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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O ARQUIVISTA REAL

Luís Joaquim dos Santos Marrocos (Lisboa, 17 de julho de 1781 — Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 1838), bibliotecário da Real Biblioteca Portuguesa, tanto na cidade de Lisboa como no Rio de Janeiro e oficial e oficial maior da secretaria de estado dos negócios do reino (português e brasileiro)[1].

Nascido em Lisboa do ano de 1781, Luís Joaquim era o filho mais velho de Francisco José dos Santos Marrocos, bibliotecário e professor de filosofia. Esta família, a Santos Marrocos, pertencia a uma elite de funcionários e burocratas ligada à cultura e ao saber.

Ex-estudante da universidade de Coimbra a partir de 1802, o primogênito de Francisco José passou a ajudá-lo na Real Biblioteca, catalogando, reproduzindo e preservando livros e documentos.

Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1807) e o desenrolar da guerra peninsular (1807-1814) Luís entrou para a resistência portuguesa na Junta de Direção Geral dos provimentos de boca para o exército e, pouco depois, foi nomeado capitão de uma das companhias das Legiões Nacionais para a defesa de Lisboa durante a invasão francesa em Portugal.

Em 1811 é indicado pelo próprio príncipe regente D. João como o encarregado de acompanhar o deslocamento do acervo real, de aproximadamente 60.000 volumes de Portugal para o Rio de Janeiro.

Na primavera deste ano e a bordo da fragata Princesa Carlota o bibliotecário real inicia uma série de cartas que hoje é considerada uma das fontes mais preciosas dos pesquisadores que estudam a corte portuguesa no período que esta permaneceu em terras brasileiras. Estas cartas estão guardadas atualmente nos arquivos da biblioteca da ajuda, em Portugal. São aproximadamente duas centenas de cartas de mão única e endereçadas, na grande maioria, ao seu pai que permaneceu em Portugal. A primeira, como já mencionado, foi escrita a bordo da fragata Carlota Joaquina, no translado do acervo real, no dia 12 de abril de 1811 em alto-mar e a última é de 26 de março de 1821, um mês antes do retorno de D. João VI a Portugal.

Chegando ao Brasil, Rio de Janeiro, no dia 17 de junho de 1811 recebeu o cargo de escriba e encarregado de organizar os documentos da coroa em terras brasileiras, bem como, acumulando a função de bibliotecário do acervo real que acabará de trazer.

Em 22 de setembro de 1814, Luís Joaquim casa-se com a brasileira, filha de portugueses, Anna Maria de São Thiago Souza.

Em 1817 é nomeado para a secretaria de estado dos negócios do reino (português) como oficial, porém, com o retorno da família real portuguesa (22 de março de 1821) retorna aos serviços na administração das reais bibliotecas.

Após a independência do Brasil (1822) assumiu, no ano de 1824, o posto de oficial maior da secretaria de estado dos negócios do império brasileiro.

Como escriba, Luís Joaquim dos Santos Marrocos aparece em dois importantes documentos do império brasileiro: a primeira constituição do império de 1824 e a primeira lei de patente datada em 1830.

Luís Joaquim morreu em 17 de dezembro de 1838 aos 57 anos como registrado na edição do dia 18 de dezembro de 1838 no Jornal do Commercio. “faleceu ontem o sr. Luís Joaquim dos Santos Marrocos, oficial-maior da Secretaria de Estados dos Negócios do Império”.

Referências:

↑ Cartas do Rio de Janeiro Biblioteca Nacional de Portugal

GOMES, Laurentino. “1808 : Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil”. São Paulo, Ed. Planeta, 2007.

Cartas do Rio de Janeiro : 1811-1821. Edição brasileira com a transcrição parcial das «Cartas de Luís Joaquim dos Santos Morrocos, escritas do Rio de Janeiro à sua família em Lisboa, de 1811 a 1821». Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde. 56 (1934). Publicado em 1939..

Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Joaquim_dos_Santos_Marrocos Acesso em 10.02.2012. às 06h31min.

  • O bibliotecário de d. João VI
    A vida de Luiz Joaquim dos Santos Marrocos mostra o cotidiano no Rio de Janeiro do início do século XIX...e como uma esposa e um bom cargo público levaram um português a defender a independência da colônia que desprezava
    por Jean Marcel Carvalho França
    Retrato de d. João VI, óleo sobre tela, Jean-Baptiste Debret, século XIX, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro
    A vinda de d.João VI em 1808 trouxe muitos imigrantes portugueses para instalar a burocracia da corte
    Em junho de 1811, lá pelo dia 15, entrou no porto do Rio de Janeiro uma fragata portuguesa de nome Princesa Carlota. A fragata, que saíra de Lisboa em meados de março e passara por maus momentos durante a viagem – ventos contrários, calmarias prolongadas e tempestades –, estava caindo aos pedaços, e tanto a tripulação quanto os passageiros vinham esfomeados ou doentes.

    Em meio aos desafortunados viajantes, encontrava-se um homem de 30 anos, chamado Luiz Joaquim dos Santos Marrocos. O português, como muitos de sua geração, vinha de Lisboa com um emprego garantido na burocracia estatal, o de bibliotecário da Real Biblioteca, e, também como muitos de seus contemporâneos, vinha com o declarado e firme propósito de melhorar de condição e retornar para junto da sua amada família na terrinha. A vida, porém, pregou uma peça neste rabugento bibliotecário. Uma vez estabelecido no Rio de Janeiro, a terra pareceu-lhe cada dia menos hostil e ele acabou por deixar-se ficar na cidade, contrariando o que escrevera ao pai poucos meses depois do seu desembarque: “Creia (...), se Sua Alteza Real me enchesse de benefícios tais que me visse elevado a um grau sublime de representação e abundância, nada faria desvanecer da minha idéia o constrangimento em que vivo e o sumo desejo de me retirar de tão mau país. Deus permita não terminar meus dias debaixo deste horizonte (...)”.

    Esse imigrante português era filho de Francisco José dos Santos Marrocos, um professor de filosofia que também exercia, na Biblioteca Real da Ajuda, em Lisboa, o cargo de bibliotecário. Pouco se sabe sobre a sua vida antes de desembarcar no Brasil. Nascido na capital portuguesa, em 1781, desde 1802 ocupava a função de ajudante das Reais Bibliotecas. Durante a invasão francesa, havia servido na Junta de Direção Geral dos provimentos de boca para o exército e, pouco depois, foi nomeado capitão de uma das companhias das Legiões Nacionais para a defesa de Lisboa.
    Rua Direita, Rio de Janeiro, aquarela sobre papel, Félix-Emile Taunay, 1823, coleção particular
    O Rio de Janeiro para o mal-humorado imigrante Marrocos era sujo, perigoso, cheio de negros, com clima terrível e repleto de doenças: uma cidade sem divertimentos que corrompia as jovens lisboetas. Ainda assim, aqui ele ficou até à morte e fez fortuna
    Esse bibliotecário mediamente culto e empenhado, depois de se transferir para o Brasil, em 1811, progrediu muito e rapidamente. “Eu aqui principiei a adotar o sistema de Maria vai com as outras”,escreveu Marrocos em 1812. O sistema parece ter dado excelentes resultados, pois, ao morrer em 1838, com apenas 47 anos, ele exercia a importante função de Oficial-maior da Secretaria de Estado dos Negócios do Império, um cargo nada desprezível para quem, vinte e poucos anos antes, desembarcara na cidade como simples funcionário da Real Biblioteca.

    Além de tamanho progresso profissional, o país que a princípio lhe parecera tão desagradável proporcionou-lhe pelo menos uma outra grata surpresa: uma esposa. Em 22 de setembro de 1814, Marrocos, farto de estar só e doente em terra estranha, como comentou com o pai, casou-se com dona Ana Maria de Santiago Sousa, uma carioca de 22 anos de idade, filha de pai português e mãe brasileira, gente muito limpa, honesta e abastada, como explicou aos seus familiares.

    Apesar das suas explicações, a união parece ter sido muitíssimo contestada pelos parentes, que queriam vê-lo casado com uma lisboeta. Já em 1815, reclamava que não lhe agradavam asexpressões irônicas que o pai usava em carta para se referir a sua esposa e que o tratamento que lhe dispensavam deixava patente a falta de sinceridade com que era tratado desde suas núpcias.

    Apesar de ter um temperamento azedo, Marrocos não se mostrou insensível a tamanhos benefícios propiciados pelo Brasil e, com o correr dos anos, mudou um pouco a sua visão do país. Prova disso são as diferentes reações que teve quando, em duas ocasiões, se viu diante da possibilidade de trazer os parentes lisboetas para o Rio de Janeiro. Em 1812, respondendo a uma indagação do pai, que queria, ao que tudo indica, imigrar com o resto da família, o bibliotecário, depois de explicar os horrores que passariam na viagem, arrematou com a seguinte advertência:“Reflita na qualidade da terra; porque há nela sempre uma contínua epidemia de moléstias, pelos vapores crassos e corruptos do terreno e humores pestilentos da negraria e escravatura, que aqui chega da costa leste; (...) além disso, a cidade é de pouca extensão e muito semelhante ao sítio de Alfama ou, fazendo-lhe muito favor, ao bairro Alto nos seus distritos mais porcos e imundos. Ora, quem vem de Lisboa, aqui desmaia e esmorece”.
    Passeio público, aquarela, atribuído a Franz Josef Frübeck, c.1817-1818, coleção particular
    Passeio Público, próximo à casa do bibliotecário: “melhor sítio da cidade”
    Isso disse Marrocos em 1811, poucos meses após desembarcar. Mais tarde, em meados de 1819, depois de ter se casado, se adaptado à terra e, sobretudo, progredido bastante, é o próprio bibliotecário quem retorna a idéia. Determinado a convencer os seus familiares a virem para o Brasil, escreve-lhes uma longa carta, enumerando as vantagens de imigrarem. Antes de exaltar as virtudes da terra, lembra ao pai que a família levava uma vida miserável em Lisboa e que o patriotismo era um frívolo pretexto de gente caduca, ainda mais se a pátria em questão era uma terra ingratacomo Portugal. Em seguida, exalta as qualidades da vida que passara a levar depois que viera para o Brasil, vida cômoda e aprazível: morava em uma casa grande e bem localizada, tinha diversos escravos para servi-lo, comia dobom e do melhor, vestia-se com dignidade, enfim, estava numa situação muito confortável e poderia – garante ao pai – proporcionar o mesmo a ele, à mãe, à irmã e à tia.

    Logo adiante, na mesma carta, para arrematar o seu insistente convite, Marrocos destaca as qualidades do lugar onde morava e não esconde o quanto mudara a sua visão do Rio de Janeiro:“o sítio (...) é magnífico, e talvez o melhor da cidade, não só por ser lavado de bons ares, mas em uma rua muito larga e asseada, tendo no princípio um formoso chafariz, e no fim o Passeio Público (...); temos próximas 3 igrejas e 2 capelas, uma praça de hortaliças e o matadouro com açougue, além de mil outras comodidades (...); sendo de não menos vantagem a proximidade do mar para limpeza e despejo da casa (...)”.

    Tudo isso que sabemos sobre Marrocos quem nos conta é ele próprio. Ao longo da primeira das quase três décadas em que viveu no Brasil (1811-1838), o português escreveu à sua família, sobretudo ao pai, relatando o seu cotidiano. Foram 186 cartas que chegaram até nós, redigidas entre junho de 1811 e março de 1821. A última, remetida meses antes de d. João VI deixar o Brasil, dá conta de seu rompimento com a família, que parece, como referimos, não ter aceitado muito bem o seu casamento e gradativo abrasileiramento.

    Ainda que uma boa parte dessas quase duas centenas de cartas trate de suas atribuições na Biblioteca Real, do seu progresso profissional, da falta que sentia de notícias da família e das mazelas dos políticos e funcionários que cercavam d. João VI – quase todos pintados como corruptos, ignorantes, levianos e incapazes de pensar no bem comum –, Marrocos encontrou tempo para tecer comentários ligeiros um pouco sobre tudo, da saúde dos membros da família real ao enervante espírito patriótico que tomava conta dos brasileiros.
    Primeiras ocupações da manhã, aquarela sobre papel, Jean-Baptiste Debret, 1826, Museus Castro Maya, Rio de Janeiro
    Marrocos apreciava possuir escravos, mas não gostava do barulho dos negros nas ruas
    VIOLÊNCIA URBANA Luiz também estava constantemente atento ao estado da saúde pública do Rio de Janeiro. A cidade, que crescera desmedida e rapidamente, era imunda, rodea da de águas podres e com um clima que o bibliotecário reputava pavoroso: “Mais pestífero do que Cacheu, Caconda, Moçambique, e todos os mais da costa de Leste; (...) aqui anda sempre o são Viá tico por casa dos enfermos, de dia e de noite; e há pouco soube que só na igreja da Misericórdia desta cidade se enterraram no ano de 1811 para cima de 300 pessoas naturais de Lisboa!”.

    O pânico em relação às condições de higiene e saúde do Rio de Janeiro não diminuiu com os anos. Ao contrário, de tempos em tempos, Marrocos reportava ao pai e à irmã que a cidade estava sendo assolada por uma epidemia e que a sua saúde não ia bem. Há cartas que são verdadeiros obituários, com nomes e nomes de portugueses mortos em alguma epidemia. Em 1816, por exemplo, comunica à família que padeceu com as hemorróidas – neste país são mais ativas que em Portugal–, que perdeu 2 negros para as bexigas e que todos em sua casa sofreram nesta estação de epidemias que têm grassado por toda a cidade, causando grande mortandade.

    Outro tema igualmente presente nas missivas é a violência urbana. O centro do Rio de Janeiro e os seus subúrbios, narra o bibliotecário, estavam infestados de ladrões, que roubavam, sem qualquer constrangimento, logo ao princípio da noite. Em 1813, Marrocos conta ao pai que tinham sido registrados 22 assassinatos na cidade em apenas cinco dias, muitos deles executados deforma bárbara. A situação era tal que o chefe de polícia tinha sido não somente roubado, mas ainda esbofeteado, pois trazia consigo pouco dinheiro.

    O bibliotecário também contou à família sobre as dezenas de comemorações que o intendente Paulo Fernandes vinha organizando para homenagear a família real e trazer o povo entretido. Pelo que narra Marrocos, comemorava-se de tudo, de casamentos e batizados ao restabelecimento de um príncipe ou princesa doente, sempre com muita pompa e circunstância, com missa e festança que se espalhava por toda a cidade.
    O Rio de Janeiro pintado por Marrocos, no entanto, não obstante essas comemorações cívicas e outras de caráter religioso é uma cidade carente de divertimentos, em que os que tinham um par de patacas promoviam em sua casa partidas noturnas, por não haverem outros entretenimentos.

    Malgrado, no entanto, essa carência de divertimentos, de vida social, Marrocos comenta que o Brasil é denominado com razão de terra dos vícios e da perdição e que muitas moças de Lisboa, quando se mudavam para o Rio de Janeiro, adotavam um mau procedimento e passavam a levar uma vida viciosa. Muitos cariocas, lamenta o bibliotecário, olhavam com desconfiança as moças de Lisboa, que já tinham no Rio de Janeiro a mesma reputação – má reputação – que as brasileiras tinham em Portugal.

    Dizer mal dos portugueses, a propósito, tornava-se um hábito cada vez mais comum entre os brasileiros que, de dia para dia, observa Marrocos, estavam mais impertinentes no seu patriotismo. Em 1815, quando o Brasil foi promovido a Reino Unido de Portugal e Algarves, tal impertinência, segundo o bibliotecário, tornou-se excessiva, insuportável.

    “Pelas gazetas que ultimamente remeti a vossa mercê, lhe será constante o brado que aqui se ouviu pela elevação destes Estados a Reino (...). O senado, que em tudo se quer distinguir, em tudo dá a conhecer que é Senado do Brasil e por isso fez a função mais porca, que eu não esperava ver. Em despique à mesquinhez do Senado, o Corpo do Comércio, todo bazófia, reserva para depois da Páscoa a sua função alusiva ao mesmo objeto, e em que prometem o maior aparato e grandeza, à imitação das Festas Reais de Lisboa.”

    Esse lusitanismo ressentido de Marrocos aquiesceu com o passar do tempo, ao ponto de o imigrante romper com a família, apoiar o processo de Independência e, pelo que se infere da sua rápida ascensão nos quadros burocráticos do Brasil de d. Pedro I, abraçar de corpo e alma a nova pátria. O seu mau humor em relação a certos aspectos da vida carioca, contudo, não diminuiu. Enquanto durou a sua correspondência com os parentes lisboetas, o português não poupou censuras aos brasileiros, a quem tinha na conta de uma gente indigníssima, soberba, vaidosa e libertina. O país, também, nunca chegou a agradar-lhe completamente: as comidas típicas provocavam-lhe náuseas, os animais e insetos despertavam-lhe um verdadeiro horror, o alarido das ruas povoadas por negros desgostava-o.

    Apesar de tudo isso, Marrocos foi ficando e nunca mais mencionou retornar para Portugal, país que também não tinha em alta conta. Ao descer ao túmulo em dezembro de 1838, o ex-bibliotecário era um homem realizado: tinha família grande, era Oficial-maior de Secretaria, pertencia à Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula e seu enterro tinha sido prestigiado por grande número de pessoas, entre as quais, certamente, muita gente graúda.
    Jean Marcel Carvalho França é professor do Departamento de História da Unesp e autor, entre outros livros, de Literatura e sociedade no Rio de Janeiro oitocentista (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1999) e Outras visões do Rio de Janeiro colonial (José Olympio, 2000).
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

JUBILEU DE DIAMANTE - QUEEN ELIZABETH

A realeza britânica divulgou nesta terça-feira o retrato oficial do jubileu de diamante da rainha Elizabeth II. Elizabeth II completou nesta segunda-feira 60 anos como rainha do Reino Unido.

A foto, tirada no Salão Central do Palácio de Buckingham, em Londres, foi divulgada no site oficial do jubileu da rainha.

Elizabeth II foi elevada ao trono do país em 6 de fevereiro de 1952, após a morte de seu pai, George VI, vítima de uma trombose coronária. Ela foi oficialmente coroada rainha do Reino Unido em 2 de junho de 1953.

As celebrações do jubileu de diamante da rainha serão realizadas com uma série de eventos promovidos pela Família Real nos próximos meses.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A ÚLTIMA GRANDE POLÊMICA 1923



A ÚLTIMA GRANDE POLÊMICA 1923

O ano de 1923 é marcado por uma polêmica que vai envolver não só protestantes, mas todos aqueles que não eram católicos. A construção de uma estátua do Cristo Redentor no morro do Corcovado. A forte reação dos protestantes começou antes mesmo da inauguração da estátua, ocorrida em 12 de outubro de 1931.

O Jornal Batista de 22 de março de 1923 estampava a seguinte manchete:

“Já está constituída a grande comissão para levar avante o plano de erigir no alto do Corcovado a imagem de Cristo. Isto será a um tempo um atestado eloquente de idolatria da igreja de Roma e uma afronta a Deus. No dia em que tal crime se consumar, bom seria que todos os verdadeiros cristãos no Brasil se reunissem em culto penitencial, para pedir a Deus que não imputasse a todo o Brasil esse grande pecado, cuja responsabilidade deve recair sobre a Igreja Católica e sobre os governantes que não souberam ou não quiseram fugir à armadilha, preparada por ela com a isca do patriotismo. Deus tenha misericórdia de nós”.[1]


A reação não era contra a figura de Jesus como redentor, mas o que era temido era a transformação daquele símbolo cristão em imagem de adoração, contrariando o segundo mandamento:


“Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.[2]


Os protestantes viam a construção da estátua como uma quebra do mandamento de Deus dado a Moisés.


A grande polêmica era a propósito do santuário e não da estátua do Cristo Redentor, subvencionada à construção pelo Estado, contrariando o Decreto 119-A[3] que proibia a intervenção da autoridade federal e dos Estados federados em matéria religiosa, que consagrava a plena liberdade de cultos, extinguia o padroado e estabelecia outras providências.


Em 11 de setembro de 1923 o Deputado Federal Adolfo Bergamini, dizia na sessão do Conselho Municipal o seguinte: “os processos vergonhosos de arranjar dinheiro” para as obras do Cristo Redentor:

“Uma avalanche de senhoras, de moças, de raparigas e de homens [...] vem á rua, de sacola em punho [...] a mendigar, a pedir, a solicitar, por todos os lugares, nas calçadas, nas esquinas, nas casas comerciais, nas repartições públicas, nos bancos, por toda a parte, transformando a grande população do Rio de Janeiro num verdadeiro Cristo”.[4]

E não terminava aí a reação, em 13 de setembro de 1923, mais uma vez o Jornal Batista publicava:


“Os que tiveram a infeliz idéia de erigir o monumento a Cristo Redentor, não tiveram a intenção de honrar a Cristo, mas sim a de engrandecer o catolicismo romano, o paganismo. Se tivesse querido honrar a Cristo, procurariam erigir-lhe um monumento não no Corcovado, mas em cada coração. No coração é que Cristo quer reinar. Eles, porém, pretendem honrar a Cristo, desonrando-o, fazendo aquilo que ele terminantemente proibiu — fazendo-lhe uma imagem”.[5]

Que Cristo é esse que precisa de esmolas?


O Professor José Rodrigues Leite e Oiticica, no Correio da Manhã de 17 de abril de 1926, escreveu um artigo contra a construção do monumento, dizia ele: “Peço-lhes por quantos anjos há no céu que desistam da empresa começada [...] Encarapitar uma estátua divina em um monte para nesse monte adorar Deus é duplamente contrariar o preceito do Eterno”.[6] Concordando, assim, com o princípio bíblico já mencionado, o segundo mandamento.


O grupo contrário à construção sugeria que o valor arrecadado deveria ser investido na construção de um hospital para crianças, pois havia falta de um na cidade. Dizia Adolfo Bergamini: “em vez de colocar Cristo no cume de um dos nossos morros para presidir, de lá, à miséria que vai cá por baixo, autorizem o Prefeito a gastar uma determinada importância com um hospital”.[7]


Inconformados com essa situação, em 16 de setembro de 1923 mais de seiscentos protestantes (metodistas, congregacionais, batistas e presbiterianos) se reuniram no Pavilhão Presbiteriano da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro para protestar contra a construção do monumento. Nesse encontro ficou resolvido: 1) Enviar telegramas e abaixo-assinados de protesto ao Conselho Municipal, ao Senado e à Presidência da República; 2) Agitar a opinião pública pela imprensa; 3) Solicitar a todas as igrejas, congregações e grupos de crentes que se congreguem em oração em favor da liberdade de consciência, seriamente ameaçada, e pedir a Deus que confunda os planos dos adversários; 4) Levantar o

maior número possível de assinaturas para subscrever o protesto a ser encaminhado às autoridades. Nesta reunião foi eleita a seguinte mesa diretora: Rev. Álvaro Reis, Presidente; Rev. Erasmo Braga, Vice-Presidente; Rev. Francisco A. Souza, 1º Secretário; Pr. Salomão Ginsburg, 2º secretário; e J. Souza Marques, Tesoureiro.


Em 22 de novembro foi entregue um abaixo assinado ao Presidente da República Federativa do Brasil, Artur da Silva Bernardes, no Palácio do Catete. O abaixo-assinado vinha da Igreja Batista de Alagoas, com 348 assinaturas; o da Igreja Presbiteriana de Alto Jequitibá, MG, com 315 assinaturas; e o da Igreja Presbiteriana Independente de Curitiba, com 313 assinaturas, dentre

outros. Artur da Silva Bernardes abriu o envelope e leu: “Nós, abaixo assinados, vimos respeitosamente protestar, em nome da Lei de Deus no Decálogo e da Constituição Republicana, contra o atropelo da liberdade religiosa, com a apropriação indébita de dinheiro e logradouros públicos, para colocação de símbolos religiosos, como a estátua de Cristo no Corcovado, que fere a consciência de milhares de brasileiros”.[8]

Nosso Pastor, Rev. Álvaro Reis, escreveria, ainda, uma série de artigos nos jornais Correio de Manhã e no O Jornal.


Seja como for em 12 de outubro de 1931 a estátua era inaugurada com a presença do a Presidente Getúlio Dorneles Vargas e do Cardeal Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra. O Rev. Álvaro Reis não estava mais entre nós.

Ao completar 75 anos, em 12 de outubro de 2006, o Cristo Redentor foi transformado em santuário católico do Brasil. O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eusébio Oscar Scheid, disse que o local deixou de ser apenas ponto turístico e se tornou local de peregrinação. Casamentos e batizados também podem ocorrer aos pés da estátua, de 38 metros de altura.[9]

Prof. Nelson de Paula

Historiador
Coordenador do Centro de Documentação - CENDOC e
Diretor do Museu da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro
nelsondepaula@iprj.org.br

SAIBA MAIS ADQUIRINDO O LIVRO:



[1] Jornal Batista – 23 de março de 1923.

[2] Bíblia Sagrada – Êxodo 20. 4 a 6.

[3] BRASIL. Decretos do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, primeiro fascículo de 1 a 31 de janeiro de 1890. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1890, p. 10.

[5] Jornal Batista – 13.09.1923.

[6] Jornal Correio da Manhã – 17.04.1926.

[7] Citado em < http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/303/rio-de-janeiro-1923-a-forte-reacao-protestante-ao-cristo-redentor> Acesso em 01.07.2011.

[8] ibid.

[9] Jornal Folha de São Paulo online. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u126998.shtml> Acesso em 01.07.2011.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"Me recuso a dizer que perdi a esperança"

Eric Hobsbawm: "Me recuso a dizer que perdi a esperança"PDFImprimirE-mail
História
Eric Hobsbawm
Sex, 25 de Setembro de 2009 16:03

Eric Hobsbawm
Eric Hobsbawm
O historiador Eric Hobsbawm - que tem sua trilogia (A Era das Revoluções, A Era do Capital e A Era dos Extremos) reeditada no Brasil - diz que o aniversário da queda do Muro de Berlim deveria motivar uma discussão sobre o Ocidente pós-guerra fria. Defendendo suas convicções marxistas, ele afirmou: "Me recuso a dizer que perdi a esperança". Para Hobsbawn, o capitalismo chegou ao seu limite.

Quando Eric Hobsbawm estava escrevendo "A Era do Capital" -lançado em 1975-, explicou que fazia um imenso esforço para estudar algo que não lhe agradava nem um pouco. Hoje, o historiador marxista diz ter o mesmo sentimento, "eu não gostava da burguesia vitoriana e ainda não gosto, embora apreciasse o dinamismo daquele tempo". À essa impressão, porém, vem adicionando, nos últimos anos, mais uma, a nostalgia.

"Agora, quando comparo o século 19 com o 20, sinto simpatia pelo modo como aqueles homens acreditavam no progresso. Foi um século de esperança. E essa minha nostalgia cresce à medida que o tempo passa e vejo, com pessimismo, o que vem acontecendo", diz.

Hobsbawm, 92, conversou com a Folha por telefone, de Londres, justamente sobre a reedição no Brasil de sua trilogia sobre o século 19 ("A Era das Revoluções", "A Era do Capital", "A Era dos Impérios"), já um clássico da historiografia sobre o período, pela editora Paz e Terra -que também relançará em 2010 outro título do historiador, "Bandidos".

Na trilogia, Hobsbawm analisou o que chamou de "longo século 19", período que vai de 1789 a 1914. Começa com as revoluções europeias que definiram a expansão do capitalismo e do liberalismo no planeta -a Francesa e a Industrial inglesa- e vai até as vésperas da Primeira Guerra Mundial.

Apesar dos ataques que sofre por ainda defender a bandeira do comunismo, os três volumes de Hobsbawm são reimpressos todos os anos na Inglaterra, tendo sua explicação sobre o tema se imposto como uma espécie de cânone.

Hobsbawm é com frequência procurado para comentar temas do presente -algo que seus críticos tampouco perdoam. Agora, às vésperas do aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim (em novembro), seu conhecimento sobre os tempos que estudou e vivenciou, assim como suas convicções políticas, são novamente trazidos ao debate.

"A queda do Muro foi o fim de uma era. Não só para a Europa do Leste, mas para o mundo inteiro. O capitalismo chegou a seu limite e a a crise econômica mundial indica claramente o fim de um ciclo."

Contudo, o historiador considera que as discussões sobre o episódio estão muito centradas em tentar entender por que a experiência comunista fracassou, quando o que deveria estar na pauta é o futuro do Ocidente. Para ele, o mundo pós-Guerra Fria ainda não fez uma necessária autocrítica.

Leia trechos da entrevista que Eric Hobsbawm concedeu à Folha:

O que mais deveria ser discutido no aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim?

A celebração é oportuna porque o capitalismo agora chegou a seu limite. A crise econômica mundial é o fim de um ciclo, que começou a ruir quando caiu o Muro em Berlim. No Leste Europeu, vejo dificuldade em rompimento com o legado comunista. Mas é o Ocidente quem deve refletir mais sobre o que ocorreu na Guerra Fria e o que pode ser feito para evitar um novo colapso.

As "Eras" são consideradas um exemplo de boa análise histórica dedicada a um amplo período. O sr. acha que falta ambição a historiadores hoje?

Para fazer história com uma perspectiva maior, é preciso ser um intelectual maduro. Hoje, os jovens historiadores gastam muito mais tempo em suas especializações. Quando estão aptos a dar um passo maior, hesitam. A história equivocadamente se afastou da "história total" que fazia Fernand Braudel [1902-1985].

O sr. começa "A Era dos Impérios" contando uma história autobiográfica (a do encontro de seus pais no Egito) e então propõe uma reflexão sobre história e memória. Quão diferente foi escrever este volume, que se refere a passagens mais próximas do seu olhar no tempo, do que os anteriores?

Neste livro tive de trabalhar com o que chamo de "zona de penumbra", onde se misturam nossas lembranças e tradições familiares com o que aprendemos depois sobre determinado período. Não é fácil, pois trata-se de um território de incertezas e em que há um elemento afetivo. Por outro lado, trata-se de uma oportunidade de estimular aquele que lê a pensar sobre como seu próprio passado está relacionado com a história.

Em seu novo livro ("Reappraisals"), o historiador britânico Tony Judt escreveu um ensaio sobre o senhor ("Eric Hobsbawm and the Romance of Communism"). Neste, mostra admiração por seu conhecimento, mas faz uma severa crítica: "para fazer o bem no novo século, nós devemos começar dizendo a verdade sobre o antigo. Hobsbawm se recusa a mirar o demônio na cara e chamá-lo pelo nome". Como o sr. responderia a seu colega?

A crítica de Judt não se justifica. O que ele quer é que eu diga que estava errado. Em "A Era dos Extremos", eu encaro o problema, o critico e condeno. Não tenho problemas em dizer que a Revolução Russa causou dor e sofrimento à população russa. Porém, o esforço revolucionário foi algo heroico. Uma tentativa de melhorar a sociedade como não se viu mais na história. Me recuso a dizer que perdi a esperança.

O sr. havia dito, numa entrevista ao "Independent", que havia alguns clubes dos quais não iria ser sócio nunca, referindo-se aos intelectuais ex-comunistas. Ainda pensa assim?

Não vejo problema quando um intelectual, especialmente de países do Leste Europeu, percebe que a democracia é melhor do que o sistema autoritário em que vivia. É normal a mudança de posição quando surgem fatos novos. O ex-comunista que condeno é aquele que antes militava em grupos de esquerda e que hoje tem uma bandeira única, a de ser anticomunista apenas, esquecendo-se do resto das ideias pelas quais lutava. Também me entristece ver intelectuais jovens, que não passaram pela história dessas lutas, repetindo e tentando tirar benefício desse mesmo tipo de propaganda.

A América Latina está às vésperas de comemorar, em vários países, os 200 anos do início das lutas de independência. Que análise faz do atual momento?

A dependência econômica ainda é um fato, mas politicamente a América Latina é cada vez mais livre. Washington jamais voltará a exercer a influência de antes, tampouco a apoiar golpes ou ditaduras como fez no passado. O que está acontecendo em Honduras é um sinal disso. O Brasil tem papel central nesse processo, uma vez que o México se transforma cada vez mais em apêndice dos EUA.

Fonte: http://www.socialismo.org.br/portal/historia/148-entrevista/1149-eric-hobsbawm-qme-recuso-a-dizer-que-perdi-a-esperancaq

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

INOCÊNCIA


Guie uma criança pelo caminho que ela deve seguir e guie-se por ela de vez em quando. Josh Billings

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A CONFRARIA DOS MACACOS - Parte I

Ah! esta velha sabedoria popular, quanto tens para me ensinar!!!

Pois é, o macaco esconde seu próprio rabo, porque imagina que, assim, ninguém vendo o seu, nada irá reparar, não é mesmo? Mas existe outro provérbio bastante popular que aprendi com meu avô que dizia que”... o macaco tantas faz, que um dia esquece o próprio rabo”. Ou seja, os “espertos” tanto aprontam que, um dia, acabam esquecendo da própria esperteza e deixam o rabo à mostra, ou, as marcas de sua cupidez.