Total de visualizações de página

sábado, 20 de janeiro de 2018

PATRONO DA INDEPENDÊNCIA

Desenho de Sébastien Auguste Sisson (1824 – 1893), retratando o "Patriarca da Independência", José Bonifácio de Andrada e Silva.

Após 196 anos da proclamação da Independência do Brasil (1822-2018), a Lei n° 13.625/2018, de autoria do Deputado Federal João Paulo Papa, de São Paulo, o Patriarca da Independência - como era, até então conhecido José Bonifácio - é reconhecido oficialmente como Patrono da Independência. 

JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA (1763-1838), era natural de Santos, SP. Foi um grande estadista brasileiro. Conhecido como o Patriarca da Independência, por seu papel no processo de independência do Brasil de Portugal em 1822. Foi Ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros. Irmão de Manuel Francisco Ribeiro de Andrada e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, os três eram conhecidos como "os irmãos Andrada". José Bonifácio foi tutor de Dom Pedro II, na época do período regencial brasileiro. Foi naturalista, descobrindo quatro minerais, um deles a petalita, o que mais tarde possibilitou a descoberta do lítio e andradita, este último nome dado em sua homenagem. Foi Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil e Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho, a mais alta posição hierárquica maçônica. 

O monumento que vemos está localizado no Largo São Francisco de Paula, no Centro do Rio de Janeiro. Uma homenagem do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB, de autoria do escultor francês Louis Rochet (1813-1878). Inaugurado em 07/09/1872, na presença do Imperador Dom Pedro II (1825-1891). José Bonifácio faleceu aos 75 anos de idade em Niterói, RJ, em 06/04/1838 e seu corpo transladado para a Corte e velado por 20 dias na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, RJ. 

Monumento em homenagem a José Bonifácio de Andrada e Silva. Largo São Francisco de Paulo, Centro, Rio de Janeiro, RJ.


Sua filha, Gabriela Frederica Ribeiro de Andrada transladou o corpo do pai para a capela mor da Igreja do Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Santos, SP. A sepultura ficou esquecida, até que em 1869, o artista circense, Antônio Carlos do Carmo, colocou uma lápide para identificação do túmulo do Patriarca da Independência. Em 1821, iniciou-se a construção do Panteão dos Andradas, inaugurado em 1822, na capela mor. O conjunto escultórico é de autoria do escultor José Maria Oscar Rodolpho Berdadelli y Thierry (1852-1931). Bernardelli representou o Patriarca da Independência no leito de morte. Bernardelli era mexicano, mas naturalizou-se brasileiro em 1874.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Centro, Rio de Janeiro, RJ.
Igreja do Convento de Nossa Senhora do Carmo em Santos, SP.
Panteon dos Andradas

Panteon dos Andradas

sábado, 30 de dezembro de 2017

A ÚLTIMA HORA


Filhinhos, é chegada a última hora.  I João 2. 18

Com a vinda de Deus na história já estamos no tempo “último”, depois do qual a passagem final será a segunda e definitiva vinda de Cristo. Naturalmente fala-se, aqui, da qualidade do tempo, não da quantidade. Com Jesus veio a “plenitude” do tempo, plenitude de significado e plenitude de salvação. E não haverá uma nova revelação, mas a manifestação plena do que Jesus já revelou. Neste sentido estamos na “última hora”; cada momento da nossa vida não é provisório, é definitivo, e cada uma das nossas ações está cheia de eternidade, portanto tomemos cuidado com nossas ações e omissões, uma palavra “mal dita”, mata! Não passe adiante uma história que você não viu com os seus olhos e não ouviu com os seus ouvidos. Tal atitude pode destruir a honra, a moral e a vida de uma pessoa e você será cobrado por Deus. Isso é difamação. Além de ser crime, é pecado! (Salmos 15. 1-3; Provérbios 10. 18; 16.28). No final, todos comparecerão diante do Tribunal de Cristo, todos! (Romanos 14. 10; II Coríntios 5. 10).

Com efeito, a resposta que damos hoje a Deus, que nos ama em Jesus Cristo, incide sobre o nosso futuro. A visão bíblica e cristã do tempo e da história não é cíclica, e sim linear: é um caminho que se orienta para um cumprimento. Por conseguinte, um ano que transcorreu não nos leva a uma realidade que acaba, mas a uma realidade que se cumpre, é mais um passo rumo à meta que está diante de nós: uma meta de esperança e uma meta de felicidade, porque encontramos Deus, razão da nossa esperança e fonte da nossa alegria.

ORAÇÃO
Deus, em cujo nome começaremos uma nova etapa da nossa peregrinação terrena, nos ensine a acolher o Deus feito homem, para que cada ano, mês e dia esteja repleto do seu amor eterno. Assim seja!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

MINISTÉRIO E VIDA ESPIRITUAL



Todas as palavras e ações de Jesus emergem de suas relações íntimas com seu Pai. "Não crês que Eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que Eu vos digo não as digo em minha própria autoridade; mas o Pai, que habita em mim, realiza as suas obras. Crede-me quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; crede-o, ao menos por causa das mesmas obras." (João 14: 10-11).

Assim como todas as palavras e ações de Jesus emergem de sua comunhão com seu Pai, então todas as nossas palavras e ações devem emergir da nossa comunhão com Jesus. "Em verdade, em verdade vos asseguro que aquele que crê em mim fará também as obras que Eu faço e outras maiores fará, pois eu vou para o meu Pai. E assim, seja o que for que vós pedirdes em meu Nome, isso Eu farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho."_ (João 14: 12-13). É essa verdade profunda que revela a relação entre a vida espiritual e a vida do ministério.

Henri Nouwen

domingo, 12 de novembro de 2017

NA MEMÓRIA DE JESUS E DOS SANTOS



Pertencer à comunhão dos santos significa estar conectado com todas as pessoas transformadas pelo Espírito de Jesus. Essa conexão é profunda e íntima. Aqueles que viveram como irmãos e irmãs de Jesus continuam a viver dentro de nós, mesmo que tenham morrido, assim como Jesus continua a viver dentro de nós, mesmo que ele tenha morrido.

Vivemos nossas vidas em memória de Jesus e dos santos, e essa memória é uma presença real. Jesus e seus santos fazem parte do nosso conhecimento mais íntimo e espiritual de Deus. Eles nos inspiram, nos guiam, nos encorajam e nos dão esperança. Eles são a fonte de nossa constante transformação. Sim, nós os carregamos em nossos corpos e assim os mantém vivos para todos com quem vivemos e trabalhamos.

Henri Nouwen

terça-feira, 21 de março de 2017

CONFESSIO FLUMINENSIS, A Confissão de Fé da Guanabara

CONFISSÃO DE FÉ

O texto foi transcrito de CRESPIN, Jean. A Tragédia da Guanabara ou História dos Protomartires do Cristianismo no Brasil. Rio de Janeiro: Tipografia e Litografia Pimenta & C., 1917. Traduzido do francês por Domingos Ribeiro. A Confissão de Fé fora escrita em latim e foi traduzida pelo Rev. Erasmo de Carvalho Braga (1877-1932).

Segundo a doutrina de S. Pedro Apóstolo, em sua primeira epístola, todos os cristãos devem estar sempre prontos para dar razão da esperança que neles há, e isso com toda a doçura e benignidade, nós abaixo assinados, Senhor de Villegaignon, unanimemente (segundo a medida de graça que o Senhor nos tem concedido) damos razão, a cada ponto, como nos haveis apontado e ordenado, e começando no primeiro artigo:

I. Cremos em um só Deus, imortal, invisível, criador do céu e da terra, e de todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis, o qual é distinto em três pessoas: o Pai, o Filho e o Santo Espírito, que não constituem senão uma mesma substância em essência eterna e uma mesma vontade; o Pai, fonte e começo de todo o bem; o Filho, eternamente gerado do Pai, o qual, cumprida a plenitude do tempo, se manifestou em carne ao mundo, sendo concebido do Santo Espírito, nasceu da virgem Maria, feito sob a lei para resgatar os que sob ela estavam, a fim de que recebêssemos a adoção de próprios filhos; o Santo Espírito, procedente do Pai e do Filho, mestre de toda a verdade, falando pela boca dos profetas, sugerindo as coisas que foram ditas por nosso Senhor Jesus Cristo aos apóstolos. Este é o único Consolador em aflição, dando constância e perseverança em todo bem.
Cremos que é mister somente adorar e perfeitamente amar, rogar e invocar a majestade de Deus em fé ou particularmente.

II. Adorando nosso Senhor Jesus Cristo, não separamos uma natureza da outra, confessando as duas naturezas, a saber, divina e humana nele inseparáveis.

III. Cremos, quanto ao Filho de Deus e ao Santo Espírito, o que a Palavra de Deus e a doutrina apostólica, e o símbolo, nos ensinam.

IV. Cremos que nosso Senhor Jesus Cristo virá julgar os vivos e os mortos, em forma visível e humana como subiu ao céu, executando tal juízo na forma em que nos predisse no capítulo vinte e cinco de Mateus, tendo todo o poder de julgar, a Ele dado pelo Pai, sendo homem.
E, quanto ao que dizemos em nossas orações, que o Pai aparecerá enfim na pessoa do Filho, entendemos por isso que o poder do Pai, dado ao Filho, será manifestado no dito juízo, não todavia que queiramos confundir as pessoas, sabendo que elas são realmente distintas uma da outra.

V. Cremos que no santíssimo sacramento da ceia, com as figuras corporais do pão e do vinho, as almas fiéis são realmente e de fato alimentadas com a própria substância do nosso Senhor Jesus, como nossos corpos são alimentados de alimentos, e assim não entendemos dizer que o pão e o vinho sejam transformados ou transubstanciados no seu corpo, porque o pão continua em sua natureza e substância, semelhantemente ao vinho, e não há mudança ou alteração.
Distinguimos todavia este pão e vinho do outro pão que é dedicado ao uso comum, sendo que este nos é um sinal sacramental, sob o qual a verdade é infalivelmente recebida. Ora, esta recepção não se faz senão por meio da fé e nela não convém imaginar nada de carnal, nem preparar os dentes para comer, como santo Agostinho nos ensina, dizendo: “Porque preparas tu os dentes e o ventre? Crê, e tu o comeste.”
O sinal, pois, nem nos dá a verdade, nem a coisa significada; mas Nosso Senhor Jesus Cristo, por seu poder, virtude e bondade, alimenta e preserva nossas almas, e as faz participantes da sua carne, e de seu sangue, e de todos os seus benefícios.
Vejamos a interpretação das palavras de Jesus Cristo: “Este pão é meu corpo.” Tertuliano, no livro quarto contra Marcião, explica estas palavras assim: “este é o sinal e a figura do meu corpo.”
S. Agostinho diz: “O Senhor não evitou dizer: — Este é o meu corpo, quando dava apenas o sinal de seu corpo.”
Portanto (como é ordenado no primeiro cânon do Concílio de Nicéia), neste santo sacramento não devemos imaginar nada de carnal e nem nos distrair no pão e no vinho, que nos são neles propostos por sinais, mas levantar nossos espíritos ao céu para contemplar pela fé o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus, sentado à destra de Deus, seu Pai.
Neste sentido podíamos jurar o artigo da Ascensão, com muitas outras sentenças de Santo Agostinho, que omitimos, temendo ser longas.

VI. Cremos que, se fosse necessário pôr água no vinho, os evangelistas e São Paulo não teriam omitido uma coisa de tão grande consequência.
E quanto ao que os doutores antigos têm observado (fundamen­tando-se sobre o sangue misturado com água que saiu do lado de Jesus Cristo, desde que tal observância não tem fundamento na Palavra de Deus, visto mesmo que depois da instituição da Santa Ceia isso aconteceu), nós não podemos hoje admitir necessariamente.

VII. Cremos que não há outra consagração senão a que se faz pelo ministro, quando se celebra a ceia, recitando o ministro ao povo, em linguagem conhecida, a instituição desta ceia literalmente, segundo a forma que nosso Senhor Jesus Cristo nos prescreveu, admoestando o povo quanto à morte e paixão do nosso Senhor. E mesmo, como diz santo Agostinho, a consagração é a palavra de fé que é pregada e recebida em fé. Pelo que, segue-se que as palavras secretamente pronunciadas sobre os sinais não podem ser a consagração como aparece da instituição que nosso Senhor Jesus Cristo deixou aos seus apóstolos, dirigindo suas palavras aos seus discípulos presentes, aos quais ordenou tomar e comer.

VIII. O santo sacramento da ceia não é alimento para o corpo como para as almas (porque nós não imaginamos nada de carnal, como declaramos no artigo quinto) recebendo-o por fé, a qual não é carnal.

IX. Cremos que o batismo é sacramento de penitência, e como uma entrada na igreja de Deus, para sermos incorporados em Jesus Cristo. Representa-nos a remissão de nossos pecados passados e futuros, a qual é adquirida plenamente, só pela morte de nosso Senhor Jesus.
De mais, a mortificação de nossa carne aí nos é representada, e a lavagem, representada pela água lançada sobre a criança, é sinal e selo do sangue de nosso Senhor Jesus, que é a verdadeira purificação de nossas almas. A sua instituição nos é ensinada na Palavra de Deus, a qual os santos apóstolos observaram, usando de água em nome do Pai, do Filho e do Santo Espírito. Quanto aos exorcismos, abjurações de Satanás, crisma, saliva e sal, nós os registramos como tradições dos homens, contentando-nos só com a forma e instituição deixada por nosso Senhor Jesus.

X. Quanto ao livre arbítrio, cremos que, se o primeiro homem, criado à imagem de Deus, teve liberdade e vontade, tanto para bem como para mal, só ele conheceu o que era livre arbítrio, estando em sua integridade. Ora, ele nem apenas guardou este dom de Deus, assim como dele foi privado por seu pecado, e todos os que descendem dele, de sorte que nenhum da semente de Adão tem uma centelha do bem.
Por esta causa, diz São Paulo, o homem natural não entende as coisas que são de Deus. E Oséias clama aos filho de Israel: “Tua perdição é de ti, ó Israel.” Ora isto entendemos do homem que não é regenerado pelo Santo Espírito.
Quanto ao homem cristão, batizado no sangue de Jesus Cristo, o qual caminha em novidade de vida, nosso Senhor Jesus Cristo restitui nele o livre arbítrio, e reforma a vontade para todas as boas obras, não todavia em perfeição, porque a execução de boa vontade não está em seu poder, mas vem de Deus, como amplamente este santo apóstolo declara, no sétimo capítulo aos Romanos, dizendo: “Tenho o querer, mas em mim não acho o realizar.”
O homem predestinado para a vida eterna, embora peque por fragilidade humana, todavia não pode cair em impenitência.
A este propósito, S. João diz que ele não peca, porque a eleição permanece nele.

XI. Cremos que pertence só à Palavra de Deus perdoar os pecados, da qual, como diz santo Ambrósio, o homem é apenas o ministro; portanto, se ele condena ou absolve, não é ele, mas a Palavra de Deus que ele anuncia.
Santo Agostinho, neste lugar diz que não é pelo mérito dos homens que os pecados são perdoados, mas pela virtude do Santo Espírito. Porque o Senhor dissera aos seus apóstolos: “recebei o Santo Espírito;” depois acrescenta: “Se perdoardes a alguém os seus pecados,” etc.
Cipriano diz que o servo não pode perdoar a ofensa contra o Senhor.

XII. Quanto à imposição das mãos, essa serviu em seu tempo, e não há necessidade de conservá-la agora, porque pela imposição das mãos não se pode dar o Santo Espírito, porquanto isto só a Deus pertence.
No tocante à ordem eclesiástica, cremos no que S. Paulo dela escreveu na primeira epístola a Timóteo, e em outros lugares.

XIII. A separação entre o homem e a mulher legitimamente unidos por casamento não se pode fazer senão por causa de adultério, como nosso Senhor ensina (Mateus 19:5). E não somente se pode fazer a separação por essa causa, mas também, bem examinada a causa perante o magistrado, a parte não culpada, se não podendo conter-se, deve casar-se, como São Ambrósio diz sobre o capítulo sete da Primeira Epístola aos Coríntios. O magistrado, todavia, deve nisso proceder com madureza de conselho.

XIV. São Paulo, ensinando que o bispo deve ser marido de uma só mulher, não diz que não lhe seja lícito tornar a casar, mas o santo apóstolo condena a bigamia a que os homens daqueles tempos eram muito afeitos; todavia, nisso deixamos o julgamento aos mais versados nas Santas Escrituras, não se fundando a nossa fé sobre esse ponto.

XV. Não é lícito votar a Deus, senão o que ele aprova. Ora, é assim que os votos monásticos só tendem à corrupção do verdadeiro serviço de Deus. É também grande temeridade e presunção do homem fazer votos além da medida de sua vocação, visto que a santa Escritura nos ensina que a continência é um dom especial (Mateus 15 e 1 Coríntios 7). Portanto, segue-se que os que se impõem esta necessidade, renunciando ao matrimônio toda a sua vida, não podem ser desculpados de extrema temeridade e confiança excessiva e insolente em si mesmos.
E por este meio tentam a Deus, visto que o dom da continência é em alguns apenas temporal, e o que o teve por algum tempo não o terá pelo resto da vida. Por isso, pois, os monges, padres e outros tais que se obrigam e prometem viver em castidade, tentam contra Deus, por isso que não está neles o cumprir o que prometem. São Cipriano, no capítulo onze, diz assim: “Se as virgens se dedicam de boa vontade a Cristo, perseverem em castidade sem defeito; sendo assim fortes e constantes, esperem o galardão preparado para a sua virgindade; se não querem ou não podem perseverar nos votos, é melhor que se casem do que serem precipitadas no fogo da lascívia por seus prazeres e delícias.” Quanto à passagem do apóstolo S. Paulo, é verdade que as viúvas tomadas para servir à igreja, se submetiam a não mais casar, enquanto estivessem sujeitas ao dito cargo, não que por isso se lhes reputasse ou atribuísse alguma santidade, mas porque não podiam bem desempenhar os deveres, sendo casadas; e, querendo casar, renunciassem à vocação para a qual Deus as tinha chamado, contudo que cumprissem as promessas feitas na igreja, sem violar a promessa feita no batismo, na qual está contido este ponto: “Que cada um deve servir a Deus na vocação em que foi chamado.” As viúvas, pois, não faziam voto de continência, senão porque o casamento não convinha ao ofício para que se apresentavam, e não tinha outra consideração que cumpri-lo. Não eram tão constrangidas que não lhes fosse antes permitido casar que se abrasar e cair em alguma infâmia ou desonestidade.
Mas, para evitar tal inconveniência, o apóstolo São Paulo, no capítulo citado, proíbe que sejam recebidas para fazer tais votos sem que tenham a idade de sessenta anos, que é uma idade normalmente fora da incontinência. Acrescenta que os eleitos só devem ter sido casados uma vez, a fim de que por essa forma, tenham já uma aprovação de continência.

XVI. Cremos que Jesus Cristo é o nosso único Mediador, intercessor e advogado, pelo qual temos acesso ao Pai, e que, justificados no seu sangue, seremos livres da morte, e por ele já reconciliados teremos plena vitória contra a morte.
Quanto aos santos mortos, dizemos que desejam a nossa salvação e o cumprimento do Reino de Deus, e que o número dos eleitos se complete; todavia, não nos devemos dirigir a eles como intercessores para obterem alguma coisa, porque desobedeceríamos o mandamento de Deus. Quanto a nós, ainda vivos, enquanto estamos unidos como membros de um corpo, devemos orar uns pelos outros, como nos ensinam muitas passagens das Santas Escrituras.

XVII. Quanto aos mortos, São Paulo, na Primeira Epístola aos Tessalonicenses, no capítulo quatro, nos proíbe entristecer-nos por eles, porque isto convém aos pagãos, que não têm esperança alguma de ressuscitar. O apóstolo não manda e nem ensina orar por eles, o que não teria esquecido se fosse conveniente. S. Agostinho, sobre o Salmo 48, diz que os espíritos dos mortos recebem conforme o que tiverem feito durante a vida; que se nada fizeram, estando vivos, nada recebem, estando mortos.

Esta é a resposta que damos aos artigos por vós enviados, segundo a medida e porção da fé, que Deus nos deu, suplicando que lhe praza fazer que em nós não seja morta, antes produza frutos dignos de seus filhos, e assim, fazendo-nos crescer e perseverar nela, lhe rendamos graças e louvores para sempre. Assim seja.

Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André la Fon.

França Antártica, Rio de Janeiro, Brasil, fevereiro de 1558.

sexta-feira, 10 de março de 2017

REV. JONAS NEVES REZENDE (1935-2017)

Rev. Jonas Neves Rezende (1935-2017)
Rev. Jonas Neves Rezende, nasceu na cidade de São Paulo em 27/04/1935, filho de Rômulo Rezende e Maria Neves Rezende. Seu pai era pregador leigo e sua mãe, fiel serva de Deus, educou os filhos ensinando-os a guardar no coração a Palavra de Deus, a memorizar e sentir o valor das canções cristãs. Fez sua pública profissão de fé na Igreja Presbiteriana de Passos, MG, no dia 18/07/1955. Passou a infância e a primeira juventude em Casa Branca, São Paulo, onde fez seus estudos preliminares no Grupo Escolar Rubião Júnior, no Instituto de Educação Dr. Francisco Thomas de Carvalho. Formou-se em Teologia no Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas, São Paulo. Foi licenciado pelo Presbitério de Ribeirão Preto, SP, em 14/01/1961 e ordenado pelo mesmo Presbitério em 14/01/1962 na Igreja Presbiteriana de Altinópolis, SP. Foi Pastor da Igreja Presbiteriana de Ribeirão Preto, SP. Veio para o Rio de Janeiro em 1969. Casou-se em primeiras núpcias com Lilya Brondi Rezende, mãe de Laércio, Lidia Brondi (atriz), Nôga, Toth, Jonas Júnior e Nehemias Ricardo.

Rev. Jonas Rezende e família
Foi pastor na Igreja Presbiteriana Unida Bethesda, em Copacabana - atualmente Igreja Bethesda, que é pastoreada pela Reverenda Eglé Marien, viúva do Rev. Nehemias Marien.
Foi Presidente do Presbitério de Ribeirão Preto, SP. No Presbitério do Rio de Janeiro – PRJN foi Secretário do Trabalho da Mocidade.

Formou-se em Filosofia em Mogi das Cruzes, SP, e Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Foi Professor de Sociologia e Sociologia do Direito na Faculdade de Ciências Jurídicas - SUESC, vinculado à Coordenação do Curso de Direito. Foi Professor de diversas disciplinas na Universidade Veiga de Almeida. Participou de muitos programas de rádio e trabalhou por mais de 32 anos na TVE do Rio de Janeiro tendo organizado e participado de vários programas, como o “Sem Censura” “Horizontes Abertos” e muitos direcionados à juventude. Também trabalhou na TV-Tupi Rio. Esteve na rádio Manchete CCI e Globo, em programas de debates conduzidos, respectivamente, por Roberto Canásio e Haroldo de Andrade. Manteve um quadro semanal aos sábados na rádio MEC, programa de Eduardo Fajardo – “Minha vida”. Foi Diretor do Departamento do Sistema Penitenciário – DESIP do Estado do Rio de Janeiro.

Foi Professor de História da Educação, Estudos Sociais e Introdução ao Teatro no Instituto Metodista de Ribeirão Preto, SP. Na Associação Cristã de Moços do Rio de Janeiro – ACM-Rio, foi Diretor da Juventude. No Hospital Evangélico do Rio de Janeiro, seu Capelão.

Recebeu o título de Cidadão Ribeirãopretense, conferido pela Câmara Municipal de Ribeirão Preto, SP, Benfeitor da “Fraternidade Aknaton”, Diploma de Honra do Club da Juventude de Ituverava, SP. Em 1999 recebeu da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ, a Medalha Tiradentes, por proposta da Deputada Estadual Tânia Rodrigues.

Na TVE trabalhou junto à Universidade Popular. Foi preletor religioso para grupos variados, especialmente para jovens católicos e evangélicos.

Publicou mais de 20 livros , ensaios, romances, poesias e escreveu muitas peças teatrais que foram encenadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em entrevista ao autor desse esboço histórico, o Rev. Jonas Rezende registrou o seu profundo amor e carinho pela Igreja Presbiteriana de Copacabana e por muitos de seus membros, os quais considera amigos e guarda em seu coração momentos de grande alegria aqui passados.

O Rev. Jonas Rezende foi Pastor Auxiliar da Igreja Presbiteriana de Copacabana no período de 1969 a 1972 e Pastor Efetivo no período de 1972 a 1974, quando solicitou ao Conselho da Igreja o seu desligamento, por motivos de ordem pessoal.  Posteriormente foi Pastor Auxiliar da Igreja Presbiteriana de Ipanema, igreja essa que se desligou da Igreja Presbiteriana do Brasil alguns anos depois, passando a intitular-se Igreja Cristã de Confissão Reformada em Ipanema. Nessa igreja o Rev. Jonas, anos mais tarde, recebeu o título de Pastor Emérito. Também esteve colaborando na Igreja Presbiteriana Unida Bethesda, pastoreada, hoje, pela Revda. Eglé Marien.

Dra. Neusimar (esposa), Rev. Jonas Rezende e o Diác. Nelson

Faleceu no dia de hoje, 10 de março de 2017, aos 81 anos de idade.

Fontes:

ALMEIDA, Edson Fernando de. LONGUINI, Luiz. (organizadores). Teologia para que? Rio de Janeiro: Mauad X Instituto Mysterium, 2007.

CÉSAR. Erlie Lenz. Os setenta anos de uma igreja abençoada. Rio de Janeiro, 1983.

PEREIRA, Nelson de Paula Pereira. História da Igreja Presbiteriana de Copacabana (1913-2013). Rio de Janeiro: 2013.

Entrevista do Rev. Jonas Neves Rezende ao Historiador Prof. Nelson de Paula Pereira em 2013.



Diác. Nelson de Paula Pereira
Historiador
contato@nelsondepaula.com
www.nelsondepaula.com


domingo, 19 de fevereiro de 2017

DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO...origens


As origens do Dia Mundial de Oração remontam ao século XIX, quando mulheres cristãs dos Estados Unidos e Canadá iniciaram através da oração, uma variedade de atividades de cooperação e apoio à participação de mulheres em obra missionária nacional e estrangeira. Estas atividades estavam relacionadas às seguintes áreas:
Identificação com as necessidades das mulheres e crianças: Apesar da forte resistência dos grupos missionários, composto exclusivamente de homens, em 1861 e nos anos seguintes, as mulheres fundaram grupos femininos numerosos e eficientes, para a obra missionária estrangeira e nacional, mediante as quais puderam trabalhar diretamente com e para mulheres e crianças.
O papel da oração na obra missionária: Desde 1812 as mulheres motivaram umas as outras a participar em oração pessoal e assumir a liderança na oração comunitária e por missões. Esta ênfase à oração conduziu a dias e semanas anuais de oração. Em 1887 mulheres presbiterianas convocaram um dia de oração para as missões nacionais e as mulheres metodistas convocaram uma semana de oração pelas missões estrangeiras. Em 1891 iniciou-se o dia batista de oração pelas missões estrangeiras. Em 1895 Mulheres Auxiliadoras da Igreja Anglicana do Canadá iniciaram um dia de intercessão comunitária pelas missões. Em 1897 as mulheres de seis denominações formaram um comitê único para um dia de oração, pelas missões nacionais e, em 1912, convocaram um dia de oração pelas missões estrangeiras. Essas mulheres tiveram a visão da unidade cristã
O estudo foi de responsabilidade de todas: Após a Conferência Missionária Ecumênica realizada na cidade da Nova Iorque em 1900, as mulheres organizaram um Comitê Central para o estudo interdenominacional que preparou publicações, conferências de verão, dias de estudo e cursos para que mulheres pudessem manter-se informadas sobre a vida da mulher em outras partes do mundo. Também, estudaram bases bíblicas e questões vitais relacionadas com a obra missionária.
Organização de estruturas: As mulheres organizaram estruturas interdenominacionais que foram eficazes e solidárias. Por exemplo, em 1908 as mulheres fundaram o Conselho Feminino para as Missões Nacionais e assumiram a responsabilidade do trabalho conjunto com imigrantes e outras questões sociais, e para a preparação da celebração conjunta do Dia da oração.
As mulheres celebram seu compromisso: Em 1910 – 1911 as mulheres celebram o 50º aniversário das atividades missionárias femininas organizando uma série de conferências nos Estados Unidos, que proporcionou uma grande experiência do que haviam adquirido em cooperação ecumênica, em âmbito local e global, no compartilhar a oração e informação, e na reflexão bíblica. Tudo isso estava nas mãos das mulheres. Desta experiência se formaram muitos grupos femininos locais e interdenominacionais
As mulheres uniram a paz mundial com a missão mundial: Depois da devastação da 1º guerra mundial, as mulheres tomaram consciência de que a paz mundial estava intimamente ligada a obra missionária no mundo. Assim as mulheres renovaram seus esforços pela unidade.
No Canadá, em 1918, as mulheres presbiterianas convocaram representantes das associações missionárias femininas de cinco denominações, com o propósito de oração e ação conjunta. Este comitê organizou o primeiro Dia de Oração do Canadá, no dia 09 de Janeiro de 1920. No mesmo ano, em 20 de Fevereiro, estabeleceu-se a comemoração do Dia de Oração na primeira Sexta-feira da quaresma, como o dia conjunto de oração pelas missões. Devido ao apoio estusiasta dos grupos femininos locais, denominacionais e interdenominacionais, o Dia da Oração se expandiu rapidamente nos Estados Unidos. Em 1922 as mulheres canadenses adotaram a mesma data.
Nasce o Dia Mundial de Oração: Em 1926 as mulheres da América do Norte distribuíram a liturgia do culto para muitos países e missionários. A resposta, a nível mundial, foi recebida com grande entusiasmo. Em 1927 o tema da oração foi um chamado para as missões através de um Dia Mundial de Oração.
Declaração: Em 1928 o Comitê do Dia Mundial da Oração elaborou a seguinte declaração: “É com profunda gratidão que reconhecemos o crescente interesse pelo Dia Mundial da Oração. O círculo de oração se estendeu realmente ao redor do mundo. Aprendemos a grande lição de orar com, em lugar de orar por nossas irmãs de outras raças e nações, enriquecendo nossa experiência e dando lugar ao poder que deve ser nosso se quisermos cumprir o trabalho que nos é confiado.”
Na Conferência Missionária Internacional de Jerusalém, em 1928, as delegadas de vários países consideraram que a participação, a nível mundial, seria um laço de união entre as mulheres. Helen Kim, da Coréia, foi eleita como a primeira mulher fora dos Estados Unidos para escrever a liturgia do culto do Dia Mundial de Oração, em 1930.
Também em 1930, a Federação do Conselho Feminino de Missões Estrangeiras da América do Norte, elegeu dez mulheres ao redor do mundo como membros co-responsáveis. Traçaram planos para um comitê mundial para o Dia Mundial de Oração, em 1932, mas as condições econômicas de depressão impediram que concretizassem.
Em 1941, a coordenação do Dia Mundial de Oração nos Estados Unidos passou a ser responsabilidade do movimento interdenominacional conhecido, agora, como Igreja Unida de Mulheres (The Church Woman United).
Em 1969, a União Mundial de Organizações Católicas Femininas passou a participar do Dia Mundial da Oração.
Com estas origens o Dia Mundial da Oração tomou sua forma atual. As mulheres têm levado este trabalho por onde vão.
Em 1968 formou-se um Comitê Internacional que se reúne em Assembléia a cada quatro anos. Nessa ocasião os comitês nacionais e regionais se encontram. Na Suécia em 1968, reuniram-se trinta e três mulheres de vinte e três países afim de orar e planejar. Foi fixada a primeira sexta-feira de março como data oficial da celebração do Dia Mundial da Oração. A primeira Diretoria Internacional foi eleita e a Sra. Gudrum Diestel, da Alemanha, foi a primeira Presidente mundial e permaneceu até 1974. Na Tailândia, em 1970, aconteceu a segunda Assembléia Mundial e no México, em 1974. Zâmbia em 1978. Alemanha em 1982. Estados Unidos em 1986. Jamaica em 1990. Austrália em 1995 e África do Sul em 1999.
Cada Assembléia oferece contribuições especiais ao crescimento do movimento como:
compartilhar experiências do DMO;
selecionar temas e autoras para elaborar a liturgia;
eleger Comitê Executivo, cristão, com representantes da tradição católica, ortodoxa e protestante e se compõe de: presidente mundial, tesouraria e representante de oito regiões do mundo: África, Ásia, Caribe, Europa, América Latina, Oriente Médio, América do Norte e Pacífico.
examinar e planejar formas em que o movimento possa crescer


Fonte: 
Disponível em: 
Acesso em: 18/02/2017.

Prof. Nelson de Paula Pereira
Historiador
contato@nelsondepaula.com
www.nelsondepaula.com