficialmente aprovadas, como as igrejas ortodoxa russa, católica romana, luterana evangélica e batista russa puderam comparecer. As igrejas domésticas nacionais menores do Uzbequistão ainda estão no subsolo. Mas agora eles têm uma Bíblia em seu próprio idioma e possuir uma cópia não é mais um crime. Esperamos e oramos para que os crentes uzbeques sejam um dia livres não apenas para ler as Escrituras, mas também para adorar e cantar.

Marijke de Lang
Assessor de Tradução Global


Por favor, oremos:

  • Pela Sociedade Bíblica do Uzbequistão para envolver as igrejas no amplo uso da tradução.
  • Pelas igrejas clandestinas em países ao redor do mundo.
  • Pelos tradutores que trabalham em projetos atuais em países islâmicos especificamente.
Fonte: The Bible in Uzbek. Disponível em:      Acesso em: 01/05/2018.


quinta-feira, 22 de março de 2018

A PRIMEIRA PASTORA PRESBITERIANA ORDENADA

Reverenda Louisa Mariah Layman Woosley (1862-1952)


Louisa Mariah Layman Woosley (1862-1952) foi a primeira mulher ministra de uma denominação presbiteriana americana. Ordenada no final do século XIX, apesar das normas sociais vigentes da época, ela serve hoje como uma inspiração para qualquer uma que tenta romper um teto de vidro.
Em 1874, aos 12 anos, Louisa Mariah Layman sentiu pela primeira vez o chamado para o ministério durante uma reunião de avivamento batista. “nunca tendo ouvir falar de uma pregadora”, ela escreveu mais tarde em Shall Woman Preach?, “e sabendo que haveria oposição, tentei me persuadir de que não era certo que as mulheres pregassem. Eu estava sem instrução e muitos obstáculos estavam no caminho; e para dizer o mínimo, a luta foi dura. Assim, passei meus dias de infância. ”[1]
Aos 18 anos, ela se casou com Curtis G. Woosley (1859-1930), um membro da Macedonia Cumberland Presbyterian Church nos arredores de Caneyville, Kentucky. O casal teve dois filhos: Alice Vianna Woosley Slaton (1880–1976) e Jasper Lovelace Woosley (1881–1964). Louisa Woosley esperava que seu marido entrasse no ministério para que ela pudesse se tornar a esposa de um ministro. Curtis permaneceu uma pessoa leiga, no entanto, provocando um período de depressão profunda para Louisa.

Delegados da Assembleia Geral da Cumberland Presbyterian Church (c. 1900)


“Durante esse tempo a escuridão aumentou; a tempestade bateu forte contra mim. Assim passaram-se meses e eu estava tão infeliz que minha vida era um fardo, e eu não me importava em viver: e ainda assim meu caminho não estava morto - eu tinha medo de morrer”. [2]

Quando a filha dos Woosley ficou doente, Louisa rogou a Deus para que ela pudesse ser pregadora se a criança se recuperasse. A criança se recuperou, e ainda assim Louisa hesitou. Em 1882, após um período intenso de estudos bíblicos, onde encontrou apoio bíblico para a ideia de ministras, ela sofreu seu próprio período de doença e ficou confinada à cama por seis meses.

Foi então que Woosley se entregou totalmente a Deus e redobrou sua determinação a pregar. “Minha saúde começou […] a melhorar. Eu não dei a conhecer a ninguém a minha intenção de pregar o evangelho, estando totalmente determinada a melhorar na primeira oportunidade oferecida. ”[3]

Sua chance veio em 1 de janeiro de 1887, quando um ministro não chegou a uma pequena igreja de Caneyville. A sessão da igreja, sabendo do profundo conhecimento de Woosley sobre a Bíblia, pediu-lhe que conduzisse o serviço do Ano Novo.
“E pela primeira vez na vida fui até a mesa sagrada e abri minha boca para Deus”, escreveu Woosley. “Oh, essa foi uma hora preciosa - um momento especial na minha memória.” [4]

De acordo com sua autobiografia, Woosley tornou-se uma pregadora de sucesso na denominação da Cumberland Presbyterian Church (CPC). Nos quatro anos seguintes, ela fez 912 sermões e recebeu 2.000 profissões de fé. Ela também publicou “Shall Woman Preach?” (Devem as mulheres pregar?), que incluiu sua autobiografia, bem como uma análise da Bíblia em relação às ministras do sexo feminino. Woosley argumentou que negar às mulheres o direito de pregar também negava o Espírito Santo.

O Presbitério de Nolin ordenou-a ao pleno ministério em novembro de 1889. Quando o Sínodo de Kentucky ordenou sua remoção do rol de pastores, o presbitério recusou. Em 1890 e 1894, o presbitério também elegeu Woosley como delegada suplente para a Assembleia Geral. Congregações e meados dos conselhos dentro da CPC tinham um maior senso de autonomia do que os corpos correspondentes em outras denominações presbiterianas. As ações do Presbitério de Nolin em apoio a Woosley foram possíveis justamente pela autonomia dessa denominação.

Em 1894, a Assembleia Geral do CPC aprovou Woosley como uma evangelista leiga em uma decisão que passou por uma pequena margem de 15 votos. Muitos defenderam o resultado com base na autonomia do conselho, mesmo que não estivessem pessoalmente preparados para aceitar ministras mulheres.

Reverenda Margaret Ellen Townerr, a primeira ministra ordenada pela PCUSA.

A questão da ordenação de mulheres persistiu na Cumberland Presbyterian Church durante anos. Pelo menos outras sete mulheres que foram ordenadas por órgãos da CPC nunca receberam a plena aceitação da Assembleia Geral. Somente em 1921, 32 anos após a ordenação da ReverendA Woosley pelo Presbitério de Nolin - a Assembleia Geral do CPC decidiu que as mulheres poderiam ser ordenadas como ministras, presbíteras e diaconisas. Essa decisão foi 35 anos antes da Presbyterian Church in the U.S.A. - PCUSA tomar uma ação semelhante, em 1956, e ordenar Margaret Ellen Towner sua primeira ministra. A Presbyterian Church in the U.S. - PCUS aprovou a ordenação de ministras mulheres em 1964. Rachel Henderlite (1905-1991) foi a primeira ministra daquela denominação.

Reverenda Rachel Henderlite (1905-1991), a primeira ministra ordenada pela PCUS.


David K.
Presbyterian Historical Society

Fontes:
K. David. Louisa Woosley and the Sacred Desk. In: Presbyterian Historical Society. Disponível em:   Acesso em: 22/03/2018.

[1] Woosley, Louisa. Shall Woman Preach? Or the Question Answered (Caneyville, Ky.: 1891), 190.
[2] Shall Woman Preach?, 190-191.
[3] Shall Woman Preach?, 195.
[4] Shall Woman Preach?, 195.

sábado, 27 de janeiro de 2018

LEMBRANÇAS DO CORAÇÃO

Revisitando o meu blog vi que esse texto estava perdido entre os rascunhos...não me lembro a data em que comecei a escrever, mas considerei oportuno publicá-lo...

Prof. Ilka Paiva regendo o Coral Canuto Regis.
Ano após ano no Culto de Louvor do Coral Canuto Regis, da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, da qual faço parte, recordo-me de pessoas tão queridas com quem eu tive a oportunidade de conviver: Newton Gomes de Paiva, Iracema Simon, Joaquim Silva, Juvenil Medeiros, Eunice Massière e tantas outras. Todas dormem no Senhor. Mas a pessoa que mais me vem a mente é a figura da minha querida Prof. Ilka Ferreira Gomes de Paiva.

Os mês de dezembro especificamente era vivido por ela com muita intensidade, os hinos com temas de natal, a expressão musical que ela possuía e conseguia transmitir a todos os coristas do Coral era algo envolvente e quem viveu não esquece.



No Culto de Louvor, que ocorre todos os terceiros domingos a noite no mês de dezembro, cantamos como encerramento do culto o Cântico de Natal - música de Adolphe Adams com tradução e adaptação de Canuto Regis - e sempre que o Coral canta essa música eu volto o meu pensamento ao passado e tento recordar dos bons momentos que desfrutamos com essas pessoas tão queridas, especialmente a da querida Ilka Paiva.



É nesse espírito que publico hoje uma pequena síntese biográfica dessa Dama Cristã que foi a Prof. Ilka, e um texto que elaborei quando do seu falecimento.



Que o exemplo desses homens e mulheres fiéis e dedicados sejam seguidos por todos nós.



Nelson de Paula Pereira


Ilka Ferreira Gomes de Paiva

Prof. Ilka Paiva regendo o Coral Canuto Regis.
  Nasceu em 03 de junho de 1920, na cidade de Nova Friburgo – RJ, seus pais eram Aurino Ferreira e Idalina Ferreira. Casou-se em 18 de dezembro de 1942 com Newton Gomes de Paiva, na Igreja Presbiteriana do Riachuelo, da qual era membro, sendo o oficiante o Rev. Galdino Moreira.


Ilka Ferreira Gomes de Paiva
        Formou-se em Técnico de Educação Musical a Artística e Professora primária pelo Instituto de Educação do Rio de Janeiro, em 1942. Realizou estudos particulares de piano, inclusive com o professor Julio de Oliveira, estudou técnica vocal com a professora Liberata Navarro, cursou música no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico com o Maestro Heitor Villa Lobos tendo sido escolhida para reger o coral na cerimônia de formatura.


Maestro Heitor Villa-Lobos e alunos, em destaque a Prof. Ilka Paiva.
Na Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro foi recebida por jurisdição em 01 de abril de 1947, pelo saudoso Rev. Amantino Adorno Vassão.


Prof. Ilka Paiva e Presb. Newton Gomes de Paiva.
Em 1949, a convite do Professor Canuto Regis, Orientador de música do Estado do Rio de Janeiro, foi transferida para o SEMA - Serviço Musical e Artística do Estado. Em 1953 assumiu a regência do coral da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro – atual Coral Canuto Regis – até 1983 quando passou a regência para Anita Lins.


Prof. Canuto Roque Regis e o Coral da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.

Anita Lins, Rev. Guilhermino Cunha e Prof. Ilka Paiva
Anita Lins regendo o Coral Canuto Regis.
Na igreja, além de regente, foi Professora da Escola Dominical (adolescentes e jovens) no período de 1943 a 1963, Conselheira do Departamento de Moças da Sociedade Auxiliadora Feminina - SAF. Foi sócia ativa da SAF-Rio. Realizou palestras em muitas Igrejas Presbiterianas no Rio de Janeiro.


Aniversário de 80 anos da  Prof. Ilka Paiva - Na ocasião o Diác. Nelson de Paula Pereira canta o hino de Julio de Oliveira - "Olhai para os lírios do campo" - juntamente com Ruth Santos.

Aniversário de 80 anos da  Prof. Ilka Paiva - Na ocasião Ruth Santos canta o hino de Julio de Oliveira - "Olhai para os lírios do campo" - juntamente com Diác. Nelson de Paula Pereira .

Aniversário de 80 anos da  Prof. Ilka Paiva - Na ocasião Ruth Santos entrega um ramos de Lírios do Campo a Prof. Ilka Paiva.

           Em 2001, com a transferência da Maestrina Anita Lins para a Cidade de Brasília, Ilka assume a regência do Coral por mais um ano. Em 2002 o Rev. Cid Pereira Caldas assume a regência.


Rev. Cid Pereira Caldas regendo o Coral Canuto Regis.

Rev. Cid Pereira Caldas regendo o Coral Canuto Regis.

          Ilka faleceu em 16 de novembro de 2003.


Prof. Ilka Ferreira Gomes de Paiva


Nelson de Paula Pereira

CURAMOS NOSSOS CORAÇÕES ATRAVÉS DO PERDÃO



Como podemos perdoar aqueles que não querem ser perdoados? Nosso maior desejo é que o perdão que oferecemos será recebido. Essa reciprocidade entre dar e receber é o que cria paz e harmonia. Mas se a nossa condição para o perdão é que será recebida, raramente vamos perdoar! Perdoar o outro é antes de mais um movimento interno. É um ato que remove raiva, amargura e desejo de vingança de nossos corações e nos ajuda a recuperar nossa dignidade humana. Não podemos forçar aqueles que queremos perdoar em aceitar o nosso perdão. Eles podem não ser capazes ou dispostos a fazê-lo. Eles podem até nem saber nem sentir que nos feriram.

As únicas pessoas que podemos realmente mudar são nós mesmos. Perdoar os outros é antes de mais curar nossos próprios corações.

Henri Nouwen

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

PERDÃO, O CAMINHO DA LIBERDADE



Perdoar uma pessoa é um ato de libertação. Nós colocamos essa pessoa livre dos laços negativos que existem entre nós. Nós dizemos: "Eu não mantenho sua ofensa contra você", mas há mais. Nós também nos libertamos do fardo de ser o "ofendido". Enquanto não perdoarmos aqueles que nos feriram, nós os carregamos com a gente ou, pior, puxamo-os como uma carga pesada. 

A grande tentação é se apegar aos nossos inimigos e então nos definir como sendo ofendido e ferido por eles. 

O perdão, portanto, não libera o outro, mas também a nós mesmos. É o caminho para a liberdade dos filhos de Deus.


Henri Nouwen