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quinta-feira, 24 de março de 2011

PRÓXIMA PARADA: SUBÚRBIO - Renato Lemos

Não é fácil definir exatamente o que é um subúrbio carioca – nem a prefeitura tem dados precisos que ajudem a traçar seus limites -, mas é provável que não exista subúrbio de verdade sem linha do trem, pipa voada, cadeira na calçada, vizinha fofoqueira, botequim da esquina, português no botequim da esquina, fiado só amanhã, sacolé, pelada, top de lycra, carro lavado na rua, churrasquinho, escola de samba, caça-níquel, quintal, cigarra, Cosme e Damião, mangueira e amendoeira, um monte de van, um monte de camelô, bíblia, beata, macumba, criança na rua, Bope, favela, aquelas garotas de shortinho apertado, chinelo de dedo, suor, funk, cerveja e muito calor.

É possível também que subúrbio que é subúrbio mesmo tenha nome e sobrenome, como Ricardo de Albuquerque, Vicente de Carvalho, Quintino Bocaiúva, Oswaldo Cruz, Magalhães Bastos e Bento Ribeiro. Há ainda os que defendam que subúrbio, mais que um conceito geográfico, é um estado de espírito: a pessoa pode deixar o subúrbio, mas o subúrbio jamais a deixará. São pistas a seguir. Desde que a ação da polícia no Complexo do Alemão – aliada às bênçãos de um onipresente São Jorge – trouxe mais paz à região, o carioca voltou a ter a chance de descobrir do que, afinal, é feito o subúrbio.

A estreia de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo aconteceu no Engenhão, o estádio cravado no bairro do Engenho de Dentro. É um estádio moderno, com arcos de aço, telões para acompanhar os jogos e lanchonetes de grife. Todos os clássicos do Campeonato Carioca vão acontecer ali. Até 2013, será o campo oficial para Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Para chegar lá, o melhor caminho é pegar a linha do trem. A estação do Engenho de Dentro – a mais bonita entre as 19 do ramal de Deodoro – é vizinha do estádio. Saindo da Central do Brasil, são 20 minutos que, com sorte, podem ser percorridos em vagão com ar-condicionado.

O Engenhão se soma a outros motivos – como a inclusão de novos botecos entre os melhores no guia “Rio botequim 2011″, como o excêntrico Codorna do Feio, ali pertinho – que estão devolvendo ao suburbano o orgulho de morar por lá.

- Depois que o carioca superar o medo de sair da Zona Sul, vai descobrir que os botequins do subúrbio têm muito a oferecer – atesta Zé Carlos, do Original do Brás, em Brás de Pina, bicampeão no concurso Comida di Buteco com uma receita revolucionária de bife à rolê. – Sou eu, minha mulher e meu filho, além de duas sobrinhas como garçonetes. Botequim do subúrbio é coisa de família.

Família existe em todo lugar, mas família suburbana é uma instituição à parte, com seus códigos e personagens próprios – e qualquer um que tenha assistido a um episódio de “A grande família” sabe bem o que é isso. É Nenê, Lineu, Tuco, Beiçola e Agostinho por toda parte. Durante os últimos anos, quando foi grande o êxodo dos suburbanos em direção a Jacarepaguá e à Barra, foi a família – ou a memória afetiva, vá lá – que manteve de pé os costumes do lugar.

Onde quer que esteja, o suburbano vai carregar junto com ele os clubes de bairro, o banho de mangueira, o campinho para o “time contra”, o mormaço das tardes de sábado, o futebol no radinho de pilha, o cheiro do incenso e da chuva, os bobbies no cabelo, o vendedor de pão na bicicleta, o bola ou búlica, as coxas da namorada no uniforme da escola, o visgo da jaca, a cola do cerol que gruda nos dedos e nunca mais sai dali. Mais que tudo, o suburbano não desapega das casas da sua infância. E não há subúrbio sem casas de subúrbio.

- Uma casa como esta demorava seis meses para ser vendida, e só quem comprava era creche e centro de macumba. Hoje tenho fila de interessados – diz Paulo Soares, corretor de imóveis, apontando para uma casa de varanda, a imagem de Nossa Senhora de Fátima no alto da fachada, numa rua sossegada do Encantado, bairro com o nome mais bonito da cidade. – Quando o filho se casava, era normal querer morar na Barra ou no Recreio, mas agora ele voltou a procurar imóveis nos bairros onde nasceu.

A casa negociada por Paulo Soares – dois quartos, garagem coberta, muro revestido de azulejos decorados – está avaliada em R$250 mil. É o novo patamar. Um sala e dois quartos em Bonsucesso, por exemplo, que até o ano passado era anunciado por R$90 mil (e não encontrava comprador) agora sai por até R$140 mil. Os aluguéis da área também subiram, cerca de 40%, e já não é fácil encontrar casa de vila – típicas da Zona da Leopoldina – para locação.

- Onde você ia encontrar uma casa igual à minha? Em Ipanema? No Leblon? – pergunta Carlitoel Gomes de Morais, o Carlinhos, que pintou de vermelho e preto a fachada de sua casa, em Olaria, numa homenagem ao Flamengo.

Carlinhos – que afirma que seu nome de batismo é artigo tão raro quanto sua residência – mora há 30 anos no mesmo lugar. Está com 51. A paixão pelo Flamengo se confunde com a paixão pela mulher, Zica, que foi babá de Zico, o Galinho de Quintino. Ele diz ter hábitos, como o de caminhar pela rua depois do jantar para fazer a digestão, típicos do lugar.

Mas Carlinhos lamenta que outros prazeres, como ir ao Cine Olaria (hoje transformado num depósito de material de construção), para ver bangue-bangue, já não façam parte de sua rotina.

- O que deve ser feito é dar aos subúrbios a valorização dos serviços, pensar na obras, no lazer e nos meios de transporte como se fosse no Centro ou na Zona Sul – diz o arquiteto e urbanista Jorge Jauregui, um crítico da maneira desordenada da ocupação urbana carioca. – Além disso, temos que devolver o verde, compactar as áreas, melhorar os trens e intervir na paisagem. O entorno da linha do trem é feio e abandonado, a viagem é um sacrifício. É preciso investir na estrutura e no lazer.

Lazer, em todo o subúrbio, sempre teve nome e endereço: Parque Shangai, logo ali embaixo da Igreja da Penha. O parque está há 63 anos no mesmo lugar e (quase) com os mesmos brinquedos espalhados numa encosta arborizada. Viveu épocas de vacas magras desde que o tráfico se instalou nas redondezas. Isso mudou. Há dois meses, registra um aumento de 25% no número de visitantes. É gente que paga R$15 pelo passaporte com direito a roda-gigante, bate-bate, chapéu mexicano. Num domingo de verão, 38 graus no termômetro, a família de Oswaldo Barbosa ficou 20 minutos na fila do trem fantasma:

- Meu pai me trazia aqui, e agora eu estou vindo com os meus filhos. Não dá pra quebrar a tradição.

Adonias Montenegro sabe bem o que é tradição. Ele tem 72 anos e sempre morou em Marechal Hermes. O bairro, para quem não tem intimidade com a região, é um subúrbio clássico: tem casarões antigos e bem conservados, coreto, ruas de paralelepípedo e militares espalhados em todo o canto. Além de muitas árvores.

Adonias mora em uma casa construída pela Marinha, com varanda, piscina de plástico azul, mangueira no quintal com uma cadeira embaixo. É um lugar estratégico.

Dali, ele fica de olho na rua e no Bar da Amendoeira (existem pelo menos cinco bares da Amendoeira nos subúrbios, o mais famoso é o de Maria da Graça), na esquina em frente. Ele é presidente do Clube do Buraco, um apanhado de uns 30 amigos que, diariamente, se reúne embaixo da tal amendoeira para jogar cartas.

Descobrir o que se conversa ali é mais difícil do que saber se Bangu é subúrbio ou Zona Oeste ou onde, caramba, enquadrar a Ilha do Governador. Aos sábados, a turma do carteado espera o dono do bar encerrar o almoço (feijoada, dobradinha, rabada, um mocotó de lamber os beiços) para colocar o churrasco na rua. Os membros do clube têm direito a levar as famílias.

- Subúrbio é isso aqui, amigos e a família juntos. E a cervejinha, claro. Não saio daqui por nada – diz Adonias, que na juventude jogava futebol no campo hoje ocupado pelas divisões de base do Botafogo. – O Dario Peito de Aço tentava vaga aqui, mas só entrava em campo quando não tinha mais ninguém pra jogar. Não tinha vaga. Muito craque nasceu no subúrbio, cara!

Adonias talvez seja um romântico, nostálgico de uma época que não volta mais. Do tipo que prefere o samba ao funk, o Mercadão de Madureira ao NorteShopping, a conversa no portão ao papo na lan house, a bola de gude ao Playstation, o pé-sujo da esquina ao botequim de franquia, o barbeiro ao salão de cabeleireiro, a Igreja da Penha ao templo da Universal do Reino de Deus. Do tipo que faz questão de afirmar que subúrbio é uma coisa e periferia, ah, periferia é outra, completamente diferente. Não está só.

A Caprichosos de Pilares, que este ano tenta voltar ao Grupo Especial, tem os subúrbios cariocas como enredo. Lá pelo meio do samba, a letra diz: “O povo de bem pede proteção/ Senhor, deram as costas pra me renegar/ Mas minha fé, ninguém vai abalar/ Sou suburbano e não me canso de lutar.”

O subúrbio, todo ele, é mais ou menos assim.

Fonte: Jornal O Globo, 06/02/2010

quarta-feira, 23 de março de 2011

ILHA DAS MOÇAS (ou Ilha dos Melões)

Avenida Francisco

Bicalho - Gasômetro

A Avenida Francisco Bicalho, construída em 1907 como parte do pacote das obras do porto, saneava de vez os restos do mangal de São Diogo, tendo sua parte da avenida do Mangue já saneado pelo Barão de Mauá.
Esse aterro da avenida Francisco Bicalho acabou com as ilhas dos Melões (ou das Moças) e dos Cães (onde está a Rodoviária Novo Rio), os sacos do Al
feres e de São Diogo (ou Diego) e a praia Formosa, que ia até a estação ferroviária Barão de Mauá. Foi próximo ao terreno onde está o gasômetro que Araribóia instalou a sua tribo de Temiminós e travou várias batalhas antes de ganhar as terras de São Lourenço (mais tarde Niterói) em 1573.
Em 1911, ficaram prontos os trabalhos de construção do "novo gasômetro"
, na entrada do Canal do Mangue, em São Cristóvão, instalações estas construídas pela Mead-Morrison Manufacturin Company, com um gasômetro de 90 mil metros cúbicos.
Em 1915, ele passou a ser considerado o maior do mundo.

Palavras - Nana Caymmi


Palavras, palavras, palavras
Eu já não agüento mais
Palavras, palavras, palavras
Você só fala, promete e nada faz

Palavras, palavras, palavras
Desde quando sorrir é ser feliz
Cantar nunca foi só de alegria
Com o tempo ruim
Todo mundo também dá bom dia

domingo, 20 de março de 2011

PRIMEIRO AMOR - Carlinhos Felix



Quero voltar ao inicio de tudo
Encontrar-me contigo Senhor
Quero rever meus conceitos e valores

Eu quero reconstruir
Vou regressar ao caminho,
Vou ver as primeiras obras, Senhor
Eu me arrependo, Senhor,

Me arrependo Senhor, me arrependo, Senhor
Eu quero voltar ao primeiro amor,
ao primeiro amor,
Eu quero voltar a Deus.

domingo, 6 de março de 2011

A HIPOCRISIA DO CONSELHO - caso real

" Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.” Mateus 23. 13 - 15

François duc de la Rochefoucauld revelou, de maneira mordaz, a essência do comportamento hipócrita:"A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude". Ou seja, todo hipócrita finge emular comportamentos corretos, virtuosos, socialmente aceitos.

Diz mais no seu pensamento intitulado A HIPOCRISIA DO CONSELHO

: "Nada é mais hipócrita do que pedir ou dar conselhos. Quem pede, parece ter um respeito venerando pelos sentimentos do amigo a quem os pede, mas, no fundo, quer é fazer aprovar os sentimentos próprios e, assim, tornar o outro responsável pela sua conduta. Por outro lado, o que presta os conselhos retribui a confiança que lhe é dada, com um zelo ardente e desinteressado, apesar de, quase sempre, querer, através dos conselhos que dá, satisfazer os seus interesses ou a sua glória".


Você não tem visto os hipócritas da Casa de Deus? Essa "raça vil", ainda se faz presente entre nós. Aparentemente pouco mais que uma meia-dúzia, mas são eles que traçam os rumos, os caminhos... são a minoria, mas "uma laranja podre estraga todo o cesto". Não é isso? O joio e o trigo não devem conviver juntos, até que no TEMPO CERTO o joio seja arrancado e lançado no fogo? Pois bem, esses "parasitas", os hipócritas, fazem parte da irmandade e um dia serão arrancados, ou eles mesmo se arrancarão.

Mas vamos conhecer o significado da palavra. Vamos entender a origem da palavra HIPÓCRITA, hipocrsia.


A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou, mais tarde, a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos.

Um exemplo clássico de ato hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto realiza a mesma ação.

O cientista cognitivo Keith Stanovich fez uma carreira do estudo da hipocrisia. Ele a vê como surgindo da incompatibilidade de tais coisas como o interesse próprio e os desejos com crenças de ordem mais alta na moralidade e na virtude. As únicas pessoas que não são hipócritas são a minúscula e talvez não-existente minoria que é tão santa que nunca se entregam a seus instintos mais básicos e o grupo maior que nunca tenta viver segundo os princípios da moralidade ou virtude. Ele dessa forma defende que os hipócritas são na verdade a classe mais nobre das pessoas.

O termo “hipocrisia” é também comumente usado (alguns diriam abusado) num sentido que poderia ser designado de maneira mais específica como um “padrão duplo”. Um exemplo disso é quando alguém acredita honestamente que deveria ser imposto um conjunto de morais para um grupo de indivíduos diferente do de outro grupo.

Hipocrisia é pretensão ou fingimento de ser o que não é. Hipócrita é uma transcrição do vocábulo grego "hypochrités". Os actores gregos usavam máscaras de acordo com o papel que representavam numa peça teatral. É daí que o termo hipócrita designa alguém que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência.

O SOFRIMENTO DO HIPÓCRITA, de Victor Hugo

"Ter mentido é ter sofrido. 0 hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso. 0 odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. 0 verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. 0 traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. 0 hipócrita é um titã-anão".


O interior de um hipócrita nunca corresponde ao seu exterior. O interior de um hipócrita é uma coisa, e seu exterior é outra coisa; um hipócrita é exteriormente limpo mas interiormente impuro. Hipócritas são como os frascos dos farmacêuticos, tendo por fora o título de algum excelente remédio mas por dentro algum veneno mortal. Eles são como os templos egípcios, que são belos por fora mas dentro deles nada se encontra além de serpentes e crocodilos, e outras criaturas venenosas.Hipócritas laboram mais em prol de um bom nome do que de um bom coração; uma boa repercussão dos seus feitos do que uma boa consciência; eles são como violinistas, mais cuidadosos em afinar seus instrumentos do que em vigiar suas almas. Hipócritas são como prata porém escurecem; eles possuem uma aparente santificação externa mas interiormente são cheios de malícia, mundanismo, orgulho, inveja, etc. São como almofadas de sofá, feitas de veludo e ricamente bordadas mas cujo interior é cheio de feno. Um hipócrita pode oferecer sacrifício com Caim, correr com Jezabel, se humilhar com Acabe, chorar com as lágrimas de Esaú, beijar Cristo com Judas, seguir a Cristo com Demas, e aparentar compromisso com Simão Mago; e ainda com tudo isto seu interior é tão mau quanto qualquer um deles. Um hipócrita é um Jacó por fora e um Esaú por dentro; um Davi por fora e um Saul por dentro; um Pedro por fora e um Judas por dentro; um santo por fora e um Satanás por dentro; um anjo por fora e um demônio por dentro. Um hipócrita é um Judeu exteriormente mas um ateu, um pagão, um infiel interiormente. Li sobre certas estátuas, assemelhando-se a Júpiter e Netuno, que por fora eram cobertas com ouro e pérola mas por dentro não tinham outra coisa senão aranhas e teias de aranha; a comparação perfeita com os hipócritas. Aquele monge acertou quando disse: “Mostrar ser um monge de forma externa foi fácil mas ser, de fato, um monge, interiormente, foi difícil.” Mostrar ser um cristão de forma externa é fácil mas ser, de fato, um cristão, interiormente, é muito difícil. O interior de um hipócrita nunca reflete ou corresponde ao seu interior; seu interior é perverso, e seu exterior é piedoso. Mas que todos os hipócritas saibam: fingir santidade é duplamente iníquo, e ao fim terão de responder por isto.


Você já conseguiu identificar algum? É tão fácil! Um dos hipócritas é aquele que EXIGE ÉTICA dos outros, que briga e protesta contra um membro da sua família. Isso mesmo, um membro de sua família. Não somos irmãos? Filhos do mesmo Deus? Não, aparentemente, vamos passar a eternidade juntos? Pois então, o hipócrita age assim. É falso, é mentiroso, maquina o mal, tenta ver seu projeto pessoal ser realizado, como não consegue alcançar nenhuma posição importante na sociedade, tenta se promover onde lhe concedem esse privilégio através de uma eleição "democrática".

Como esses chacais fedem no meio da Casa. E como conseguem seguidores, muitos por inocência, por despreparo, por falta de conhecimento, por não ter opinião própria. São verdadeiras "vaquinhas do presépio".

Mas voltando aos hipócritas, eles aparentam ser certinhos, éticos, justos, fiéis, cristãos, bom pai, bom esposo, bom filho, bom crente, mas de bom não tem nada. São caninanas no meio das ovelhas. São lobos travestidos de santos... do "páu ôco"...

Preste atenção, quando um desses hipócritas se aproximar de você. Eles aparentam uma elevada espiritualidade. Ocupam cargos/funções importantes. É admirado por alguns e odiado por outros. Falam muito em ÉTICA. Cuidado com essas víboras. Elas no momento certo atacam e seu veneno causa a morte. E não pense que alguém vai te acudir, talvez jogue uma pedra na mordida para não se comprometer com o hipócrita e ser a próxima vítima.

Mas concluindo. Fique alerta.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O AMOR ESFRIOU, MAS O MAL NÃO PODE TRIUNFAR!

“No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século.

E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane.

Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.

E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.

Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores.

Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome.

Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.

E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.

Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo.

E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”

Evangelho segundo São Mateus. 24 3 – 14

A frase “o amor esfriou”, essa figura de linguagem, é uma comparação feita entre dois termos com o uso de um conectivo.

Mas a palavra de Jesus, aqui registradas segundo Mateus, um de seus Discípulos, faz parte dos Sermões Proféticos, intitulado “O princípio das dores”.

Jesus nesse sermão apresenta que as guerras, terremotos, perseguições e falsos profetas são os sinais da vinda de Jesus, mas estes sinais indicam somente a certeza do julgamento, e não a data em que ocorrerá.

Tais sinais caracterizam todo o período entre a sua ressurreição e a sua vinda para julgar. Saber quando Jesus retornaria poderia levar os seus Discípulos ao ócio e a frouxidão, em sua vigilância. O “quando” é respondido por Jesus com uma orientação vinculada a uma tarefa: será depois que o evangelho for pregado a todas as nações.

Li um texto recentemente e quero compartilhar com você, pois nos últimos dias temos vivenciado momentos bem angustiantes... eu diria DECEPCIONANTES... desapontamentos...

Muitos que têm se identificado como “CRISTÃOS” não chegam aos pés nem de serem considerados seres humanos. Quanto mais possuírem as QUALIDADES e CARACTERÍSTICAS de CRISTO!

Ocupam vocações, mas são vocacionados? Seria como lançar os porcos no meio das pérolas e não ao contrário, pois na verdade o que temos visto é a inversão de valores. É a politicagem ao invés da política sadia, benéfica que procura relacionar-se com as questões humanas, dos cidadãos, da democracia e não do demonio, palavra criada pelos gregos, que significa a voz interior, ou o deus que vive dentro de nós e nos aconselha tendendo para o mal e pode ser a fonte de ódio.

Os verdadeiros cristãos fazem o bem sem olhar a quem. Abrem a mão direita sem que a esquerda veja. Não maquinam o mal. Não se assentam na rodas dos malfeitores para articularem contra os remidos do Senhor, mesmo que todos estejam sentados na mesma mesa, comendo do mesmo pão. Furtam-se de fazer o bem a quem direito estando em suas mãos o PODER de fazê-lo. Essas palavras não são nossas, mas do sábio Rei Salomão registradas em Provérbios 3. 27. Mas o que temos visto são que aqueles que tem o poder de decidir, por conta dos arranjos políticos, para não se indispor com outrem, e até mesmo por simples maldade do coração, NÃO FAZEM O BEM! Essa é a nossa realidade. Quem tem ouvidos para ouvir e discernir, que ouça e entenda e não compactuem.

Não queremos nos alongar nesse estudo. Vamos deixar o espírito de Deus falar melhor. Pois Ele tem o melhor para nós, sabe o melhor para nós, age por nós e por meio de nós.

Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Mateus 10. 12

Mas não se espante, esses são os

SINAIS DOS TEMPOS

O amor vem esfriando na medida em que crescem a iniquidade, o individualismo, o narcisismo

Os discípulos de Cristo, um dia, perguntaram a ele quais seriam os sinais que antecederiam a sua vinda. Ele respondeu esta pergunta numa longa pregação, conhecida como “sermão profético”. Entre os sinais apresentados por Jesus, destaca-se o surgimento de falsos Cristos e falsos profetas, que iriam enganar muitas pessoas. O Filho de Deus falou também de guerras entre as nações e de abalos sísmicos. No entanto, há um sinal que me chama a atenção de forma particular: trata-se daquele que fala do esfriamento do amor. Jesus disse: “E por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12).

A relação que Jesus apresenta é inversamente proporcional: o crescimento da iniquidade implica no enfraquecimento do amor. Vejam se não é esse o nosso caso. Na medida em que cresce o pecado em suas mais variadas formas, da corrupção ao crescimento da miséria social, da pornografia a todas as formas de banalização sexual, a violência nas ruas e nos lares, o individualismo autocentrado e narcisista, esfria o amor genuíno e sincero no ser humano. Somos uma geração que vem desaprendendo a amar. Não estou me referindo a uma forma platônica de amor ou aos modelos hollywoodianos que enchem nossa sala de estar todos os dias, mas ao amor conforme Deus o revela nas Escrituras. Amor naquela forma como ele mesmo nos tem amado e celebrado uma aliança com seu povo. Provavelmente não há nenhum texto mais completo sobre o amor do que I Coríntios 13, um texto que precisa ser revisitado por nós diante daquilo que vemos todos os dias.

Naquela epístola, Paulo fala de um amor que é paciente, que não se perde diante da primeira crise ou da primeira desilusão; um sentimento bondoso, não ciumento e humilde. Um amor que não se comporta de forma inconveniente, mas é altruísta, e está sempre procurando atender o interesse dos outros e não o seu próprio. É também um amor que não se ira facilmente, que não guarda rancor, que não se alegra com a injustiça, mas que salta de júbilo quando a verdade triunfa. É um amor que sabe que o sofrimento sempre acompanha aquele que ama. Um amor que se sustenta sob fundamentos sólidos e verdadeiros, que não tem a pressa dos egoístas, mas que sabe esperar e possui uma enorme capacidade de suportar adversidades.

Este amor que Paulo nos descreve vem diminuindo e esfriando na medida em que cresce o egoísmo alimentado pelo individualismo da cultura narcisista, onde o que importa sou eu, meus desejos, meus interesses, meu momento, minhas necessidades, minha realização, meus projetos, o que eu penso, quero e preciso.

Os escândalos de corrupção que mais uma vez abalam o país têm, na sua raiz, o mesmo mal. Todos buscam o que é seu e nunca o que é dos outros. A epidemia que hoje toma conta da nação não é a corrupção – ela é apenas mais uma expressão de uma nação, onde a iniquidade cresceu tanto que fez o amor murchar.

Eu nunca fui um desses crentes interessados em decifrar os códigos para adivinhar quando é que Jesus Cristo volta. Tal aritmética não me interessa. Apenas sei que ele voltará, e isso me basta. No entanto, devo confessar que olhando para o cenário do mundo hoje, da própria Igreja, tenho orado por uma intervenção divina e espero que ela aconteça logo, seja na forma de um novo avivamento – daqueles que penetram na raiz do coração humano e o transforma e não esta panacéia religiosa que alguns chamam de “derramamento do Espírito”. Oro por isto porque não é mais possível suportar tanta injustiça, tanta miséria, tanta imoralidade, tanto pecado e pior, DENTRO DA IGREJA.

Oro também para que Deus nos preserve fiéis a ele e à sua Palavra, para que aqueles que reconhecem o amor divino e são alimentados e inspirados por ele cresçam cada vez mais amparando o pobre, cuidando do necessitado, lutando pela justiça, permanecendo fieis aos termos da aliança com Deus e com o próximo. Jesus, naquele sermão profético, afirma que “o amor se esfriará de quase todos”. E é nesta pequena exceção que quero me incluir, a mim e a você, mesmo que sejamos apenas um pequeno remanescente, mas um remanescente que não se curva diante dos Baalins do mundo moderno.

R. B. S.