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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PRESBÍTERO - as VERDADEIRAS CARACTERÍSTICAS (Parte III)


MARIDO DE UMA SÓ MULHER


É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher... 1 Tm 3:2

alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher... Tt 1:6-7

Introdução

Esta qualificação é uma das mais polêmicas. Desde os primórdios da igreja os exegetas tentam descobrir exatamente o que Paulo quer dizer com o seu "marido de uma só mulher". A qualificação aparece nas duas listas. Vamos aos comentários. É importante observar que pode-se tirar um ensinamento baseado na soma dos comentários. A maioria deles vai para direções semelhantes, sendo que talvez o de Jamieson, Fausset e Brown seja o que mais saia do padrão dos outros e o de MacArthur seja o mais interessante e surpreendente. Mas veja por você mesmo. Coloquei em negrito as afirmações que mais resumem a posição do comentarista, portanto todos os grifos são meus.

Os comentários foram listados em ordem alfabética.

Grego

• Em 1 Timóteo μιαζ γυναικοζ ανδρα - mias ginaikos andra

Strongs - (não trabalha com expressões)

Rienecker e Rogers – "marido de uma mulher". A frase difícil significa provavelmente que ele tem apenas uma esposa de cada vez.

• Em Tito μιαζ γυναικοζ ανηρ - mias ginaikos aner

Strongs - (não trabalha com expressões)

Rienecker e Rogers – (-)

Comentários

• Broadman – O que exatamente isso significa permanece em disputa. Cinco interpretações têm sido sugeridas: (1) Fiel à sua única esposa; (2) casado com uma esposa de cada vez, isto é, monógamo; (3) casado só uma vez, isto é, não recasado depois de um divórcio ou a morte da esposa; (4) nunca divorciado e (5) necessariamente casado. Apesar de Paulo ter se oposto àqueles que proibiam o casamento, a última opção contradiria seus pontos de vista em 1 Coríntios 7 onde ele desencoraja o casamento "por causa da angustiosa situação presente". A antiga tradição contrária ao novo casamento tenderia a favorecer o terceiro ponto de vista, mas o encorajamento dado a Paulo ao segundo casamento de viúvas em 5:14 depõe contra. A natureza genérica das instruções faz com que o primeiro ou o segundo pontos de vista sejam os mais prováveis. Poligamia tanto entre os judeus como entre os gentios era extremamente comum; infidelidade no casamento era quase que um hábito pagão. Paulo insiste em fidelidade ao laço matrimonial.

• D. A. Carson - Em alguns aspectos essa é a mais difícil ou disputada qualificação da lista. Ela tem sido interpretada de diversas formas. Alguns pensam que significa que este homem deve ser casado - que ele deve ser um marido. Essa interpretação é altamente improvável. Está claro que Paulo não era casado, pelo menos naquele momento da vida dele, e certamente o Senhor Jesus nunca foi casado. Em 1 Coríntios 7, Paulo reconhece que há certas vantagens em ser solteiro no ministério. (...) Assim há vantagens em ser solteiro no ministério, e a condição de solteiro não deveria ser menosprezada. É altamente improvável que esse texto, então, estipule que um presbítero tenha que ser casado.

Algumas pessoas acham que esse verso sugere que o presbítero / pastor / bispo é proibido de casar-se novamente, se, por exemplo, sua primeira esposa falecer: ele deve ser o marido de só uma esposa, diria essa interpretação, não importa quanto tempo ele ou ela vivam. Mais uma vez, isso também é improvável. Em Romanos 7, Paulo insiste que não há nada desonroso em casar-se novamente, casando-se com um cônjuge cristão, depois que o primeiro faleceu. Certamente ele não dá nenhuma indicação de que tal passo é inconcebível no caso de um presbítero.

Alguns acreditam que esse verso ensina que um ancião não pode ser um divorciado que recasou. A Bíblia certamente adverte de várias formas contra o divórcio. Mas também é muito importante não fazer do divórcio o pior pecado no horizonte, o pecado imperdoável, o pecado contra o Espírito santo. Alguns tentaram impor uma proibição contra qualquer um que já tenha estado divorciado em algum momento da sua vida de tornar-se ministro do evangelho. Assim, ele poderia ter sido um assassino, e então pago a dívida dele à sociedade, saído da prisão e ter sido convertido e ter se tornado um ministro do evangelho. Mas se ele já esteve divorciado, ele não pode entrar no ministério - o que de alguma forma projeta uma imagem do divórcio como sendo o pecado imperdoável. O ponto em que o divórcio desqualifica uma pessoa para o ministério, me parece, está ligado a uma categoria que nós já discutimos: "um presbítero deve ser irrepreensível". É algo ligado à credibilidade; ou, ainda, um pouco mais adiante, "ele deve governar bem sua própria casa." Há uma preocupação quanto a alguém cuja vida rachou no seu matrimônio, e então, três meses depois, sente-se qualificado para estar de volta ao ministério. Mas alguém diria que ele se arrependeu, afinal de contas, e o evangelho é sempre algo relacionado ao perdão, não é? A Bíblia claramente tem algo mais severo a dizer do que isso. Divórcio não é o pecado maior, nem é o pecado imperdoável, contudo pode desqualificar uma pessoa para o ministério precisamente pelo tanto que destrói da credibilidade dela. Há mais que eu poderia dizer, mas o divórcio simplesmente não é o tema dessa qualificação.

Algumas pessoas interpretam esse versículo de forma que ele signifique que um ancião não deve ser um polígamo; ou seja, não pode ser alguém que se casa com duas ou mais esposas. As pessoas contestam essa interpretação dizendo que ninguém na igreja cristã teria se casado com duas ou três esposas; assim por que isso deveria ser estipulado? Além disso, se discute que no primeiro século a poligamia não era algo tão comum. Por que então estabelecer essa restrição particular? Entretanto, pode ser mostrado que havia mais poligamia no primeiro século do que algumas pessoas pensam, especialmente nas classes sociais em que as pessoas se sentiam acima da regra comum. Herodes o Grande teve dez esposas. Bem, ele não as teve todas de uma vez porque ele assassinou duas delas, mas ele teve várias ao mesmo tempo. (...) Mas na igreja, é o contrário: poligamia o desqualifica para a liderança.

(...) Até onde vai o assunto de que Paulo trata aqui - o tema da poligamia - os polígamos estão simplesmente excluídos. Uma das razões é que, na Bíblia, o casamento é apresentado não só como uma instituição social, mas como um modelo, um "tipo", da relação entre o Cristo e a "sua noiva", a igreja - e Cristo não tem muitas noivas, muitas igrejas. O matrimônio é um tipo da relação entre Cristo e o seu povo, a igreja. Assim há algo a ser modelado a respeito de Cristo e da igreja, pelo marido e pela esposa, e assim por uma estrutura de matrimônio não só caracterizada por fidelidade e integridade, mas também pela monogamia. De qualquer forma, Paulo exclui o polígamo da possibilidade de ser pastor / bispo / presbítero.

• Jamieson, Fausset e Brown – refutando o celibato do sacerdócio romano. Apesar dos judeus praticarem poligamia, ele está escrevendo para uma igreja gentílica, e como a poligamia nunca foi permitida nem mesmo entre leigos na igreja, a antiga interpretação que a proibição aqui é contra a poligamia em um candidato a bispo não está correta. Deve, portanto, significar que, mesmo que leigos possam se casar novamente de forma legítima, seria melhor que candidatos ao episcopado ou presbitério fossem casados somente uma vez. Como em 1 Tm 5:9, "esposa de um só marido", implica em uma mulher casada uma única vez; portanto "marido de uma só mulher" aqui deve significar a mesma coisa. O sentimento que prevalecia entre os gentios, bem como entre os judeus (compare com Ana em Lc 2:36-37), contrário a um segundo casamento, teria feito com que Paulo, baseado na conveniência e conciliação em coisas indiferentes e que não envolvessem o comprometimento de um princípio, colocasse uma proibição no caso daqueles que ocupassem uma posição tão proeminente como bispo e diácono. (...) O concílio de Laodicéia e os cânones apostólicos desaprovavam segundos casamentos, especialmente em caso de candidatos à ordenação. É claro que, como o segundo casamento era legítimo, o seu caráter indesejável só se sustenta sob circunstâncias especiais.Está implícito aqui também, que aquele que tem uma esposa e uma família virtuosa é preferível a um solteiro; porque aquele que está obrigado a desempenhar os deveres domésticos mencionados aqui, tem uma probabilidade maior de ser mais atraente para aqueles que têm compromissos semelhantes, porque ele os ensina não só por preceito, mas também pelo exemplo (1 Tm 3:4,5). Os judeus ensinam que um sacerdote não deve ser nem não casado, nem sem filhos, para que não seja inclemente [BENGEL]. Portanto, na sinagoga, "ninguém deve apresentar uma oração em público, a não ser que seja casado"[em Colbo, cap. 65; VITRINGA, Sinagoga e Templo].

• João Calvino – (...) Uma das exposições mais aceitas é de que aquele que é aceito para este ofício não deve ser alguém casado mais de uma vez, depois que a primeira esposa falece. Mas tanto aqui como em Tito 1:6, as palavras do apóstolo são "seja" e não "tenha sido". E nesta mesma epístola, quando ele fala de viúvas, (1 Tm 5:10), ele expressamente utiliza o tempo passado. Além disso, dessa forma ele contradiria a si mesmo; porque em outro ponto ele diz que não pretendia enredar as consciências.

A única exposicão verdadeira, portanto, é a de Crisóstomo, que em um bispo ele expressamente condena a poligamia que, naquele tempo, os judeus quase consideravam como legal. (...) Poligamia era bastante prevalente entre eles e, portanto, com grande propriedade Paulo especifica que o bispo deveria estar livre dessa mácula.

Entretanto eu não desaprovo aqueles que acham que o Espírito Santo pretendia prevenir-se contra a superstição diabólica que viria posteriormente; como se Ele dissesse: "A imposição do celibato aos bispos está longe de ser certa e apropriada visto que o casamento é um estado grandemente conveniente para todos os crentes." Desta forma, ele não o exigiria como algo necessário para eles, mas louvaria-o como não inconsistente com a dignidade do ofício. No entanto, a visão que já apresentei anteriormente é mais simples e mais sólida, que Paulo proíbe a poligamia em todos que detém o ofício de bispo, porque é a marca de um homem impuro, e de alguém que não observa a fidelidade conjugal.

• John Gill – Esta regra não torna necessário que ele tenha uma esposa, ou que ele não deva se casar, ou não tenha se casado com uma segunda esposa após a morte da primeira. Apenas se ele se casar ou for casado, que ele só tenha um esposa de cada vez, de forma que esta regra exclui do ofício de presbítero, pastor ou bispo das igrejas quaisquer pessoas que sejam polígamas, que tenham mais de uma esposa ao mesmo tempo, ou que tenham se divorciado de suas esposas, e não por causa de adultério, e tenham casado com outras. Poligamia e divórcio tinham ganhado terreno entre os judeus. E estes quando criam não podia facilmente e de repente ser separados delas. E mesmo sendo ilegítimo e não permissível para todos, era especialmente inconveniente e escandaloso para oficiais da igreja.

• John MacArthur – literalmente em grego "homem de uma mulher só". Isso nada tem a ver com casamento ou divórcio. O ponto não é o estado civil do presbítero, mas a sua pureza sexual e moral. Esta qualificação encabeça a lista porque é nessa área que líderes são mais inclinados a falhar. Muitas interpretações para esta qualificação têm sido dadas. Alguns a vêem como uma proibição contra a poligamia, uma injunção desnecessária já que a poligamia não era comum na sociedade romana e claramente proibida pelas Escrituras (Gn 2:24), pelo ensino de Jesus (Mt 19:5,6; Mc 10:6-9) e de Paulo (Ef 5:31). Um polígamo sequer poderia ser membro da igreja, que dirá um líder da igreja. Outros vêem este requisito como barrando aqueles que se casaram novamente após a morte de suas esposas. Mas, como já frisei, a questão é de pureza sexual e não de estado civil. Além disso, a Bíblia encoraja o novo casamento após a viuvez (1 Tm 5:14; 1 Co 7:39). Alguns crêem que Paulo exclui os homens divorciados da liderança da igreja. Essa posição também ignora o fato de que esta qualificação não lida com estado civil. A Bíblia também não proíbe todo novo casamento após o divórcio. Finalmente, alguns acham que este requisito exclui homens solteiros da liderança da igreja. Mas se esta era a intenção de Paulo ele teria dequalificado a si mesmo (1 Co 7:8). Um "homem de uma mulher só" é aquele que é totalmente dedicado à sua esposa, mantendo singular devoção, afeição e pureza sexual tanto em pensamento como em atos. Violar isso é perder a irrepreensibilidade (Tt 1:6,7).

• Matthew Henry – não pode ter dado carta de divórcio a uma, e tomado outra, ou não pode ter diversas esposas ao mesmo tempo, como era comum naquele tempo tanto entre judeus como entre gentios, especialmente entre gentios.

(Em Tito) ou seja, ao mesmo tempo, não ser um bígamo; não que ele não possa ser casado com mais de uma esposa sucessivamente, mas, sendo casado, ele deve ter apenas uma esposa por vez, não duas ou mais, de acordo com a prática pecaminosa comum daqueles tempos, por uma perversa imitação dos patriarcas, de cujo mau costume nosso Senhor ensinou uma reforma. Poligamia é escandalosa em qualquer pessoa, como também ter uma prostituta ou concubina junto com a sua esposa oficial; ou qualquer comportamento libidinoso devasso, deve estar muito distante daqueles que pretendem entrar na função sagrada.

• New American Commentary – A tradução da NVI "marido de uma só mulher" implica que Paulo estava proibindo a poligamia entre os bispos. Uma prática assim seria tão palpavelmente inaceitável entre cristãos que parece quase desnecessário proibi-la. É melhor não ver Paulo escrevendo primariamente em oposição à poligamia. Alguns acham que Paulo estava exigindo que o bispo fosse um homem casado. Entretanto, a própria condição de solteiro de Paulo (1 Co 7:7-8) e a sua recomendação positiva da condição de solteiro (1 Co 7:1,32-35) parece indicar ser admissível que um homem solteiro sirva como um líder na igreja. Outros acham que a passagem exclui o novo casamento caso a primeira esposa venha a falecer, mas Paulo claramente permite o novo casamento em outras passagens (1 Tm 5:14; Rm 7:2-3; 1 Co 7:39). Suas afirmações aqui não deveriam contradizer a permissão ao novo casamento que ele mesmo deu em outras passagens. Outra interpretação é o entendimento de que Paulo estava proibindo um homem divorciado de servir como líder da igreja. Apesar deste poder ser o sentido que Paulo quis dar aqui, a linguagem é geral demais para tornar esta interpretação precisa. Alguns estudiosos do Novo Testamento sugerem que há passagens do Novo Testamento que parecem permitir o divórcio (Mt 19:9; 1 Co 7:15).

Parece melhor ver Paulo exigindo que o líder da igreja seja fiel à sua única esposa. O grego descreve o bispo literalmente como "um homem de uma mulher só". Lenski sugere que o termo descreve um homem "que não pode ser acusado no campo da promiscuidade e permissividade sexual". Glasscock utiliza o entendimento de Lenski para apoiar sua visão de que um homem divorciado pode servir como líder na igreja se ele for totalmente devotado à mulher com quem se casou. Sua aplicação proíbe um homem monogâmico que é conhecido por ser um paquerador de servir em uma posição de liderança. Glasscock não pretende encorajar o divórcio ou a presença de homens divorciados no ministério. Ele sugere que não devemos sustentar os pecados pré-conversão de um homem contra ele (Cl 2:13). Se Paulo quisesse proibir claramente o divórcio, ele poderia ter dito inequivocamente usando a palavra grega para divórcio (apolyo, cf. Mt 1:19).

• William MacDonald – Esse requisito é compreendido de várias formas. Alguns sugerem que um bispo deve ser casado. O argumento é que um homem solteiro não teria a amplitude de experiência apropriada para tratar de eventuais problemas familiares. Se essa expressão significa que o bispo deve ser casado, seguindo a mesma linha de raciocínio, deve-se também argumentar no versículo 4 que um ancião precisa ter filhos.

Outros acham que esposo de uma só mulher significa que, se a primeira esposa do bispo morrer, ele não pode se casar de novo. É uma interpretação muito restritiva que pode provocar reflexão sobre a santidade do relacionamento conjugal.

A terceira interpretação afirma que um bispo não deve ser divorciado. Essa visão tem considerável mérito, embora não pareça ser uma explicação completa.

Outra visão sustenta que o bispo não deve ser culpado de nenhuma infidelidade ou irregularidade em seu casamento. Sua vida moral deve estar acima de qualquer suspeita. Isso certamente é verdade, por mais variadas interpretações que a passagem possa trazer.

A última interpretação sugere que um bispo não pode ser polígamo. Pode parecer uma explicação estranha, mas tem muito valor. Nas missões atuais, acontece muitas vezes de polígamos serem salvos. (...) A solução de Deus para um problema como esse jamais seria remediar um pecado causando outros piores. Missionários cristãos em diversos locais solucionam o problema permitindo ao homem ser batizado e recebido na igreja local; mas ele nunca poderá ser presbítero enquanto for polígamo.

(Em Tito) Certamente, a frase marido de uma só mulher significa que o presbítero não pode ser polígamo, nem ter outra companheira ou amante. Em suma, afirma que sua vida de casado deve ser um exemplo de pureza ao rebanho.

Conclusão

Para começar, percebe-se que há algumas divergências entre os comentaristas. A poligamia certamente está excluída. Os divorciados ficam em situação delicada, especialmente os que não se divorciaram por causa de adultério da outra parte. Apenas um dos comentários acha que casar de novo após a viuvez seja um elemento de desqualificação.

Aparentemente, a única coisa que poderia-se dizer com certeza é que um homem casado uma única vez e fiel à sua esposa passa no teste. Porém, talvez nem este passe para John MacArthur e para o New American Commentary. Porque não basta ser casado e fiel externamente, mas ele precisa ser um homem que só tem uma mulher diante de seus olhos e diante do seu coração: a sua esposa.

O que dizer dos solteiros? Don Carson é o que mais defende a possibilidade do presbítero ser um homem solteiro. Mas não parece ser uma situação ideal. A impressão que fica é que é possível, mas não é comum. Parece que Jamieson, Fausset e Brown vão nessa linha. Solteiros e divorciados, se aceitos, claramente são exceções. Deve haver outros bons motivos para aceitar um homem solteiro como presbítero. Talvez o principal seja que ele tenha realmente o dom de ser solteiro de 1 Coríntios 7. Certamente, eu aceitaria de bom grado um John Stott como presbítero na minha igreja. Mas ele é uma exceção que comprova a regra.

A posição de MacArthur é interessante. Ele traz tudo para o campo da pureza sexual e do compromisso com a aliança do casamento. O presbítero é alguém que encontrou uma esposa e deixou de ter olhos para outras mulheres. Ele é dedicado àquela única mulher. MacArthur enfatiza muito o grego original: "homem de uma mulher só". Homens maduros não tem a sua sexualidade exacerbada de maneira que sejam incontinentes e facilmente tentáveis nesse campo. Homens assim ainda apresentam traços de comportamento adolescente e portanto precisam amadurecer. Aí MacArthur tem um ponto. O New American Commentary cita Lenski: "que não pode ser acusado no campo da promiscuidade e permissividade sexual" e aponta que o presbítero não pode ser um paquerador, um flertador, alguém que está sempre em uma atitude de "conquistador" em relação a outras mulheres. Pode-se estender este raciocínio e excluir homens que, por exemplo, lutam com a pornografia em suas vidas. Há outras mulheres chamando a atenção deles e, por isso, eles não podem ser considerados, de fato, "homens de uma mulher só". O coração deles está dividido sexualmente e há espaço para outras mulheres na sua sexualidade, mesmo que seja só visualmente.

Portanto, pode-se dizer que o presbítero deve ser um homem maduro na sua sexualidade e no seu compromisso e fidelidade à sua esposa. Isso poupa a igreja de grandes riscos, como alertou MacArthur: "Esta qualificação encabeça a lista porque é nessa área que líderes são mais inclinados a falhar." O casamento do presbítero é belo e exemplar, adequado modelo do Evangelho (Ef 5:25-32). Viúvos, solteiros e divorciados são exceções e precisam ser analisados caso a caso, inclusive no aspecto da pureza sexual e moral. Na grande maioria das vezes, o presbítero é um homem casado e marido exemplar.

Próximo Artigo: Não Irascível


Fontes

Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento – William MacDonald – Ed. Mundo Cristão
The Broadman Bible Commentary – Broadman Press
The MacArthur Bible Commentary – Thomas Nelson Publishers
Bíblia OnLine 3.00 – SBB
Definindo o que são presbíteros – artigo de D.A.Carson - http://www.bomcaminho.com/dac001.htm
The New American Commentary – Broadman Press
Chave Linguística do Novo Testamento Grego – Ed. Vida Nova

Tradução (onde necessário): Juliano Heyse

domingo, 23 de janeiro de 2011

PRESBÍTERO - as VERDADEIRAS CARACTERÍSTICAS (Parte II)




IRREPREENSÍVEL


É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível... 1 Tm 3:2

Alguém que seja irrepreensível ... Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível... Tt 1:6-7

Introdução

Começamos aqui uma série que visa compilar diversas fontes de informação sobre as qualificações de presbíteros enumeradas em 1 Tm 3:1-7 e Tt 1:5-9. Começamos com a informação léxica do grego e depois citamos o conteúdo de diversos comentários. Ao final, pretendemos tirar algumas conclusões pessoais.

Os comentários foram listados em ordem alfabética.

Grego

• Em 1 Timóteo ανεπιληπτοζ - anepileptos

Strongs - que não pode ser repreendido, não censurável, irrepreensível

Rienecker e Rogers –Impassível de ser preso, irrepreensível, além de reprovação. A palavra não implica somente que o homem deve ter boa fama, mas que ele é assim reservadamente.

• Em Tito ανεγκλητοζ anegkletos

Strongs - que não pode ser julgado, irreprovável, não acusado, irrepreensível

Rienecker e Rogers – sem acusação, irrepreensível.

Comentários

• Broadman – A tradução da Revised Standard Version – "acima de qualquer censura" - parece muito forte. Easton traduziu "não acusável de má conduta". Paulo quer dizer que, dentro e fora da igreja, ele deve ter uma boa reputação.

• D. A. Carson - de certa forma, inculpáveis. Isso não significa que essa pessoa é perfeitamente sem pecado; há muito na Bíblia contrariando esse tipo de expectativa. O que isso significa é que não há nenhuma inconsistência ou falta óbvia que todo o mundo concorda que esta lá e serve como uma repreensão àquele homem.

• Jamieson, Fausset e Brown – não dando nenhuma causa justa para acusação.

• João Calvino – Ele não pode estar marcado por nenhuma infâmia que enfraqueceria sua autoridade. Não há ninguém entre os homens que esteja livre de todo defeito. Mas uma coisa é ser marcado por um defeito comum, que não causa dano à reputação, porque são encontrados em homens de excelência, e outra coisa bem diferente é ter um nome deplorável ou estar manchado por alguma baixeza. Portanto, para que um bispo não fique sem autoridade, Paulo impõe que seja selecionado alguém que tenha uma boa e honrosa reputação, e que não possa ser acusado de nenhum defeito fora do comum.

• John Gill – Não que se possa esperar que ele deva ser totalmente livre de pecado, ou inculpável aos olhos de Deus; mas alguém que seja assim diante dos homens e que não tenha sido culpado de nenhum crime notório e perverso; e particularmente, que não seja acusável de nenhum dos defeitos mencionados ou sugeridos a seguir.

• John MacArthur – literalmente “não acusável” em um sentido criminal. Não há nenhuma acusação válida de transgressão que possa ser feita contra ele. Nenhum pecado flagrante ou evidente pode estragar a vida de uma pessoa que precisa ser um exemplo a ser seguido por seu povo. Este é o requisito universal para presbíteros; as demais qualificações são uma elaboração do que significa ser irrepreensível.

• Matthew Henry – não deve estar sob nenhum escândalo; ele deve dar tão pouca ocasião para acusação quanto possível, porque isso seria um prejuízo para o seu ministério e traria reprovação sobre o seu ofício.
(Em Tito) Não absolutamente sem faltas, isso ninguém é, porque não há quem viva e não peque; nem totalmente sem acusação, isso é raro e difícil. O próprio Cristo e seus apóstolos sofreram acusações, apesar de não serem culpados. Em Cristo certamente não há nada culpável; e seus apóstolos não eram como seus inimigos os acusavam de ser. Mas o significado é que ele não deve ser alguém que tem um mau caráter; mas deve, em vez disso, ter boa reputação, mesmo entre aqueles que são de fora; não repulsiva ou escandalosamente culpado, de forma a trazer reprovação à santa função; ele não deve ser assim.

• New American Commentary – um homem de caráter ilibado. Talvez seja um termo universal usado para cobrir toda a lista de virtudes que viria em seguida. É uma pessoa com um caráter tal que nenhuma pessoa pode propriamente trazer contra ela uma acusação de inadequação.

• William MacDonald – Significa que ele não pode ser cobrado de nenhum erro grave. Não que ele não tenha pecado, mas, se comete falhas, deve conciliar-se com Deus e com os homens. Ele deve ser irrepreensível, não apenas de reputação inabalável, mas merecedor dela.
(Em Tito) de inquestionável integridade. Não se pode imputar a eles nenhuma acusação de falsa doutrina ou comportamento irregular. Isso não significa que estejam isentos de pecado, mas que, se cometem erros menores, estão prontos para corrigi-los pela confissão a Deus, pelo pedido de perdão à(s) pessoa(s) prejudicada(s) e pela restituição, se for o caso.

Conclusão

Esta qualificação não parece gerar muita polêmica. Aparentemente, como apontaram MacArthur e o New American Commentary, trata-se de uma "qualificação resumo" que engloba todas as outras. Uma maneira sintética de definir aquilo que ele iria esmiuçar em seguida. Parece fazer sentido, já que as duas listas começam com esta qualificação. Nota-se que comentaristas reformados tendem a ressalvar que não há homem verdadeiramente irrepreensível (veja Carson, Calvino, Gill, Henry e MacDonald) e que esta qualificação está apontando para a reputação geral do indivíduo, cujo desdobramento será feito nas demais qualificações. Isso dá também o tom da avaliação das demais qualificações que não pode ser de uma perfeição inatingível.

Além da forte ênfase moral, chama a atenção a preocupação de MacDonald em apontar que "não se pode imputar a eles nenhuma acusação de falsa doutrina". Fica bem claro também que esta qualificação está fortemente ligada a todo ensino bíblico do pastor como guia e exemplo para o rebanho. Exigir irrepreensibilidade neste sentido parece ser uma medida de bom senso cristão.

Fontes

Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento – William MacDonald – Ed. Mundo Cristão
The Broadman Bible Commentary – Broadman Press
The MacArthur Bible Commentary – Thomas Nelson Publishers
Bíblia OnLine 3.00 – SBB
Definindo o que são presbíteros – artigo de D.A.Carson - http://www.bomcaminho.com/dac001.htm
The New American Commentary – Broadman Press
Chave Linguística do Novo Testamento Grego – Ed. Vida Nova

PRESBÍTERO - as VERDADEIRAS CARACTERÍSTICAS (Parte I)




A origem do ofício de presbítero

Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki

O sistema de governo presbiteriano significa que a igreja local é regida pelos presbíteros. Não é congregacionais (onde todos decidem pelo voto direto), nem episcopais (onde apenas um superior decide), mas é uma igreja democrática que é representada pelos presbíteros. Segue abaixo os princípios do governo presbiteriano:

1. Cristo é a Cabeça da sua Igreja e a Fonte de toda a sua autoridade. Esta autoridade encontra-se escrita na Escritura, de modo que, todos têm acesso ao seu conhecimento.

2. Todos os crentes devem estar unidos entre si e ligados diretamente a Cristo, assim como os diversos membros de um corpo, que se subordinam à direção da cabeça.

3. Cristo exerce a sua autoridade em sua Igreja, por meio da Palavra de Deus e do seu Espírito.

4. O próprio Cristo determinou a natureza do governo de sua Igreja.

5. Cristo dotou tanto a membros comuns como aos oficiais de sua Igreja com autoridade, sendo que os oficiais receberam adicional autoridade, como é requisito para realização dos seus respectivos deveres.

6. Cristo estabeleceu apóstolos como os seus substitutos, entretanto, eram de caráter transitório. O ofício de apóstolo cessou, mas a sua autoridade é preservada pelos seus escritos, isto é, o Novo Testamento.

7. Cristo providenciou para o específico exercício da autoridade por meio de representantes (os presbíteros), a quem separou para a preservação da doutrina, adoração e disciplina na Igreja. Os presbíteros têm a responsabilidade permanente de pastorear a Igreja de Cristo.

8. A pluralidade de presbíteros numa igreja local é a liderança permanente até a segunda vinda de Cristo.



A palavra "presbítero" é uma transliteração do grego presbyterós, que significa literalmente "ancião". No sentido do Novo Testamento, quando se refere à liderança da Igreja Cristã, indica uma pessoa que possuí um ofício de autoridade, mas, em outros contextos do grego coinê, [1]pode-se referir simplesmente a um homem idoso. A palavra presbyterion encontrado em Lc 22:66; At 22:5 e 1 Tm 4:14 significa "concílio de anciãos". Herman Ridderbos observa que o ofício de presbítero "certamente possuí antecedentes patriarcais e se originou no judaísmo, onde é a designação de uma classe social." [2] Então, não era necessariamente a liderança realizada somente por homens idosos, mas idôneos. A palavra indica no Novo Testamento não a maturidade biológica, mas a espiritual, ou seja, não especificamente a sua idade, mas a transformação que o discípulo de Cristo alcançou sobressaindo aos demais, deixando de ser considerado neófito (1 Tm 3:6).

Desde o Antigo Testamento o sistema de governo é exercido através de anciãos (presbíteros). Tanto Moisés, como os sacerdotes e levitas, os juízes e os reis de Israel, eram auxiliados pelos "anciãos de Israel" (Êx 3:16-18; 4:39; 17:5-6; 18:13-17; 19:7; 24:1, 9-11; Lv 4:15; 9:1-2; Nm 11:14-25; Dt 5:23; 22:15-17; 27:1; Js 7:6; 8:33; Jz 21:16; 1 Rs 8:1-3; 1 Cr 21:16; Sl 107:32; Ez 8:1). Este era o exercício comum de governo do povo de Deus na antiga Aliança.

A prática do povo de Israel de ser governado pelos anciãos (presbíteros) continuou no Novo Testamento. O julgamento de Jesus foi realizado no amanhecer, quando "reuniu-se a assembléia dos anciãos do povo, tanto os principais sacerdotes como os escribas, e o conduziram ao Sinédrio..." (Lc 22:66; veja também At 22:5).

O sistema de governo pelos anciãos (presbíteros) foi mantido num processo natural de continuidade da antiga para a nova Aliança na Igreja Cristã. Paulo não inventou um novo sistema de governo para as igrejas que implantou, apenas o adaptou para uma perspectiva e necessidade cristã. A pluralidade de anciãos (presbíteros) em cada igreja local era o padrão estipulado para que aquela comunidade pudesse ser governada. Esta era a prática de Paulo (At 14:23), e foi assim que ele instruiu os pastores que lhe sucederam (2 Tm 2:2; Tt 1:5). Rudolf Bultmann conclui que

um conselho dos "presbíteros" é por excelência uma instituição na qual se unem a validade de autoridade ex officio; e justamente por meio dele a autoridade de lideranças pôde ser fortalecida. A formação de um colégio de presbíteros também não foi algo extraordinário, porque a comunidade cristã procedeu também neste ponto conforme o modelo das comunidades sinagogais judaicas; quanto à sua forma, a comunidade primitiva apresentava-se inicialmente como uma sinagoga dentro do judaísmo. [3]



Os presbíteros sucederam aos apóstolos como liderança da Igreja. Enquanto os apóstolos ainda eram vivos, os presbíteros simultaneamente exerciam o governo ao seu lado (At 11:30; 15:2; 20:17-35; Tg 5:14; 1 Pe 5:1-4). Quando o apostolado cessou, os presbíteros continuaram, e são estes que devem governar a Igreja, como substitutos dos apóstolos e representantes da autoridade de Cristo. Como já foi observado o apostolado foi um ofício transitório. Não há apóstolos hoje. Eles formavam um grupo único com as seguintes características: [4]

1. Eles foram pessoalmente escolhidos, chamados, instruídos e designados por Cristo, e não por qualquer outra instituição humana.

2. Eles foram testemunhas oculares do Jesus histórico (Mc 3:14; Jo 15:27; At 1:21,22; 1 Co 9:1; 15:8-9).

3. Foi-lhes prometido uma inspiração especial do Espírito Santo, que iria tanto lembra-los de tudo o que Jesus lhes ensinou, guiando-os à toda verdade (Jo 14:25-26; 16:12-15).



Os apóstolos participaram desta transição de autoridade. (1 Pe 5:1; 2 Jo vs.1; 3 Jo

vs.1). Houve uma transferência de autoridade dos apóstolos para os presbíteros. Quando o ofício apostólico desapareceu permaneceram apenas os presbíteros que foram instituídos, ordenados e estabelecidos em todas as igrejas. Esta transição pode ser verificada através de documentos nos primeiros séculos da Igreja. Clemente de Roma, entre 95 a 98 d.C., afirma que os apóstolos

pregavam pelos campos e cidades, e aí produziam suas primícias, provando-as pelo Espírito, a fim de instituir com elas bispos e diáconos dos futuros fiéis. Isso não era algo novo: desde há muito tempo, a Escritura falava dos bispos e dos diáconos. Com efeito, em algum lugar está escrito: "estabelecerei seus bispos na justiça e seus diáconos na fé." [5]



Em outro lugar ele ainda menciona os termos episcopado, geralmente traduzido por bispo ou supervisor, e presbíteros, como sendo intercambiáveis. Ele afirma que os

nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por esse motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião da morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério. Os que foram estabelecidos por eles ou por outros homens eminentes, com a aprovação de toda a igreja, e que serviram irrepreensivelmente ao rebanho de Cristo, com humildade, calma e dignidade, e que durante muito tempo receberam o testemunho de todos, achamos que não é justo demiti-los de suas funções. Para nós, não seria culpa leve se exonerássemos do episcopado aqueles que apresentaram os dons de maneira irrepreensível e santa. Felizes os presbíteros que percorreram seu caminho e cuja vida terminou de modo fecundo e perfeito. Eles não precisam temer que alguém os afaste do lugar que lhes foi designado. [6]



O mais antigo manual de catecúmenos, conhecido como Didaquê, instrui que "escolham para vocês bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados, porque eles também exercem para vocês o ministério de profetas e mestres." [7] Novamente, usa-se o título bispo em lugar de presbíteros para se referir ao mesmo oficial. Não é ao sistema episcopal que os autores da Didaquê fazem menção, pois estes bispos eram eleitos pela igreja, e não por um colégio episcopal.





Rev. Ewerton B. Tokashiki

prtokashiki@gmail.com

pastor da Igreja Presbiteriana de Porto Velho

prof. teologia sistemática no SPBC - extensão Ji-Paraná



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[1] William D. Mounce, The Anayitical Lexicon to the Greeek New Testament (Zondervan Publishing House, 1992), p. 389.

[2] Herman Ridderbos, El Pensamiento del Apóstol Pablo (Grand Rapids, Libros Desafio, 2000), p. 592.

[3] Rudolf Bultmann, Teologia do Novo Testamento (São Paulo, Editora Teológica, 2004), p. 540-541.

[4] John R.W. Sott, O chamado para líderes cristãos (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2005), p. 16.

[5] Clemente de Roma in: Padres Apostólicos (São Paulo, Ed. Paulus, 1995), vol. 1, p. 53. Clemente cita o livro de Is 60:17 na versão grega do AT conhecida como Septuaginta.

[6] Clemente de Roma in: Padres Apostólicos, vol. 1, p. 54-55.

[7] Didaquê in: Padres Apostólicos, vol. 1, p. 358.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O OURO E A MADEIRA - Ederaldo Gentil




Não queria ser o mar
Me bastava a fonte
Muito menos ser a rosa
Simplesmente o espinho
Não queria ser caminho
Porém o atalho
Muito menos ser a chuva
Apenas o orvalho
Não queria ser o dia
Só a alvorada
Muito menos ser o campo
Me bastava o grão
Não queria ser a vida
Porém o momento
Muito menos ser concerto
Apenas a canção

O Ouro afunda no mar
Madeira fica por cima
Ostra nasce do lodo
Gerando pérolas finas

20 DE JANEIRO - UM MÁRTIR CRISTÃO

Pintura de Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi, dito Sandro Botticelli

(Florença, 1º de março de 1445 – 17 de maio de 1510)

São Sebastião (França, 256 d.C. — 286 d.C.) originário de Narbonne e cidadão de Milão, foi um mártir e santo cristão, morto durante a perseguição levada a cabo pelo imperador romano Diocleciano. O seu nome deriva do grego sebastós, que significa divino, venerável (que seguia a beatitude da cidade suprema e da glória altíssima).

Nascimento 256

Falecimento 286

Veneração por Catolicismo, Igreja Ortodoxa, Umbanda

Festa litúrgica 20 de janeiro

Atribuições Flechas

HISTÓRIA

De acordo com Actos apócrifos, atribuídos a Santo Ambrósio de Milão, Sebastião era um soldado que teria se alistado no exército romano por volta de 283 d.C. com a única intenção de afirmar o coração dos cristãos, enfraquecido diante das torturas. Era querido dos imperadores Diocleciano e Maximiliano, que o queriam sempre próximo, ignorando tratar-se de um cristão e, por isso, o designaram capitão da sua guarda pessoal - a Guarda Pretoriana. Por volta de 286, a sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas (que se tornaram símbolo constante na sua iconografia). Foi dado como morto e atirado no rio, porém, Sebastião não havia falecido. Encontrado e socorrido por Irene (Santa Irene), apresentou-se novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que ele fosse espancado até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma. Luciana (Santa Luciana, cujo dia é comemorado em 30 de Junho) resgatou seu corpo, limpou-o, e sepultou-o nas catacumbas.

Existem inconsistências no relato da vida de São Sebastião: Historicamente o edito que autorizava a perseguição sistemática dos cristãos pelo Império foi publicado apenas em 303 (depois da Era Comum), pelo que a data tradicional do martírio de São Sebastião parece um pouco precoce. O simbolismo na História, como no caso de Jonas, Noé e também de São Sebastião, é vista, pelas lideranças cristãs atuais, como alegoria, mito, fragmento de estórias, uma construção histórica que atravessou séculos.

O bárbaro método de execução de São Sebastião fez dele um tema recorrente na arte medieval - surgindo geralmente representado como um jovem amarrado a uma estaca e perfurado por várias setas (flechas); de resto, três setas, uma em pala e duas em aspa, atadas por um fio, constituem o seu símbolo heráldico.

Tal como São Jorge, Sebastião foi um dos soldados romanos mártires e santos, cujo culto nasceu no século IV e que atingiu o seu auge na Baixa Idade Média, designadamente nos séculos XIV e XV, tanto na Igreja Católica como na Igreja Ortodoxa. Embora os seus martírios possam provocar algum ceticismo junto dos estudiosos atuais, certos detalhes são consistentes com atitudes de mártires cristãos seus contemporâneos.

SÃO SEBASTIÃO NO FOLCLORE, NA LITERATURA E NO CINEMA

São Sebastião foi o ícone de várias expressões artísticas. A Pintura há muito o nomeou como modelo de pintores da Renascença.

Na literatura, São Sebastião teve sua trajetória contada no livro "Perseguidores e Mártires" , do escritor italiano Tito Casini. Ainda na literatura, foi um dos personagens centrais do romance "Fabíola" (também intitulado "A Igreja das Catacumbas"), escrito em 1854 pelo Cardeal Nicholas Wiseman.

A Obra de Wiseman foi levado para as telas de cinema em 1949, num filme francês homônimo dirigido por Alessandro Blasetti, e estrelado por Michèle Morgan, e com o ator italiano Massimo Girotti no papel de São Sebastião. Um Remake cinematográfico do romance de Wiseman foi realizada em 1961, na Itália, com o título "La Rivolta degli Schiavi ("A Revolta dos Escravos ), dirigido por Nunzio Malasomma, e protagonizada pela estrela norte-americana Rhonda Fleming, tendo o romano Ettore Manni como o santo mártir.

FESTEJOS EM HOMENAGEM A SÃO SEBASTIÃO

No Brasil, ele é celebrado com festas e feriados no dia 20 de janeiro como padroeiro de várias cidades:

Acre: Xapuri.

Bahia: Caturama, Alcobaça, Caravelas, Itambé, Trancoso, Cumuruxatiba e Maraú.

Ceará: Apuiarés, Choró, Ipu, Monsenhor Tabosa, Mulungu, Nova Olinda e Pedra Branca.

Goiás: Rio Verde e Palmeiras de Goiás.

Mato Grosso: Alto Garças.

Mato Grosso do Sul: Maracajú.

Maranhão: Presidente Dutra

Minas Gerais: Espera Feliz , Andrelândia, Montes Claros, Alpinópolis, Carlos Chagas, Andradas, Cruzília, Coronel Fabriciano, Brumadinho, Leopoldina, Bom Jardim de Minas, Lagoa Dourada, São Sebastião do Paraíso, Papagaios, Pedralva e Salto da Divisa.

Pará: Altamira e Parauapebas.

Paraíba: São Sebastião de Lagoa de Roça, Picuí e São Bento.

Paraná: Paranavaí, Sengés, Jacarezinho, Andirá e Rio Branco do Sul .

Pernambuco: Caruaru, Jataúba, Limoeiro, Cabo de Santo Agostinho, Belo Jardim, Ouricuri e Lagoa de Itaenga.

Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Barra Mansa, Três Rios, Aperibé e Araruama.

Rio Grande do Norte: Caraúbas, Equador.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_sebasti%C3%A3o


NA CATACUMBA DE SÃO SEBASTIÃO

ROMA –– O bom tempo que caracteriza as semanas de outubro na Cidade Eterna –– as ottobrate––oferecem ocasião única a quem deseja peregrinar pela capital da Cristandade.

O céu azul das manhãs contrasta com a pátina áurea da atmosfera, que banha a vegetação –– sempre verde––, monumentos e edifícios. O dia é curto, e já pelas 16 horas o sol se apresta em deitar seus últimos raios. Tudo se doura, exceto os verdejantes pinheiros romanos, por cujas copas filtram graciosamente os raios crepusculares.

Completam o quadro os milhares de pássaros em migração, para fugir aos rigores do inverno que se aproxima.

A poucos quilômetros de Roma, situa-se a Via Appia,construída há mais de dois mil anos, no tempo de Appius Claudius, estrada ao longo da qual os pagãos costumavam enterrar os seus mortos. Ligando Roma a Brindisi, no extremo sul da península, ela é ladeada por ruínas veneráveis. Aquela velha estrada, que evoca dois milênios de História, traz-nos à lembrança as legiões conquistadoras que deixavam a capital para manter e estender os domínios imperiais. Por ela passaram homens sem conta do mundo civilizado de então, desde os mais diversos estrangeiros atraídos pelo esplendor dos Césares, até mercadores em busca de lucro, além de escravos das mais variadas proveniências.

Pamilharam-na também os primeiros cristãos intrépidos à demanda da Metrópole, que estadeava a alegria desabrida dos prazeres terrenos, para ali levar as verdades eternas ensinadas por Nosso Senhor Jesus Cristo. E ao longo dela nossos maiores edificaram estes monumentos vivos, que são nossas igrejas, sobre os corpos dos santos.

"Monumentos vivos"! A expressão é exata, pois ali o incenso queima, a oração canta e os ornatos são de flores, mármores e ouro. Não são subterrâneos obscuros, são igrejas luminosas: claras pela luz da alegria católica e da vida sobrenatural da graça que por ali paira.

Naquela Via, na catacumba que leva seu nome, repousam sob o altar os restos do grande mártir romano, São Sebastião. E, por ocasião de seu suplício, ninguém jamais suspeitaria que, transcorridos quase dois milênios, povos da terra inteira para ali afluiriam a fim de venerar as suas relíquias sagradas e celebrar sua festa a 20 de janeiro!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

40 TIPOS DE CRENTES




APENAS PARA DESCONTRAIR...
Confira:
CRENTE CHICLÉTE: só mastiga a Palavra, mas não engole...
CRENTE URSO: no inverno, fica hibernando
CRENTE AÇÚCAR: se sair com chuva, derrete.
CRENTE CHUCHU: que pega qualquer gosto, "Maria vai com as autras"
CRENTE QUIABO: vive escorregando.
CRENTE LEÃO – não se meta com ele, pois ele é o Rei da Igreja…
CRENTE TÓCHA – tá toda hora queimando… Queima demônio, queima
CRENTE AGENTE SECRETO: ninguém sabe que ele é crente
CRENTE BORBOLETA: que anda de igreja em igreja
CRENTE ÔBA-ÔBA: "tudó é festa"
CRENTE CARRINHO DE MÃO: alguém tem que empurra-lo até a igreja
CRENTE GELINHO: cheio dos "não me toques!"
CRENTE FLORZINHA DE JESUS: qualquer coisa , sai da igreja
CRENTE GABRIELA: "eu nasci assim, eu cresci assim, e vou ser sempre assim, Gabriela..."
CRENTE MACHADO: qualquer idéia, ele já corta.
CRENTE BULE: de "pô café" (pouca fè)
CRENTE ESCOTEIRO: só vai em acampamento
CRENTE KODAK: vive de revelação
CRENTE "6 ORA": seis ora por mim...
CRENTE ENXADA: quando o pastor está pregando, ele diz: é prá mim!
CRENTE PÁ: quando o pastor está pregando, ele diz:é pra ele!
CRENTE ALELUIA: só diz aleluia na hora errada
CRENTE COM DOM DO CANTO: fica lá no canto da igreja encostado e não quer saber de trabalhar!!!
CRENTE CELULAR: SÓ VIVE DESLIGADO OU FORA DE ÁREA.
CRENTE ROCAMBOLE: ENROLADO...
CRENTE CELULAR- só vive desligado ou fora de área.
CRENTE PÃO DE FORMA – miolo mole, casca grossa, chato e quadrado
CRENTE ZAGALO – os irmãos tão sempre tendo que engoli-lo
Crente Rubinho Barrichelo – Freia no fim da prova só pra deixar todo mundo passar por você na vida espiritual
Crente Jacaré – tem uma boquinha…
Crente Elevador – está sempre subindo e descendo na vida espiritual…
Crente Macaco – vive pulando de igreja em igreja…
Crente Pipoca – vive dando pulo…
Crente Piolho – anda pela cabeça dos outros…
Crente açúcar – se sair com chuva, derrete.
Crente Alice no país das maravilhas – vive sonhando. Acorda, Alice !
Crente avião - vive nas nuvens.
Crente Homem-Aranha – vive subindo pelas paredes por qualquer coisa…
Crente Chapolin – você pode contar com tudo, menos com sua astúcia..
Crente Avestruz – vive colocando a cabeça embaixo da terra quando tem um problema.
E então, lembrou de alguém ???